Turismo Sexual

O turismo sexual é uma indústria global multibilionária. O cliente que procura usufruir deste serviço é tipicamente um cidadão de nações industriais e desenvolvidas que viaja com o propósito distinto de comprar e usufruir de uma enorme variedade de serviços sexuais associados a tal aquisição.

Introdução

O turismo sexual é uma indústria global multibilionária. O cliente que procura usufruir deste serviço é tipicamente um cidadão de nações industriais e desenvolvidas que viaja com o propósito distinto de comprar e usufruir de uma enorme variedade de serviços sexuais associados a tal aquisição. Os destinos variam imensamente, mas grande parte dos turistas sexuais procuram os serviços de indivíduos que habitam as nações em desenvolvimento. As viagens e o consumo dos turistas sexuais, facilitadas pelas tecnologias e por um sistema-mundo cada vez mais globalizado, aumentaram tremendamente os lucros da indústria sexual a níveis sem precedentes históricos. Mesclando diversas etnias, classes, géneros e desigualdades etárias com o consumo capitalista, o turismo sexual criou e perpetuou um vasto conjunto de problemas para os trabalhadores no negócio do sexo e aos países com parcerias na atividade. Como tal, um crescente corpo de estudos interdisciplinares revelou a complexa combinação de exploração e agência envolvidos no turismo sexual, as ligações entre o local e o global, a necessidade de inclusão e estudo do turismo sexual gay e transgénero, assim como do turismo sexual heterossexual, e a importância de se perceber ao invés de se estereotipar trabalhadores e experiências.

 

Em termos globais, o turismo sexual é um grande negócio. Segundo Williams (2202), 83 países indicam o turismo como uma das cinco principais categorias de exportação. Países em desenvolvimento economicamente vulneráveis com recursos exploráveis abraçam sempre as receitas que os turistas trazem. Aliás, uma vez que o turismo pode ser a maior fonte de receitas de um país, existe a tendência acrítica de se associar todo o tipo de turismos com o progresso económico. Organizações internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional disponibilizaram empréstimos para o negócio do turismo como um mecanismo para terminar a pobreza nos países em desenvolvimento. No entanto, inúmeros investigadores contestaram o impacto destes empréstimos, ilustrando que devido à desvalorização monetária, imigração, urbanização, e ao mercado de trabalho organizado por género, o turismo é, especialmente para as mulheres das nações em desenvolvimento, uma entrada provável no mundo dos serviços sexuais.

 

Problemática

Diversão, sol e aventura, e o consumo de um “Outro” exótico acessível, são os tropos internacionalmente associados ao encantamento do turismo sexual. Este apelo é como a manufatura de uma comodidade e mantida pelas tecnologias dos países desenvolvidos. Por exemplo, os consumidores estrangeiros têm acesso à informação e serviços à distância: através da internet, salas de chat, diários, blogues, e vídeos promocionais na internet. Estes meios tornam acessíveis os meios de um indivíduo se aventurar numa tournée sexual, como negociar com trabalhadores sexuais submissivos, quais os melhores sites e os melhores profissionais. Alguns sites da internet permitem ao turista personalizar inteiramente um pacto de viagens sexuais. Com grande importância, os países-destino do turismo sexual têm pouquíssimo controlo sobre o modo como os seus cidadãos são representados. Por exemplo, um grande número de brochuras e revistas especializadas no negócio sexual são produzidas na Europa. Adicionalmente, o ciberespaço apresenta frequentemente os estereótipos do costume: nativos sensuais, interessados e submissos, e os serviços de fretamento aludem a “cenários exóticos”, cujo contraponto são corpos praticamente nus. De facto, populações inteiras são reduzidas à categoria de comodidades sexuais.

As linhas de serviços aéreos facilitam o acesso a um leque de países em desenvolvimento com climas mornos. Os destinos populares incluem a Tailândia, as Filipinas, a República Dominicana, a Costa Rica e o Brasil, apesar de o turismo sexual não estar limitado ao sudeste asiático e ao sul americano, uma vez que existem cidades específicas associadas ao turismo sexual como Amsterdão, a zona costeira do Quénia delimitada pelo oceano índico, Havana e Patpong. Enquanto algumas zonas estabeleceram padrões culturais de prostituição (por exemplo, os bordéis são tradicionais na Tailândia), o influxo de turistas à procura de serviços sexuais específicos, a par da pobreza das nações em desenvolvimento, aumentou a economia sexual local para níveis históricos. Em alguns casos, este aumento pode ser traçado diretamente à intervenção governamental deliberada e às organizações financeiras. Assim, o negócio do sexo da Tailândia cresceu substancialmente durante e após a Guerra do Vietname, quando os governadores dos EUA e de a Tailândia negociaram um contrato para os soldados americanos serem enviados para a Tailândia em “missão de descanso”. Por conseguinte, ambos os governos se envolveram indiretamente no aumento de bordéis.

Ao passo que gays, lésbicas, bissexuais, transgéneros e heterossexuais se envolvem no turismo sexual como consumidores e vendedores, as estatísticas e os estudos demográficos, psicológicos, da experiência e das motivações dos turistas, são deveras limitados. O trabalhador sexual mais comummente investigado é o protótipo da mulher pobre e jovem, que migra do campo para cidade ou para outro país, de modo a se sustentar ou à sua família. Alguns relatos sugerem que a “mulher” encontrou no negócio do sexo mais lucro do que se desse prosseguimento a uma carreira doméstica ou fabril, ou que foi enganada e forçada ao negócio.

Reconhece-se que o turismo sexual está na origem da manifestação de problemas sociais, como a violência contra pessoas, a doença e a morbidade, a prostituição infantil, e a destruição ambiental, para se nomear apenas alguns. Isto, porque grande parte dos trabalhadores sexuais sofrem abusos e explorações constantes por parte do cliente, incluindo a recusa deste último em usar contracetivos, a violência física ou emocional, e a negação da remuneração combinada ou a pura fuga sem pagamento. Numa grande maioria de países, o negócio do sexo é ilegal, e os trabalhadores têm ínfimas probabilidades de verem a sua situação legalizada. O HIV, entre outras doenças sexualmente transmissíveis, é prevalente, tendo um inegável impacto no futuro sexual do consumidor de serviços sexuais e do vendedor dos próprios. Paradoxalmente, a ameaça do HIV é percecionada por muitos turistas sexuais como um desporto de alto risco que merece ser praticado.

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References:

Ehrenreich, B. & Hochschild, A. (Eds. (2003) Global Woman: Nannies, Maids, and Sex Workers in the New Economy. Henry Holt, New York.

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