TRV Benton

Conceito de Teste de retenção visual de Benton. Constituição e aplicação. Interpretação.

Conceito de TRV Benton

O TRV Benton, por extenso Teste de Retenção Visual de Benton, é uma medida de avaliação neuropsicológica, designadamente da perceção e memória visuais, bem como das aptidões gráficas/construtivas.

Esta prova é de aplicação individual, sendo utilizado em adultos com queixas sugestivas de deterioração mental. Pode também ser aplicada a crianças a partir dos 8 anos de idade.

Constituição e aplicação

O TRV Benton baseia-se na apresentação de cartões com figuras geométricas, podendo estes ser utilizados segundo uma das várias modalidades de aplicação. Estas podem basear-se: a) na observação por parte do indivíduo de cada um dos cartões durante um período maior ou menor de tempo (segundos), sendo pedido ao indivíduo que após esta observação reproduza, desenhando, o que observou e memorizou; b) na observação e reprodução simultâneas de cada uma das formas do cartão; c) e na observação durante um período de tempo, intervalada com outro período de tempo até à reprodução do que observou e memorizou.

Após a reprodução são avaliados os resultados do indivíduo, nomeadamente quanto à eficiência, ou número de reproduções corretas, e à precisão enquanto contabilização do número de eventuais erros na reprodução.

Interpretação

Os resultados obtidos são comparados aos resultados esperados de acordo com a idade e capacidade intelectual (medida pelo QI) do indivíduo, procurando-se desta forma enquadrar o seu desempenho quanta à estimativa de deterioração mental. Consoante as discrepâncias encontradas entre resultados obtidos e esperados, é equacionada a probabilidade de deterioração mental, desde a colocação (ou não) dessa sugestão à forte indicação da mesma. Acrescendo aos resultados quantitativos, é realizada uma análise qualitativa.

Qualitativamente são considerados os tipos de erro presentes na reprodução. Estes podem apresentar-se sob a forma de omissão ou adição de figuras; reprodução de figuras observadas no cartão anterior, designadas por perseverações; alterações no tamanho das figuras desenhadas relativamente ao cartão-estímulo; deslocamentos na organização espacial do conteúdo do cartão; substituição de figuras por outras que não se encontrem presentes, designadas por distorções; e rotações da direção das figuras.

A análise qualitativa é importante na medida em que permite, de acordo com a literatura, enquadrar os diferentes tipos de erros segundo diferentes quadros de deterioração. Por outras palavras, verifica-se que determinados tipos de erros, tais como as omissões, são mais frequentes em indivíduos que apresentam défices perceptivos e mnésicos.

Sabe-se também que indivíduos com défices ao nível dos lobos frontais apresentam maior número de erros de perseveração e que indivíduos com lesões unilaterais apresentam tendência a manifestar erros nos estímulos que figuram no campo visual contralateral.

Desta forma, a interpretação do TRV Benton permite associar determinados erros de reprodução à presença de lesões cerebrais. Alguns resultados podem ainda revelar a presença de ansiedade, com repercussão no funcionamento mnésico, não obstante esta prova não apresentar como objetivo a identificação de perturbações clínicas/não orgânicas.

Palavras-chave: TRV Benton; percepção visual; memória; deterioração mental; lesão cerebral

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References:

  • Augras, M. (1968). O teste de retenção visual de Benton em Psicologia Clínica. Arquivos Brasileiros de Psicotécnica, 20(4): 31-41.
  • Gleitman, H., Fridlund, A., Reisberg, D. (2007). Psicologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
  • Kandel, E., Schwartz, J.M., & Jessel, T.M. (2000). Principles of Neural Science. New York: McGraw-Hill.

 

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