Estóicos, Filosofia

Estóicos foi o nome dado aos adeptos do estoicismo. A palavra estoicismo é derivada do grego stoa poikíle, pórtico pintado, local em Atenas onde os membros da escola se reuniam.

A escola estóica foi fundada em Atenas por volta de 300 a.C. por Zenão de Cítio (344-262 a.C.), um pensador de origem fenícia que havia se fixado na cidade após um naufrágio. Lá ouviu Crates, o cínico; Xenócrates, o platônico e parece ter participado da Academia de Platão. Cítio aceitava a todos que chegassem às reuniões. Na época de sua morte, o essencial do sistema já estava delineado. A doutrina estóica seguiu sendo elaborada e desenvolvida inicialmente pelos discípulos e sucessores de Zenão: Cleantes (330-232 a.C.) e Crisipo (280-206 a.C.).

A doutrina

Os estóicos partem de um princípio sistemático dividido em três partes que se relacionam: física, lógica e ética. Eles consideravam o mundo como um todo vivo, uma espécie de corpo, onde sua unidade engloba todos os seres indo dos minerais aos deuses. O ser humano seria um microcosmo em meio a um macrocosmo, portanto, é um elemento da natureza física. Caso suas ações estejam de acordo com os princípios ético-naturais estaria ele em harmonia com o cosmo alcançando assim a felicidade. Aqui uma boa ação (uma ação ética) só é boa se estiver de acordo com a natureza. São três as virtudes fundamentais para tanto: a inteligência, que permite a distinção entre bem e mal; a coragem, que permite a distinção entre o que temer e o que o não temer e a justiça, que permite distinguir o que cada um merece.

Esse modelo ético leva a um forte determinismo, ou seja, tudo o que há está necessariamente em seu lugar e cabe ao ser humano aprender a ressignificar e aceitar a vida como ela está.  Quanto mais compreendemos o mundo reconhecemos que tudo nele está de acordo com o destino para um maior bem do Todo. Não existe o acaso, tudo é providencial e todo o conhecimento está em entender a ordem natural. É na perspectiva desse naturalismo que aparece a lógica como um reflexo da física. A lógica aqui é a presença intelectual na ordem da natureza. Assim devemos agir buscando a harmonia e a aceitação do que nos chega como resultado de nossas escolhas e ações. É seguindo esses preceitos que se alcança eudaimonia (vida boa ou felicidade) que consiste na prática da ataraxia (tranquilidade ou ausência de perturbações).

Estóicos na Idade média

Com Panécio (180-110 a.C.) e Posidônio (135-51 a.C.) chegamos ao “médio estoicismo” ou o tempo do humanismo racionalista. Foi através deles que o estoicismo chegou a uma Roma em plena expansão colonial. Aqui o estoicismo perde um pouco o seu rigor e torna-se mais eclético, já que se aproxima de pontos das doutrinas platônica e aristotélica.

Novo estoicismo

A partir do século I d.C. o centro do estoicismo se desloca ainda mais para Roma dando origem ao chamado “novo estoicismo” ou “estoicismo imperial”. Esse estoicismo foi marcado pela filosofia prática dando ênfase ao humanismo a apatheia (indiferença) e o autocontrole. Aqui o ideal consiste em colocar o sábio numa posição de perfeita harmonia com a natureza, dominando suas paixões e suportando os sofrimentos da vida diária até chegar em um estado de completa indiferença e impassibilidade diante dos acontecimentos. Seus principais nomes foram Sêneca (4–65 d.C) – aquele que parece ter conseguido transformar em vivência os raciocínios abstratos da escola. Procedendo de um estoicismo aberto suas teorias e práticas políticas inspiraram o reino, pelo menos durante o tempo em que Nero permaneceu no poder. Outro nome importante foi Epitecto (60-138 d.C.). Com ele o estoicismo inclinou-se ainda mais para uma moral pessoal em favor de uma liberdade interior. Esta, por sua vez, nasce de uma submissão profunda à ordem do mundo percebida como  divina. Já Marco Aurélio (121-180 d.C.), muito influenciado por Epitecto nos deixou uma espécie de escritos espirituais em “Para si mesmo”, onde buscar fazer face aos encargos de um reino trágico.

Em linhas gerais, Lucien Jerphagnon considera que o estoicismo pode ser definido como um naturalismo por implicar em um conhecimento da natureza capaz de nos levar a uma sabedoria prática para o viver, ao mesmo tempo que mantém aspectos especulativos sobre a vida.

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References:

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 1° ed. brasileira coordenada e revista por Alfredo Bosi; revisão da tradução e tradução de novos textos Ivone Castilho Beneditti – 6°ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2012;

JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de Filosofia. 3ºed. Rio de janeiro: Jorge Zahar Ed., 1996;

JERPHAGNON, Lucien. História das grandes Filosofias. Trad.: Luís Eduardo de Lima Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 1992;

MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 2°ed. Rio de Janeiro: 2007.

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