História da Música

A História da Música é o estudo das origens e evolução da música ao longo do tempo.

Pode ser abordada como disciplina histórica, inserindo-se assim na História da Arte e no estudo da evolução cultural dos povos, estudada por historiadores, ou como disciplina musical, sendo normalmente uma divisão d musicologia e da teoria musical, cujo estudo é realizado por musicólogos.

Na sua origem etimológica, a palavra música deriva do grego μουσική τέχνηmusiké téchne, a arte das musas.

Apesar do conceito “música” apenas ter surgido na antiguidade greco-helénica, suspeita-se de que a música é conhecida e praticada desde a pré-história, tendo tido por base os sons da natureza; e, por isso, considerada a mais antiga e primitiva de todas as artes.

Não é possível, no entanto, estabelecer um desenvolvimento concreto e regrado da história da música, confundindo-se esta com a própria história do desenvolvimento da inteligência e da cultura humanas.

Normalmente os estudos sobre a história da música afirmam a sua origem, como já foi mencionado, na Grécia Antigo, tendo-se depois desenvolvido através de movimentos artísticos associados às grandes eras artísticas de tradição europeia (como a era medieval, renascimento, barroco, classicismo, etc.).

No entanto, este conceito é errado, pois centra-se na história da música no ocidente, ignorando a sua evolução e desenvolvimento no resto do mundo.

Apenas nas últimas décadas se estendeu o estudo das origens da música à música não-europeia e também à música pré-histórica.

Chegou-se portanto à conclusão que há tantas histórias da música quanto há culturas no mundo, tendo cada uma subdivisões e diferentes vertentes de abordagem, tornando-se assim praticamente impossível circunscrever ou delimitar a evolução da música sem ter em conta as diferentes épocas e localizações geográficas.

Ainda assim, existem pontos de contacto, que são comuns ao longo da evolução da música, pelo que é possível definir de uma forma lata a música consoante grandes épocas históricas, e tendo em conta os desenvolvimentos mais importantes e influentes da música na história mundial.

 

Música na Pré-História

Como é natural, é impossível saber-se ao certo como surgiu a música entre os homens das cavernas, como soava ou até para que era utilizada; não existem mesmo certezas quanto à utilização de música tal como hoje é definida. A teoria que defende o surgimento da música na pré-história baseia-se em pinturas rupestres, encontradas em cavernas, que parecem representar figuras a cantar, dançar ou tocar instrumentos. Foram também encontrados fragmentos do que se julga terem sido instrumentos musicais, o que vem reforçar esta tese.

No entanto, nos seus primórdios, julga-se que o Homem recorria a sons como gritos, sons corporais, batimentos com pedras ou ramos de árvores como forma de comunicação, sendo o seu principal objetivo o de imitar a Natureza, e não o de produzir música. Apenas a partir do momento em que o homem começou a fazer uso desta mescla de sons com a intenção de produzir música se pode afirmar que nasceu a música, iniciando-se assim um longo percurso que dura até aos nossos dias.

Deste modo, o homem das cavernas começou a fazer uso da música nas suas cerimónias e rituais, como por exemplo, na evocação das forças da natureza, no culto dos mortos ou no decorrer da caça. A voz e outros sons corporais foram os primeiros a ser utilizados, sendo que, gradualmente se foram introduzindo instrumentos, ainda que muito rudimentares.

Nascia assim um laço duradouro, entre o Homem e a música, que permanece inquebrável até à atualidade.

 

Música na Antiguidade

As primeiras civilizações com estruturas musicais coesas e organizadas são as consideradas grandes civilizações da Antiguidade, nomeadamente a Egípcia, a Grega e a Romana, onde a música tinha um papel central nas diversas atividades diárias e cerimónias destas culturas.

Esta informação baseia-se na diversidade de representações de instrumentos musicais e de práticas relacionadas com a música que surgem em documentos e imagens da época.

No Egipto, sociedade extremamente estratificada socialmente, a música era acessível a todas as classes, praticando-se tanto no palácio do faraó como no trabalho do campo ou no culto dos mortos. Curiosamente, eram principalmente as mulheres que tocavam.

A música tinha uma conotação de divina, aparecendo muito ligada ao culto dos deuses.

Os principais instrumentos musicais utilizados possuíam ainda sonoridades muito simples, como harpas, flautas, liras, alaúdes e instrumentos de percussão.

Na sociedade da Grécia Antiga, embora ainda ligada à religião, a música surge também como forma de expressão nos teatros. Além disso, os gregos encaravam já a música como arte e como ciência, sendo valorizada ao ponto de ser uma das principais disciplinas na educação dos jovens.

A civilização grega teve um papel fundamental para a evolução da história da música ocidental, sendo de destacar o seu contributo essencialmente em relação ao ritmo e à notação musical. Os instrumentos mais utilizados eram os aulos, a lira e os instrumentos de percussão, e foi também na Grécia Antiga que surgiu o órgão.

A música no Império Romano foi substancialmente influenciada pela cultura grega; presente em todas as celebrações, e também na vida quotidiana, tanto de classes mais abastadas como das mais pobres, constituía parte importante da cultura dos romanos, tendo sido estes os responsáveis pela invenção do órgão hidráulico, que funcionava a água.

 

Música na Idade Média

Com a queda do Império Romano e a progressiva implantação do cristianismo, a igreja passa a ter um papel fulcral no desenvolvimento e evolução da música, já que são os monges que substituem os gregos no desenvolvimento da escrita e da teoria musical.

Os cantos litúrgicos vocais eram a mais comum forma de utilização da música na Idade Média; transmitidos de geração em geração, variavam dependendo da cultura do povo em que se encontravam inseridos.

Foi também nesta época, e tendo por base os cantos litúrgicos, que surgiram os Cânticos Gregorianos, uma compilação dos melhores cantos da altura, a par com alguns da sua autoria, feita por São Gregório Magno; eram utilizados como forma de oração para demonstrar o amor a Deus.

Daqui podemos facilmente concluir que persistia um forte vínculo entre a música e a religião.

Simultaneamente, e talvez também por isso, começou a haver uma grande separação entre a música religiosa e a música popular, distinção essa principalmente visível nos instrumentos utilizados, já que na igreja apenas o órgão era permitido, enquanto que na música não religiosa ou chamada profana usavam-se instrumentos como a rabeca, o saltério, o alaúde, a charamela, a flauta, a gaita de foles, a sanfona, a harpa, os pratos, os pandeiros, os tambores, entre outros. Também a língua utilizada diferia, sendo que na Igreja se cantava em latim, ao passo que na música popular eram utilizados os dialetos próprios de cada região.

No entanto, a principal contribuição da Idade Média para o desenvolvimento da música prende-se com o início da utilização de pautas com notas musicais, ainda que numa fase bastante rudimentar e diferente da que conhecemos hoje em dia.

 

Música no Renascimento

O período renascentista é caracterizado pela mudança de pensamento do Homem perante o mundo, mudança esta que, como não podia deixar de ser vai também influenciar a arte.

O homem do renascimento já não vive apenas dominado pelos valores da igreja, agora encontra valores nele próprio e na natureza; por outro lado, a Igreja também se tornou menos rígida e permitiu uma troca maior entre a música sacra e a música profana.

É nesta altura também que os donos das cortes e homens ricos concedem oportunidades de trabalho aos compositores e aos músicos, promovendo festas, audições e acontecimentos culturais.

Neste período desenvolvem-se obras musicais que se centram a nível vocal, destacando-se os madrigais, a missa e o motete.

É também no Renascimento que, apesar de se continuar a utilizar os instrumentos para duplicar, reforçar ou substituir as vozes, se começou a desenvolver uma música composta para ser tocada por instrumentos musicais, dando-se ênfase para o alaúde e as violas de gamba.

Música no Barroco

Seguindo uma tendência iniciada no período anterior, é durante o Barroco que a música instrumental atinge, pela primeira vez, a mesma importância que a música vocal.

A música deste período caracteriza-se pela sua exuberância, ritmo energético e frases melódicas longas muito bem organizadas; os compositores recorrem a grandes contrastes tímbricos.

Durante o Barroco dá-se uma grande evolução nos instrumentos musicais, dando-se destaque para o violino e instrumentos de teclas como o cravo. A par com este desenvolvimento a nível instrumental, também se dá um crescimento na orquestra.

Surgem a ópera e o ballet, muito populares na época, bem como a suite, uma sucessão de diferentes peças musicais com andamentos de dança.

 

 

Música no Classicismo

No período clássico a música torna-se mais leve e menos complicada que no Barroco, revelando uma extrema suavidade e beleza com grande equilíbrio e perfeição estética.

No classicismo é a melodia com acompanhamento de acordes que predomina. As frases melódicas são curtas, claras e bem definidas, sentindo-se o princípio, meio e fim de cada uma. Há também uma maior variação em relação à dinâmica das obras musicais, surge o sforzatto, o crescendo e diminuendo. A sonoridade resultante de todas estas características é bastante tonal.

O cravo cai em desuso para dar lugar ao piano que o irá substituir definitivamente. Também a orquestra toma maiores proporções ao mesmo tempo que diversifica os seus instrumentos.

Desenvolvem-se grandes géneros instrumentais, como a forma sonata, o quarteto de cordas, a sinfonia e o concerto.

Música no Romantismo

O período Romântico caracteriza-se pela liberdade de expressão e de sentimentos.

É nesta altura que surge a música folclórica, associada a sentimentos nacionalistas trazidos ao de cima pelas alterações políticas e sociais provocadas pela revolução francesa de 1789.

Neste contexto os compositores do Romantismo procuravam suscitar, através da música, os seus sentimentos e afetos em relação à sociedade da época.

As melodias românticas são mais líricas e as harmonias mais contrastantes, dando assim um resultado sonoro com uma maior variedade de sonoridades, dinâmicas e timbres. Também as obras musicais tomam maiores proporções tanto a nível sonoro como a nível de duração. É importante referir também que, devido a uma melhor qualidade dos instrumentos e dos executantes, a orquestra atingiu grande qualidade sonora e quantidade de músicos. Por estas razões, atingiram-se elevados graus de dificuldade na execução da música.

Paris juntamente com Viena tornam-se os principais centros de música da Europa, onde se juntam os mais consagrados músicos e compositores.

Nota-se uma progressiva difusão da música um pouco por toda a sociedade, tornando-se os concertos mais frequentes, surgindo consequentemente grandes salas de espetáculos.

 

 

Música na Idade Contemporânea

O século XX surgiu como a era das experiências, da procura de novas técnicas e de novos caminhos para a arte em geral, tendo sido provavelmente a época em que a música enfrentou maiores alterações.

O Romantismo havia explorado ao máximo as possibilidades tonais, pelo que as inovações introduzidas na Idade Contemporânea dizem respeito sobretudo à sonoridade, que resultaram da aplicação de novas técnicas de composição e de instrumentos com sons inovadores e tecnológicos; surgem assim os primeiros instrumentos eletrónicos (guitarra elétrica e sintetizador) ligados, numa primeira fase, à música Pop e Rock e, mais tarde, a outros géneros musicais.

A evolução dos meios de comunicação foi decisiva para a massificação da música, enquanto que os progressos tecnológicos alcançados levaram a uma alteração brutal no modo como se fazia e ouvia música.

Nesta época assiste-se a uma procura constante de novas sonoridades, surgem novos instrumentos, enquanto outros são constantemente aperfeiçoados; dá-se especial importância ao timbre e surgem novos e inovadores ritmos, melodias e métodos de composição musical.

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