Mikhail Bakhtin (1895-1975)

Mikhail Bakhtin foi um filósofo russo dedicado aos estudos literários e marxistas da linguagem humana. Suas obras são importantes na academia.

Quem foi Mikhail Bakhtin?

O termo Mikhail Bakhtin refere-se a Mikhail Mikhailovich Bakhtin, um grande filósofo e pensador russo dos séculos XIX e XX. O teórico era investigador da linguagem humana e teve escritos publicados em uma variedade de assuntos e áreas. Os trabalhos de Mikhail Bakhtin inspiraram tradições como o marxismo, a semiótica, o estruturalismo e a crítica religiosa.

Apesar de suas ideias serem, hoje, muito difundidas, Mikhail Bakhtin só tornou-se notório na década de 1960. Ele é considerado o criador da nova teoria sobre o romance europeu e o conceito de polifonia na literatura.

Bakhtin também é considerado um dos pais da teoria do humor na literatura, por ter se dedicado a compreender a paródia, o plurilinguismo e outras manifestações em obras literárias e teatrais.

Mikhail Bakhtin

Biografia

Mikhail Bakhtin nasceu em Oriol, a sul de Moscovo, no dia 17 de novembro de 1895. Sua família era aristocrática, mas estava em decadência. Por isso, o filósofo cresceu entre Vínius e Odessa, cidades fronteiriças com grande variedade de línguas e culturas.

Mais tarde, estudou Filosofia e Letras na Universidade de São Petersburgo, abordando em profundidade a formação em filosofia alemã. Já graduado, viveu em Leningrado, após a vitória da revolução russa de 1917.

Entre os anos 24 e 29 conheceu os principais expoentes do Formalismo russo e publicou Freudismo (1927), O método formal nos estudos literários (1928) e Marxismo e Filosofia da Linguagem (1929), sendo esta última talvez a sua obra mais célebre. Seus livros só se tornaram fenómenos académicos nos anos 1970, pois parte deles eram assinados pelo seu amigo e discípulo Voloshinov.

Em 1929, Mikhail Bakhtin foi obrigado a buscar exílio no Cazaquistão, por ser acusado de estar envolvido coma igreja ortodoxa. Tal facto nunca foi comprovado. Ficou no país até 1936, mas não retornou à casa. Viu-se forçado a permanecer em Saransk, capital da Mordóvia. Só em 1941 que Mikhail Bakhtin retorna a Moscovo.

Após a Segunda Guerra Mundial, torna-se professor catedrático e permanece em Moscovo até sua morte, em 7 de março de 1975. Os seus trabalhos, entretanto, só foram conhecidos no Ocidente progressivamente a partir da década de 1980, atingindo grande prestígio e referencialidade póstuma na década de 1990 e até à atualidade.

Mikhail Bakhtin

Principais obras

  • Freudismo
  • Marxismo e Filosofia da Linguagem
  • Cultura Popular na Idade Média: o contexto de François Rabelais
  • Estética da Criação Verbal
  • Problemas da poética de Dostoiévski
  • Questões de Literatura e de Estética
  • Para uma Filosofia do Ato Responsável

Teorias

A sua teoria mais importante deriva da obra Marxismo e Filosofia de Linguagem. Neste livro, Mikhail Bakhtin atribui a teoria marxista uma formulação coerente em relação à ideologia e à psicologia, superando em simultâneo o objetivismo abstrato ou positivista e o subjetivismo idealista. Para defender o seu ponto de vista, o professor explica que no signo linguístico há um signo social e ideológico, que põe em relação a consciência individual com a interação social.

Então, para Mikhail Bakhtin o pensamento individual não é capaz de criar uma ideologia. Mas a ideologia pode dar origem ao pensamento individual. Ele vê o marxismo sob um caráter exclusivamente sociológico e urge a criação de uma psicologia verdadeiramente objetiva (Bakhtin, 1992).

A obra foi escrita no final da década de 1920, no entanto a teoria é extremamente atual e faz parte dos fundamentos da teoria textual e semiótica contemporâneas. Além disso, a escrita é toda interdisciplinar, o que favorece seu uso por pesquisadores e investigadores de diferentes áreas do ensino e da academia.

Muitos autores afirmam que os estudos de Mikhail Bakhtin oferecem uma abordagem transcendente àquela tradicional marxista da língua e da linguística, combinando-o com o freudismo, o estruturalismo, o evolucionismo, a física relativista e a biologia. Para ele “a palavra é o signo ideológico por excelência” e também “uma ponte entre mim e o outro”.

 

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References:

Barbosa, Márcia Helena S.. (2001). A paródia no pensamento de Mikhail Bakhtin. Vidya. Educação, UNIFRA, v. 35, p. 55-62.

Bakhtin, Mikhail. (1993) A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo, HUCITEC; Brasília, Edunb.

Bakhtin, Mikhail. (1992). Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. São Paulo, HUCITEC.

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