Segundo Reinado (1840-1889)

Dom Pedro II chegou ao poder aos 14 anos de idade, com o Golpe da Maioridade. O jovem imperador, inexperiente, teve que enfrentar as revoltas provinciais da época da Regência, conciliar o interesse dos partidos conservador e liberal, além de suportar as pressões inglesas para o fim da escravidão no país. Coube a Dom Pedro II, criar um modelo de civilização para a nação brasileira, que fosse independente da portuguesa e que projetasse o Brasil como país independente.Dom Pedro II aos cinco anos

A história política de Dom Pedro II se iniciou ainda em 7 de abril de 1831, quando seu pai, Dom Pedro I abdicou do trono no Brasil e regressou pra Portugal. Na ocasião, Pedro Alcântara tinha apenas cinco anos de idade, quando foi deixado sob a responsabilidade de José Bonifácio, que o preparou para a vida política. No dia 18 de julho de 1841, Pedro Alcântara foi coroado Pedro II, recebendo inclusive o título de ‘Defensor Perpétuo do Brasil’.

De seu pai, Dom Pedro I, o segundo imperador herdou o trono de um país quebrado financeiramente, dividido politicamente  e cheio de rebeliões e revoltas.

Uma carta de despedida à Pedro II foi o que deixou seu pai, sem vê-lo, nem abraçá-lo, fisicamente. Na carta, Dom Pedro I afirmara que não voltaria a ver o seu filho mais novo e único do sexo masculino. Trocaram muitas cartas pai e filho, onde Pedro Alcântara recebia orientações expressas de seu pai, de como deveria conduzir a política brasileira.

Ao tornar-se órfão de seus pais muito cedo, de sua mãe, quando tinha apenas um ano de idade e de seu pai, com apenas 9 anos – sua educação e dedicação foram voltadas para as ciências e para as artes. O novo imperador era um erudito, adorava a companhia dos livros e falava 16 idiomas. O período do Segundo Reinado, durou  58 anos e teve várias fases importantes para consolidação do império no Brasil. Destacam-se as fases à seguir:

A  conciliação política (1840-1847)

A história e trajetória política de Dom Pedro II foram marcadas pela busca de uma identidade nacional para o Brasil, visando a construção do modelo de uma civilização brasileira. Herdeiro do domínio e da presença portuguesa em território brasileiro, manteve a tradição imperial e uma configuração política conservadora, típica da natureza monárquica.

Dom Pedro II porém, foi um grande articulador político. Ao chegar ao poder se viu dividido entre os interesses de conservadores absolutistas e liberais federalistas. Os liberais defendiam uma maior descentralização política e  também uma maior autonomia dos estados; enquanto  que, os conservadores defendiam a centralização do poder político nas mãos  do imperador e a unidade territorial.

Dom Pedro II optou por adotar uma política interna conciliadora entre os dois grupos políticos e criou então a figura do Presidente do Conselho de Ministros, em 1847. O Brasil então passava a ser um regime parlamentar, onde o Presidente do Conselho de Ministros seria o equivalente ao que se conhece como Primeiro-Ministro-sendo que, indicado diretamente pelo imperador. Desta forma, Pedro II buscava uma alternância de poder entre liberais e conservadores, embora sempre beneficiasse mais o grupo conservador.

Pelo fato  da figura do Presidente do Conselho de Ministros ser escolhida diretamente pelo imperador, que poderia instituí-lo ou destituí-lo quando quisesse do poder-fazendo valer-se do poder moderador,o novo regime ficou conhecido na História do Brasil, por ‘Parlamentarismo às Avessas’.

A  questão servil:  o fim da escravidão (1850-1888)

Após a  expansão das ideias liberais europeias e  a consolidação do capitalismo industrial, a questão servil  passou a significar um atraso político, uma incongruência aos olhos da comunidade internacional. Entretanto, as estruturas agrárias de um modelo agroexportador baseado na plantation do café, mantinham a escravidão como um elemento fundamental da economia brasileira. Houve resistência por parte dos proprietários de escravos em abrir mão da principal mão de obra do país, especialmente, sem indenização.

Sofrendo pressões externas, sobretudo inglesas, a partir de 1850, medidas como o fim do tráfico negreiro, sancionada como Lei Eusébio de Queirós, deram início a um processo progressivo de libertação dos escravos.  Dom Pedro II, pessoalmente, era avesso à escravidão, considerando a escravidão uma vergonha para o império.

Economia cafeicultora e estrutura agrária (1870)

O auge da economia cafeeira foi durante o governo de Dom Pedro II, quando o café deslocou-se para o eixo centro-sul. Destacaram-se inicialmente o Vale do Paraíba e depois a região do Oeste paulista. Através dos lucros advindos do café, o imperador buscou o investimento em novas tecnologias e trouxe elementos modernizadores para o país. Dom Pedro II multiplicou os barcos a vapor; instalou telégrafos, iluminação pública e construiu inúmeras linhas férreas no Brasil -que facilitaram ambos os transportes: do açúcar e do café.

A Construção da Nação

A construção da identidade nacional brasileira passou a ser uma preocupação constante na agenda de Dom Pedro II, que criou novas instituições, promovendo a cultura e as artes no país. De uma forma simbólica, colocou o indígena para representar a identidade brasileira, resgatando-o na valorização da história nacional.

Dentre o legado cultural deixado por Dom Pedro II, destacam-se: a criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1838), a criação do Arquivo Público do Império (1838) e também do Real Gabinete Português (1837). Pedro II era um patrocinador das artes e do conhecimento científico.

A  Guerra do Paraguai: Dom Pedro II, voluntário da pátria (1864-1870)

A maior guerra internacional da América do Sul envolveu o Paraguai e os países da Tríplice Aliança: Brasil, Argentina e Uruguai, na disputa pela região do Prata.O envolvimento do imperador Pedro II na Guerra do Paraguai, foi desgastante para o país, teve altos custos, resultou no aumento da dívida externa e  teve enormes baixas.

Dom Pedro II colocou-se à frente do conflito,como um voluntário da pátria, em uma rivalidade expressa e direta contra Francisco Solano Lopez, presidente vitalício paraguaio- que acabou morto. A vitória do Brasil no conflito, proporcionou a criação de uma unidade militar às custas de um grande derramamento de sangue.

Política Externa: Questão Christie

Entre 1862 e 1865 foi estabelecida uma crise diplomática entre o império brasileiro e o império britânico. Impasses sobre a escravidão e acontecimentos como o naufrágio do navio inglês Prince of Walles, no Rio Grande do Sul, colocaram o embaixador britânico William Douglas Christie contrário ao Brasil e ao imperador.O conflito se encerrou apenas após a intervenção direta da rainha vitória para resolução definitiva do impasse diplomático.

  A Crise do Segundo Reinado

A década de 1880 já dava indícios das novas dificuldades que enfrentaria o imperador. A Revolta do Vintém, no aspecto social por exemplo, dava indício de uma insatisfação popular. O episódio levou a população às ruas, contra o aumento de 20 réis ( vintém) no preço da passagem dos bondes. Na ocasião, a população quebrou bondes, agrediu os motoristas e arrancou trilhos.

O pensamento republicano começava a ganhar forças com a criação do Partido Republicano e com a adesão dos militares, que  após a Guerra do Paraguai, ansiavam por maior participação na vida política brasileira.

Dom Pedro II foi um governante sensível, um intelectual poliglota,  humanista, apaixonado pela ciência, pelas artes e pela tecnologia. Foi responsável por promover a estabilidade política brasileira e por ter acelerado o processo da abolição da escravatura- dando lugar a um novo modelo econômico, com o uso da mão de obra imigrante e assalariada.

O fim da monarquia estava próximo. Pedro II adoecera e já estava cansado. Embora, fosse um governante aclamado pelo povo e bastante querido, o regime já estava desgastado. A impopularidade da Princesa Isabel, que seria sua única sucessora legítima e o pouco prestígio de seu esposo o Conde d’Eu fizeram com que o monarca não resistisse ao golpe de Estado.

O imperador entrou em atrito com vários setores da sociedade: com a elite agrária pela causa abolicionista; com os militares, que pressionavam o governo com aspirações políticas e  também com a Igreja Católica, que ansiava reduzir  o poder do imperador sobre a igreja.

A saída do poder com a proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, e o consequente exílio do imperador e de sua família, foi uma cena triste da história política brasileira. O imperador não ofereceu resistência. Dom Pedro II tinha 64 anos incompletos,  quando subiu  com dificuldades com sua esposa Teresa Cristina, filhos e netos à bordo do Parnaíba.

Com o embarque às pressas, conseguiu levar consigo algumas obras literárias clássicas, como: Os Lusíadas de Camões e a edição francesa de Boccaccio, Decameron. Era um leitor assíduo e foi um grande estadista. O imperador Dom Pedro II, nascido e criado no Brasil,  sua pátria amada, saiu de cena,  mas,com  muita dignidade.

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References:

BEDIAGA, B. Diário do Imperador.D.Pedro II: 1840-1889.  Petrópolis/RJ:Museu Imperial,1999.

LYRA, Heitor. História de D.Pedro II. Ascensão, Fastígio e Declínio. MG: Editora Itatiaia, 1977.

CARVALHO, José Murilo de. D.Pedro II .Ser ou não Ser.SP: Companhia das Letras,2007.

SCHWARCZ, Lilian Moritz.  As Barbas do Imperador:D.Pedro II, um monarca nos trópicos.SP: Companhia das Letras,1998.

REZUTTI,Paulo Marcelo. D.Pedro  II a história não contada: o último imperador do Novo Mundo revelado por cartas e documentos inéditos. SP:Editora casa da palavra,2019.

 

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