João II

João II de Portugal foi dos soberanos mais capazes e influentes, de todas as dinastias portuguesas. Os Descobrimentos tiveram, o seu maior impulso com este monarca.

Biografia João II de Portugal:

João II de Portugal era filho de Afonso V com Isabel de Coimbra. Nasceu em Lisboa a 3 de Maio de 1455, foi coroado rei a 15 de Novembro de 1477, reinando neste primeiro momento apenas quatro dias. Em 1481, sobe novamente ao poder, reinado até a sua morte, a 25 de Outubro de 1495. Casou-se com Leonor de Viseu, a 22 de Janeiro de 1471, com quem teve um filho, Afonso, Príncipe de Portugal. Pelo seu valioso contributo para a exploração, e expansão ultramarina portuguesa, João II, ficou conhecido como o Príncipe Perfeito.

João II de Portugal

João II de Portugal

Antes de tornar-se monarca, auxiliou o pai nas campanhas militares no Norte de África, onde após a tomada da praça de Arzila a 21 de Agosto de 1471, é nomeado cavaleiro.

Em 1474, e face à tentativa do pai em reivindicar o trono castelhano, fica encarregue da expansão portuguesa. No ano seguinte, teve que auxiliar o pai, durante a sua campanha, pela reivindicação do trono de Castela.

A sua postura, e relativa indiferença às tentativas de influência externa, como a perpetrada pela nobreza, levaram a esta classe social, temer um reino governado por João II. Ao subir ao trono definitivamente em 1481, começou a centralizar o poder em si, em detrimento dos privilégios da aristocracia, justificando os receios desta classe. Fernando II, Duque de Bragança, em diversa correspondência com os Reis Católicos de Espanha, solicitava uma intervenção espanhola em Portugal, face à política centralizadora de João II. O monarca, ao tomar conhecimento desta conspiração, prendeu ele próprio o Duque de Bragança. A 20 de Junho de 1483, o Duque foi degolado na praça central de Évora.

Em 1484, D. Diogo, Duque de Viseu e cunhado do soberano, concebeu um plano para apunhalar João II em Setúbal. João ao tomar conhecimento desta conspiração chamou o cunhado ao Palácio, e apunhalou-o, pondo cobro a outra conspiração, com vista o seu assassinato. Prometeu ao irmão de D. Diogo, D. Manuel I, que caso não tivesse mais herdeiros legítimos, e o príncipe herdeiro falecesse, seria ele a herdar o reino.

Após esta tentativa de regicídio, dezenas de conspiradores foram exilados ou mortos. Com esta purga, João II, eliminou qualquer tipo de oposição no país, governando com total independência.

João II centrou a sua acção política na expansão portuguesa, e descoberta do caminho marítimo para a Índia. Vários marcos fulcrais, para os Descobrimentos, foram atingidos durante a sua governação, Diogo Cão chegou à Foz do Rio Congo em 1484; Bartolomeu Dias dobra o Cabo da Boa Esperança em 1484; em 1493 é dado início ao processo de colonização das ilhas de São Tomé e Príncipe, nesse mesmo ano, envia emissários á região do golfo pérsico, para atestar a possibilidade de chegar por via marítima à Índia. Confirmada esta rota, João II inicia juntamente com Estevão da Gama, a organização da viagem até à Índia, por morte de ambos, este projecto não foi realizado de imediato, seria apenas em 1498, já com D. Manuel no poder, que Vasco da Gama chegaria à Índia.

Outro marco fundamental da governação de João II foi, a relação com os Reis Católicos de Espanha. A reivindicação ao trono castelhano feita por Afonso V, e apoio de João II, minou as relações entre os dois reinos. A 7 de Junho de 1494 é assinado o Tratado de Tordesilhas, definindo as regiões de influência, de cada reino, no processo de expansão.

Devido ao elevado secretismo do esforço português, no processo de expansão, e destruição de documentação, aquando do Terramoto de 1755, não é plenamente conhecido pela historiografia, a dimensão das descobertas portuguesas. Os indícios apontam, que João II, já teria conhecimento do Continente Americano, daí a rejeição ao projecto de Cristóvão Colombo de chegar à Índia pelo ocidente. João II já saberia que seria impossível, pela existência de um continente, algo que também, pode justificar a exigência do soberano português, relativamente á deslocação da linha divisória para Ocidente, no Tratado de Tordesilhas, permitindo que o Brasil fosse uma colónia portuguesa.

Afonso, filho de João II, casou-se ainda em criança com a filha mais velha dos Reis Católicos de Espanha. Mediante a frágil saúde do príncipe herdeiro espanhol, a coroa espanhola corria o sério risco de ser anexada via casamento, por Portugal. Em 1491, Afonso morre devido a uma queda de cavalo, sendo logo os Reis Católicos, acusados de estarem envolvidos no acidente, acusação nunca comprovada.

Após a morte do herdeiro, João II, tentou legitimar, mas sem sucesso o seu filho bastardo Jorge. Face à impossibilidade de legitimação, aquando da morte de João II, o trono transitou para D. Manuel, mediante a promessa feita anteriormente.

João II foi dos grandes soberanos portugueses, foi o grande obreiro, da descoberta do caminho marítimo até á India. E uma verdadeira força na Europa de então, intimidando até os poderosos Reis Católicos. Não é á toa, que ficou conhecido como o Príncipe Perfeito, guiou o país, para uma prosperidade nunca antes vista.

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References:

ALBUQUERQUE, Luís de , dir.; Dicionário de História dos Descobrimentos, Círculo de Leitores, 1994

BETTENCOURT, Francisco Bethencourt e CHAUDURI, Kirti ; História da Expansão Portuguesa, Círculo de Leitores, 1997

THOMAZ, Luís Filipe R; De Ceuta a Timor,, Difel, 1994

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