Egas Moniz, O Aio

Egas Moniz de Riba Douro, conhecido como “o Aio”, foi um rico-homem portucalense, da linhagem dos Riba Douro, uma das cinco familías principais do Entre-Douro-e-Minho um condado do século XII. Egas Moniz é um dos personagens centrais na formação de Portugal, visto que foi a ele que Henrique de Borgonha confiou a educação do seu filho, Afonso Henriques que viria a tornar-se mais tarde o Primeiro

Egas Moniz, o Aio

Rei de Portugal e fundador do mesmo. Foi por ter sido o tutor de Afonso Henriques que Egas Moniz recebeu a alcunha de “o Aio”. Além disso, posteriormente desenvolveu um grande papel de intermediação entre Afonso Henriques e os seus oponentes. Nasceu em 1080 e viveu até 1146.

Era filho de Monio Ermiges e de Ouroana. Casou-se duas vezes, e teve nove filhos.

O seu primeiro casamento foi com Dona Dórdia Pais Azevedo (1080-1124) e teve como descendência:

  • Lourenço Viegas, o espadeiro;
  • Afonso Viegas, o moço;
  • Mem Viegas;
  • Rodrigo Viegas;
  • Hermígio Viegas.

O Seu segundo casametno foi com a Condessa Teresa Afonso de quem teve:

  • Dórdia Viegas;
  • Soeiro Viegas;
  • Elvira Viegas;
  • Urraca Viegas.

O que será contado agora, terá um fundo de verdade, mas também muitas partes épicas.

O condado Portucalense era dependente de Leão e Castela, cuja Rainha era D. Urraca. A sua morte em 1127 levou a que subisse ao trono Afonso VII, que adoptou o título de Imperador de toda a Hispânia. Este título, fez com que Afonso VII impusesse vassalagem a todos os Reinos, inclusive o Condado Portucalense, que neste período já estava a mostrar tendências autonomistas.

Em 1128 Afonso Henriques foi feito chefe dos Barões, aos 20 anos. Afonso Henriques luta contra a influência da sua mãe e padrasto e deseja alargar as fronteiras do condado. Isso leva a que Afonso VII cerque Guimarães, a sede politíca do condado portucalense, e exige a vassalagem de Afonso Henriques, seu primo. É Egas Moniz quem se dirige a Afonso VII, o imperador, e informa-o de que Afonso Henriques aceita a submissão.

No entanto, Afonso Henriques, pouco depois, desloca a sua capital para Coimbra (1131), e sente que é agora possível quebrar a relação de vassalagem que tinha com o seu primo Afonso VII. Portanto, nesta altura faz guerra a Afonso VII e invade a Galiza, e trava com sucesso a Batalha de Cerneja em 1137.

Reza a lenda que, visto que Afonso Henriques não cumpriu o acordado, o seu aio Egas Moniz, ao saber que Afonso Henriques quebrou os termos do acordo, foi até Toledo, a capital do império de Afonso VII descalço e com uma corda para enforcar (baraço) ao pescoço. Levou junto com ele os seus filhos e a sua esposa, e colocou ao dispor do imperador a sua vida, bem como a vida dos seus familiares, como penhor pela manutenção do juramento de fidelidade que ele fez nove anos antes. O Imperador Afonso VII ficou tão comovido por tamanha honra que o perdoou, e mandou em paz de volta a Portucale.

Esta parte da vida de Egas Moniz também é retratada na literatura por Luís Vaz de Camões em Os Lusíadas, no canto terceiro da Obra (estrofes 35-40).

“Não passa muito tempo, quando o forte
Príncipe em Guimarães está cercado
De infinito poder; que desta sorte
Foi refazer-se o inimigo magoado;
Mas, com se oferecer à dura morte
O fiel Egas amo, foi livrado;
Que de outra arte pudera ser perdido,
Segundo estava mal apercebido.

lulas o leal vassalo, conhecendo
Que seu senhor não tinha resistência,
Se vai ao Castelhano, prometendo
Que ele faria dar-lhe obediência.
Levanta o inimigo o cerco horrendo,
Fiado na promessa e consciência
De Egas Moniz; mas não consente o peito
Do moço ilustre a outrem ser sujeito.

Chegado tinha o prazo prometido,
Em que o Rei Castelhano já aguardava
Que o Príncipe, a seu mando sometido,
Lhe desse a obediência que esperava.
Vendo Egas que ficava fementido,
O que dele Castela não cuidava,
Determina de dar a doce vida
A troco da palavra mal cumprida.

E com seus filhos e mulher se parte
A alevantar com eles a fiança,
Descalços e despidos, de tal arte,
Que mais move a piedade que a vingança.
— “Se pretendes, Rei alto, de vingar-te
De minha temerária confiança,
Dizia, eis aqui venho oferecido
A te pagar, coa vida, o prometido.

Vês aqui trago as vidas inocentes
Dos filhos sem pecado e da consorte;
Se a peitos generosos e excelentes,
Dos fracos satisfaz a fera morte.
Vês aqui as mãos e a língua delinquentes:
Nelas sós exprimenta toda a sorte
De tormentos, de mortes, pelo estilo
De Cínis e do touro de Perilo”! 

Qual diante do algoz o condenado,
Que já na vida a morte tem bebido,
Põe no cepo a garganta, e já entregado
Espera pelo golpe tão temido:
Tal diante do Príncipe indinado,
Egas estava a tudo oferecido.
Mas o Rei, vendo a estranha lealdade,
Mais pôde, enfim, que a ira a piedade.”

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