Paisagem (Ecologia)

Conceito de paisagem em ecologia, as suas características, estrutura e formas de descrição das paisagens…

habitat

Conceito de Paisagem

Paisagem, em ecologia, é o termo que designa áreas geográficas espacialmente heterogéneas e onde ocorrem diversas interacções entre os seres vivos e o meio ambiente. Corresponde à caracterização total de uma região, em particular à porção visível do território.

No que diz respeito à paisagem, a escala de observação é muito importante, pois qualquer paisagem pode ser homogénea desde que seja usada a escala adequada. A ecologia da paisagem e a geologia, entre outras disciplinas, tomam as paisagens como objecto de estudo.

Uma paisagem consiste na presença do relevo, vegetação e formas de ocupação. Pode integrar vários tipos de ecossistemas desde ecossistemas aquáticos até ecossistemas terrestres, independentemente de se tratar de um sistema natural ou de um sistema artificial (como sistema artificial intende-se os sistemas criados pelos seres humanos).

O estudo da paisagem é realizado de forma directa através da observação no local, ou de forma indirecta através do uso de fotografias aéreas ou sistemas de informação geográfica (SIG), por exemplo. O uso dos SIG necessita da utilização de descritores do território que deveram caracterizar a paisagem permitindo a realização de um estudo completo e representativo. Entre os indicadores deve constar o número de manchas presentes, assim como o seu tamanho.

Estrutura da Paisagem

A paisagem possui uma estrutura, uma função e uma dinâmica. Numa paisagem podem estar contidas todas as funções do ecossistema, desde a função de regulação à função de suporte ou de produção. A presença de determinada função, assim como as dinâmicas que se encontram na paisagem vão depender do tipo de estrutura que o território apresenta.

Quanto à estrutura uma paisagem pode dividir-se em manchas, corredores e matriz.

Mancha:

Uma mancha corresponde a uma área não linear cuja aparência difere das áreas vizinhas. As manchas podem variar com o tamanho, a forma, o aspecto e as características da fronteira.

Estas manchas correspondem a comunidades de plantas e animais que se distinguem das outras que os circundam, no entanto, algumas manchas podem não se encontrar colonizadas.

A formação das manchas deve-se muitas vezes a perturbações que destroem os habitats, estas perturbações podem ter origem natural como tornados, cheias, deslizamentos ou mesmo incêndios. Por outro lado, as perturbações podem ser de origem antropogénica como a construção de infraestruturas, fogos postos ou actividades humanas (agricultura, produção florestal ou mesmo a pastorícia). A destruição de habitats pode formar reminiscências da vegetação que existia anteriormente tornando-os redutos genéticos.

As manchas são caracterizadas pelo seu tamanho, manchas maiores têm maior probabilidade de permanência no território, uma vez que possuem um maior fluxo de energia e nutrientes, o que favorece a existência de um maior número de espécies.

A forma da mancha também influencia a permanência dos indivíduos. Manchas mais irregulares terão uma margem maior, o que implica um menor número de indivíduos no seu interior. As formas regulares estão associadas à intervenção humana, enquanto as manchas com margens irregulares são consideradas mais naturais.

Corredor:

Os corredores correspondem a manchas na paisagem que possuem uma forma alongada e que permitem a conecção entre manchas, podem agir como habitats para as espécies que os utilizam, podem também servir como filtro das espécies, pois permitem a passagem a apenas alguns indivíduos.

Ao mesmo tempo que permitem a circulação de espécies, estas áreas podem comportar-se como sumidouros uma vez que as espécies podem utiliza-los para atingir uma mancha que não possui as características necessárias à sua sobrevivência, ficando posteriormente presa neste novo território. Estas estruturas podem surgir de forma espontânea (por destruição do território) ou podem ser criadas pelo ser humano (para facilitar a circulação de determinadas espécies).

De uma forma geral estes espaços correspondem a áreas que os seres vivos podem usar como meio de passagem, fazendo assim a ligação entre estruturas que se fragmentaram e não possuem outra forma de ligação. Estão normalmente associadas a canais (rios, túneis…) ou a estruturas como estradas e ferrovias.

Matriz:

A matriz é mais uma das partes que compõem uma paisagem, corresponde ao que normalmente se designa por paisagem. Trata-se da estrutura onde a paisagem se insere, correspondendo à maior extensão do território e possui o maior número de ligações.

Enquanto os outros elementos mencionados representam parte da paisagem, a matriz corresponde ao todo.

A caracterização global da paisagem deve-se não só à sua estrutura mas também à sua constituição, assim como à distribuição espacial das manchas. A forma como as manchas se distribuem pela paisagem é de grande importância para caracteriza-la.

Descrição da paisagem

A descrição de uma paisagem pode admitir três padrões diferentes, consoante o que se pretende analisar no seu estudo. Podem ser tidos em consideração os ecossistemas presentes e indicar quais aqueles que podem ser encontrados na paisagem. A descrição pode também ter por base as unidade de cobertura, passando então a indicar-se que tipo de vegetação pode ser encontrado. Outra forma de descrição da paisagem tem em conta o uso e função dado ao território podendo ser divido por exemplo em terreno agrícola, ou terreno para construção.

A distribuição das unidades paisagísticas deve-se muitas vezes às condições abióticas presentes, pois estas condicionam a distribuição da vegetação. A distribuição do ser humano também marca a paisagem, assim como os acidentes de território (áreas acidentadas, isto é, com variações de relevo são normalmente mais complexas).

O padrão de descrição escolhido depende de quem está a realizar a descrição, não existindo uma regra obrigatória. A escolha pode depender de factores abióticos, das perturbações que ocorreram no local, da fragmentação que for encontrada, assim como dos usos antropogénicos dados ao local em análise. Por exemplo, se uma paisagem consiste praticamente em terrenos de cultivo não faz sentido descreve-la usando os ecossistemas presentes, neste contexto deverá então escolher-se o uso e funções do território para descrever essa paisagem.

A descrição e o estudo das paisagens tornaram-se muito importantes nos últimos anos, permitindo monitorizar e determinar se o território está a sofrer alguma perturbação que favoreça a sua fragmentação. Após estes estudos é possível formular metodologias e planos de intervenção na paisagem que permitam a manutenção da conectividade e consequentemente da diversidade de seres vivos.

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References:

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