Bruno Bettelheim

Bruno Bettelheim, autor da obra muito conhecida “ A Psicanalise dos Contos de Fadas” é um psicanalista vienense que fugiu para os Estados unidos, após ter sofrido os horrores do nazismo.

Nasceu em 1903, no seio de uma pequena família da burguesia judaica e dele consta que era tão feio quanto sensível e que sua mãe não lhe tinha dedicado grandes atenções enquanto jovem. Cedo manifestou tendência para a depressão. A morte do pai obrigou-o a interromper os estudos e a organizar e dirigir a empresa familiar que era de venda de madeira. Anos mais tarde regressou à universidade e terminou os estudos com 35 anos – Doutoramento em Estética – Filosofia. Iniciou uma relação com uma jovem professora do ensino primário que se iria tornar na sua mulher.

Fez psicanalise com Richard Sterba. Entre 1937 e 1938 foi preso pela Gestapo e espancado violentamente pelos SS. Foi transferido de campo de concentração em 1939 e nesse horror conheceu Ernest Federn, filho de Paul Federn, amigo de Sigmund Freud (1856 – 1939). Para escapar aos horrores que vivenciam, Bruno Bettelheim começou a escrever e a fazer um trabalho psicológico consigo mesmo para resistir à ação dos nazis. Segundo ele descreve ais tarde, vivenciou uma “situação extrema”. Esta situação extrema era traduzida por si como as condições de vida perante as quais o homem pode abdicar identificar-se com a força destruidora constituída tanto pelo carrasco ou pelo ambiente quanto pela conjuntura ou resistir e construir uma estratégia de sobrevivência. “Sobreviver” é o título de uma das suas obras deste autor. Bruno Bettelheim nessa obra defende que sobreviver era construir para si próprio um mundo interior cujas fortificações o protegeriam das agressões externas. Foi o que o autor fez, durante anos, sobreviver.

Foi libertado ainda em 1939, 2 anos mais tarde da sua prisão e despojado de todos os bens, emigrou para os Estados Unidos. Reencontrou a esposa que o informou que se ia divorciar deste e assim o fez. Anos mais tarde, em 1944, Bruno Bettelheim foi diretor da Escola Ortogénica, apêndice à Universidade da Califórnia. O Instituto Sonia Schankman – Escola Ortogénica – é um centro de tratamento de internos e uma escola terapêutica para crianças com perturbações graves do comportamento, fundado em 1915.

Foi diretor do Instituto durante 30 anos trabalho e parte dos dias e parte das noites era redator de relatórios da Escola. Ficou conhecido pelos seus trabalhos e relatórios nos Estados Unidos, principalmente pelas polémicas e conflitos que foi levantando através das publicações. A sua experiência no campo de concentração era o mote das construções dos mundos interiores quer no autismo quer nas restantes psicoses. Era o que defendia. Defendia também métodos e procedimentos que punham em causa a psicanalise e os seus métodos.

Depois de alguns conflitos, aposentou-se mas continuou a escrever. Nessa altura publicou a psicanalise dos Contos de Fadas (1995). Bruno Bettelheim, suicidou-se com grande sofrimento aos 87 anos, com um saco de plástico amarrado com elásticos. Vivia já obcecado com as doenças várias que apresentava, a diminuição da autonomia, deprimido e com receio da invalidez.

 

Obras que mais se destacam: O Amor não é Suficiente: O tratamento de crianças emocionalmente perturbadas, 1950 A fortaleza vazia, 1967, Psicanalise dos contos de fadas, diálogos com as mães, 1966, Uma casa para o Criação, 1974, Sobrevivência e Outros Ensaios, 1979, A Psicanalise dos Contos de Fadas, 1976

Palavras-Chave: Bruno Bettelheim, A Psicanalise dos Contos de Fadas, Instituto Sonia Shankman

Bibliografia

Roudinesco, E. & Plon, M.(2000). Dicionário de Psicanalise. Lisboa: Editorial Inquérito. (obra original publicada em 1997)

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