Apendicite Aguda

Definição de Apendicite Aguda

A Apendicite Aguda é um processo inflamatório com origem no apêndice ileocecal. Surge habitualmente em crianças e jovens, sendo particularmente incidente na 2ª e 3ª décadas de vida.

 

Etiologia

Uma apendicite aguda é mais frequentemente causada pela obstrução do lúmen, podendo esta ocorrer em consequência de um fecalito, de infeções víricas, corpos estranhos, doença de Crohn ou mesmo de neoplasias.

Manifestações Clínicas

O quadro clínico é tipicamente dominado por uma dor inicialmente peri-umbilical, que migra posteriormente para uma localização mais precisa na fossa ilíaca direita. É comum esta sintomatologia ser acompanhada de febre, náuseas, vómitos e anorexia. O doente pode apresentar ainda ausência de trânsito intestinal ou, pelo contrário, diarreia. Queixas urinárias podem também estar associadas.

Complicações

As complicações surgem em cerca de 30% dos casos. A perfuração é a principal complicação registada, estando a sua incidência situada entre 13-30%. Esta ocorre geralmente após as 24 horas iniciais, sendo mais comum em lactentes e idosos. Este evento é importante, uma vez que pode originar um abcesso peri-apendicular e peritonite generalizada, podendo, por fim, evoluir para sépsis, que, por sua vez, fazem também parte das possíveis complicações.

 

Diagnóstico

O diagnóstico é essencialmente clínico, podendo contudo ser suportado por análises clínicas e um estudo ecográfico.

 

Exame Físico

Os principais sinais ao exame físico que se revelam a favor deste diagnóstico são:

  • Defesa à palpação no ponto de McBurney;
  • Sinal de Blumberg – quando o doente revela dor à descompressão no quadrante inferior direito;
  • Sinal de Rovsing – quando à palpação do quadrante inferior esquerdo, o doente refere dor no ponto de McBurney;
  • Sinal de Duphny – quando o doente refere agravamento da dor com a tosse;
  • Sinal do ileopsoas – quando a extensão passiva da coxa com o doente em decúbito lateral esquerdo se revela dolorosa;
  • Sinal do obturador – quando a rotação interna da coxa em flexão, provoca dor a nível dos adutores.

 

Exames Complementares de Diagnóstico

Estudo analítico

O estudo analítico pode revelar uma elevação de marcadores inflamatórios, nomeadamente leucocitose e neutrofilia.

Ecografia abdominal

A ecografia abdominal é o exame mais usado por ser barato, prático, portátil, não emite radiação ionizante e permitir a maioria das vezes comprovar o diagnóstico. As alterações ecográficas compatíveis com apendicite aguda são:

  • Presença de apêndice dilatado (>6mm de diâmetro);
  • Densificação da gordura periapendicular;
  • Presença de coleção de fluidos periapendicular;
  • Aparência em alvo, segundo um corte axial;
  • Presença de apendicolito

 

Tomografia Computadorizada

O TC é o exame com maior acuidade diagnóstica, apresentando cerca de 95% de sensibilidade e mais de 97% de especificidade. Contudo reserva-se geralmente para situações de dúvida diagnóstica ou para avaliar possíveis complicações. Os principais achados que indicam a presença de apendicite aguda são:

  • Presença de apêndice dilatado com lúmen distendido, e mais de 6 mm de diâmetro;
  • Parede espessada;
  • Densificação da gordura periapendicular;
  • Presença de uma coleção de fluidos extraluminal;
  • Presença de abcesso;

 

Raio X abdominal

O raio X abdominal é pouco usado atualmente, permitindo ver ligeiras alterações que nem sempre estão presentes, como o fecalito calcificado (surge como um achado radioopaco no quadrante inferior direito) ou consequências de perfuração.

 

Sedimento urinário

O sedimento urinário, a ecografia endovaginal, assim como o doseamento de B-HCG podem ser por vezes utilizados para despistar outras causas.

Diagnósticos Diferenciais

Os principais diagnósticos diferenciais fazem-se com patologias gastrointestinais ou genitourinárias.

Aparelho Gastrointestinal: As principais hipóteses diagnósticas a excluir são:

  • Gastroenterite aguda;
  • Invaginação – com maior prevalência na infância;
  • Divertículo de Meckel – mais comum nos primeiros anos de vida;
  • Adenite mesentérica – com maior prevalência na infância;
  • Obstrução intestinal;
  • Doença de Crohn;
  • Isquemia mesentérica;
  • Diverticulite;
  • Colecistite aguda;
  • Perfuração de víscera oca;

Aparelho Genitourinário: É fundamental numa doente do sexo feminino, saber a data da última menstruação, para avaliar diferentes hipóteses de diagnóstico.Quanto a este aparelho, os principais diagnósticos a considerar são:

  • Cólica renal, geralmente causada por litíase renal ou pielonefrite;
  • Síndrome de Mittelchmerz;
  • Rutura do folículo do corpo lúteo;
  • Torção de quisto ovárico;
  • Rutura de gravidez ectópica;
  • Doença inflamatória pélvica.

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Tratamento

Apendicectomia

A apendicectomia é o tratamento de eleição, podendo variar a abordagem cirúrgica, entre laparotomia ou laparoscopia. A taxa de mortalidade associada a esta intervenção cirúrgica é de 0,1%.

Contudo, em algumas situações, como a presença de abcesso volumoso, pode não estar indicada inicialmente, preferindo-se outras abordagens de mautenção, adiando-se a apendicectomia para um momento posterior.

Drenagem percutânea

Usada em situações em que não está indicada apendicectomia de emergência.

Antibioterapia

A antibioterapia é em geral utilizada, cobrindo tanto aeróbios, como anaeróbios.

 

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References:

[1] http://radiopaedia.org/articles/appendicitis

[2] http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/000256.htm

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