Ambrogiotto di Bondone, mais conhecido como Giotto, é considerado o primeiro génio do Renascimento italiano. O seu estilo e expressão artística modificaram a maneira de conceber os temas religiosos, dando-lhe um carácter tridimensional e humanizado. Pintor e arquitecto florentino, visto como o fundador da tradição da pintura ocidental, introduz novos ideais naturalistas criando um estilo convincente de espaço pictórico.
Nome Completo: Ambrogiotto di Bondone, pintor e arquitecto italiano
Nascimento: c.1267 (Florença)
Morte: 8 de Janeiro de 1337 (Florença)
Primeiro Anos de Vida
Ambrogiotto di Bondone ou simplesmente Giotto nasceu em 1267, em Colle di Vespignano, uma aldeia da região de Mugello a nordeste de Florença em Itália. O seu pai era dono de terras, que serviam de pasto para as ovelhas que criava.
Desde muito jovem mostrou talento e tendências para o desenho e as artes em geral. Ainda muito jovem, Giotto tornou-se aprendiz de Cimabue, um grande pintor florentino que viu no jovem Giotto muitas possibilidades. E foi seu aprendiz aproximadamente dez anos, na oficina que Cimabue mantinha em Florença.
Esse contacto precoce com Cimabue foi significativo e de uma importância decisiva para o jovem Giotto. Cimabue era um dos mais proeminente artista de seu tempo e o primeiro pintor a absorver na sua arte a influência do Classicismo, com uma inspiração directa na arte da antiguidade clássica da Grécia e de Roma, pois quando trabalhou em Roma teve contacto com obras da escultura clássica e com murais do cristianismo primitivo. (ENCICLOPÉDIA Os Grandes Artistas, 1986) Foi Cimabue, que deu a Giotto todas as bases e ensinamentos necessários para ele explorara e desenvolver a sua obra.
As Primeiras Obras…
As primeiras obras conhecidas de Giotto são uma série de frescos sobre a vida de São Francisco, pintados na igreja de Assis. Cada afresco representa uma passagem na vida do santo, e as figuras humanas e os animais aparecem representados de forma extrema e incrivelmente realista.
Entre 1305 e 1306, Giotto pintou uma série de 38 afrescos na Capela Arena, em Pádua, contando a vida de Jesus Cristo e da Virgem Maria. Entre as diversas cenas representadas, está uma impressionante representação do “Juízo Final”.
Giotto depois de ficar famoso pelos seus frescos de Assis foi chamado pelo Papa Bonifácio VIII, para a criação de uma pintura mural, um fresco, na Igreja de São João Latrão, em Roma, reforçando, assim, a sua fama de artista e aumenta consideravelmente o seu património.
Em 1334 a cidade de Florença concedeu a Giotto o título de Magnus Magister (Mestre Maior) e tornou-o o arquitecto oficial da cidade e superintendente das obras públicas. Giotto desenhou o famoso campanário de Florença.
Um dos seus trabalhos mais importante foi o desenvolvido na Capella degli Strovegni, onde realizou uma serie de frescos e pinturas, inclusive as que o consagraram como o maior expoente da pintura renascentista, principalmente, pelo facto de ter sido o primeiro pintor do renascentista, no berço do renascimento, a Itália. As principais obras da Capella degli Strovegni, são por exemplo: A Lamentação ou O Beijo de Judas, porém na Capela também se encontram outras obras de grande importância, como O encontro de São Joaquim e Sant’Ana, obra considerada o auge de sua maturidade artística.
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O Beijo de Judas, Capella degli Scrovegni
Quem foi…
Giotto foi um pintor a frente de seu tempo porque técnica e expressivamente é Renascentista, embora que cronologicamente se enquadre dentro do Período Gótico (a Arte Gótica é um estilo artístico europeu que predominou desde meados do século XII ao início do século XV, período compreendido entre o fim do estilo românico e o início do Renascimento), mas ele abarca as duas épocas com uma graça e técnica, nunca antes imaginada.
Giotto tinha especial predilecção pela técnica do afresco, um método de pintura mural que consiste na aplicação de pigmentos puros misturados com água sob uma base de gesso ou de cal ainda húmida, deste modo as cores penetram nesse revestimento de gesso, tornando-se parte integral da parede. (CHILVERS, 1996). A principal característica do seu trabalho é a identificação da figura dos santos como seres humanos de aparência comum e natural, atribuindo-lhes um ar humanizado apesar de ocuparem sempre uma posição de destaque na sua pintura.
A pintura de Giotto ia ao encontro de uma visão humanista do mundo, que cada vez mais, se vai firmando até o Renascimento.
A influência de Giotto e da sua obra sobre os pintores da época, pode sentir-se em toda a região da Toscana e em toda a antiga Itália. Antecipou, através de seu olhar, o naturalismo e a humanidade que floresceriam no Renascimento. (CHILVERS, 1996). É inegável reconhecer a importância de Giotto, na História da Arte. Giotto foi capaz de romper com os princípios técnicos vigentes da sua época para avançar com composições pictóricas ricas em sentimentos e movimentações.
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Estátua de Giotto, Galleria degli Uffizi
Giotto morreu em 8 de Janeiro de 1337 e seu corpo foi enterrado na Igreja de Santa Reparata, em Florença, na Itália.
References:
ARGAN, Giulio Carlo. História da Arte Italiana v.2: de Giotto à Leonardo. Cosac Naify,2003
CHILVERS, Ian. The Oxford Dictionary of Art and Artists. Oxford University Press, 1996
ENCICLOPÉDIA Os Grandes Artistas. Vida, obra e inspiração dos maiores pintores. São Paulo: Nova Cultural, 1986
HODGE, A. N. Da pintura de Giotto aos dias de hoje. Belo Horizonte: Cedic, 2009
LADIS, Andrew. Giotto’s O: Narrative, Figuration, and Pictorial Ingenuity in the Arena Chapel. Pennsylvania State University Press, 2008
NORMAN, Diana. Siena, Florence, and Padua: Interpretative essays. Volume 1 de Siena, Florence, and Padua: Art, Society, and Religion 1280-1400. Yale University Press, 1995
VASARI, Giorgio. Vida dos Artistas. Brasil: Martins Fontes,2011