Arte Gótica

Arte Gótica ou Gótico, é um estilo artístico europeu que predominou desde meados do século XII ao início do século XV, período compreendido entre o fim do estilo românico e o início do Renascimento.

A partir do século XII a Europa e principalmente a região Francesa, conheceu importantes transformações, caracterizadas pela superação da sociedade feudal e a formação de novos centros de poder, como: as primeiras monarquias, as grandes cidades, o clero, as classes novas e o aumento do mercado comercial e financeiro. Fazendo com que o centro da vida social se desloque do campo para a cidade e apareça a burguesia urbana.

Falar em arte medieval é falar em arte gótica. A arte gótica ser a mais espectacular da Idade Média. A arte gótica foi apreciada de maneiras diferentes, consoante às épocas. Durante os séculos em que foi “moderna”, era conhecida pelo nome de “obra francesa”, termo que evoca sua principal origem.

O Gótico nasceu no coração da França, precisamente na Ïle-de-France, a fértil e próspera região a Norte de Paris e designa exactamente essa fase da história da arte ocidental, identificável por características muito próprias de contexto social, político e religioso em conjugação com valores estéticos e filosóficos e que surge como resposta à austeridade do estilo românico. A partir do século XII a França conheceu transformações importantes, caracterizadas pelo desenvolvimento comercial e urbano e pela centralização política, elementos que marcam o início da crise do sistema feudal.

O termo gótico, que faz referência ao povo godo, é utilizado originalmente pelos refinados artistas renascentistas para designar genericamente esta nova arte considerada “bárbara” em relação ao clássico, um estilo artístico que achavam de mau gosto, exótico, carregado de apelos decorativos e exageros.

A época da arte gótica (também chamada ogival em virtude do arco quebrado ou agudo) mostra-nos, sem duvida, a fase culminante do pensamento medieval na Europa, ligado à filosofia cristã da igreja católica e aos mestiços pensadores. A procura do infinito, do universal, acompanhada por grandes progressos técnicos, renova a estrutura das igrejas.” – (Filho, 2008 – pg.54)

A arquitectura foi a principal expressão da Arte Gótica e propagou-se por diversas regiões da Europa, principalmente com as construções de imponentes igrejas. Apoiava-se nos princípios de um forte simbolismo teológico, fruto do mais puro pensamento escolástico: as paredes eram a base espiritual da Igreja, os pilares representavam os santos, e os arcos e os nervos eram o caminho para Deus. Além disso, nos vitrais pintados e decorados se ensinava ao povo, por meio da mágica luminosidade de suas cores, as histórias e relatos das Sagradas Escrituras.

A construção gótica, de modo geral, se diferenciou pela elevação e desmaterialização das paredes, assim como pela especial distribuição da luz no espaço. Tudo isso foi possível graças a duas das inovações arquitectónicas mais importantes desse período: o arco em ponta, responsável pela elevação vertical do edifício, e a abóbada cruzada, que veio permitir a cobertura de espaços quadrados, curvos ou irregulares. No entanto, ainda considera-se o arco de ogiva como a característica marcante da arquitectura gótica.

A catedral gótica representava o interesse prioritário da Idade Média: a fé religiosa.

A magnificência de uma catedral simbolizava a Cidadela Celestial, onde as almas virtuosas residiriam depois da morte. Deus continua a ser o centro do universo, a Igreja a sua representante na Terra, mas a relação do homem com o divino liberta-se do medo e ganha uma nova fé. O seu esplendor mostrava o quanto a imortalidade transcendia as limitações terrenas. A primeira edificação em estilo gótico foi a Abadia de Saint-Denis, foi erguida na França em 1140.

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Abadia de Saint-Denis, 1140

A característica mais importante da arquitectura gótica é a abóbada de nervuras, completamente diferente da abóbada de arestas românica porque deixa visíveis os arcos que formam a sua estrutura. Este novo tipo de abóbada foi possível graças ao arco ogival, diferente do arco pleno do estilo românico. Com ele as igrejas góticas podiam ser muito mais altas que as românicas. Além disso, as ogivas, que se alongam e apontam para o alto, acentuam a impressão de verticalidade da construção.

A Catedral de Notre-Dame de Chartres, construída entre os séculos XII e XVI, (reconstruída em 1194, após um terrível incêndio) destaca principalmente, pelo seu portal principal, conhecido como Portal Régio, um dos mais belos conjuntos escultóricos do mundo. Um maravilhoso exemplo, de como a escultura gótica enriquece a sua arquitectura.

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Catedral de Notre-Dame de Chartres, 1194

A Catedral de Notre-Dame de Paris, construída por volta de 1160, é uma das maiores igrejas góticas do mundo e um dos exemplos mais extraordinários do Mundo Gótico, tem 150,20 metros de comprimento e as suas principais abóbadas estão a 32,50 metros de altura.

A disseminação do gótico nos séculos XIV e XV acompanha o crescimento do comércio e a expansão das grandes cidades Europeias. As catedrais já não constituem a principal tarefa dos arquitectos que se começam a voltar, então, para os edifícios seculares, como por exemplo, o Palácio dos Doges, em Veneza, iniciado em 1309. O estilo parece expandir-se mais decididamente para a pintura, escultura e artes decorativas.

A pintura gótica, teve os seu inicio nos vitrais. Eles possuem uma função muito importante na arquitectura gótica, preenchendo os espaços vazios deixados pela estrutura de pedra. São responsáveis pela iluminação do edifício, filtrando a luz em milhares de manchas coloridas, e têm um significado espiritual, pois transformam o ambiente da igreja em um espaço místico, próprio à prece e ao recolhimento.

A escultura está igualmente ligada à arquitectura demonstrando verticalidade, o alongamento exagerado das formas, e as feições são caracterizadas por formas a que o fiel possa reconhecer facilmente a personagem representada, exercendo a função de ilustrar os ensinamentos propostos pela igreja. Mas com o tempo, vai assumindo uma autonomia própria, vivaz e serena, livre da preocupação do monstruoso e do terrífico.

A escultura gótica é sobretudo sacra e é regida por um código muito rígido, estas convenções iconográficas permitem identificar as personagens e as cenas. O lugar ocupado por cada personagem também tem um significado, onde Cristo encontra-se sempre no centro das atenções.

A arte Gótica em Portugal inicia-se com a construção do Mosteiro Beneditino de Alcobaça no século XII. No entanto, o estilo gótico se impõe bastante tardio, mantendo-se em muitas regiões de Portugal como uma tendência da arte românica.

No fim do século XV surge o estilo nacional português, o Manuelino, com um repertório que evoca das grandes Campanhas marítimas de Portugal, um diverso sentido estético e, já iniciado o século XVI, a influência do Quattrocento italiano.

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References:

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FILHO, Duilio Battistoni. Pequena História Da Arte. 17ªEdição. Papirus Editora, São Paulo, 2008

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SIMSON, Otto Georg von & SIMSON, Otto. La catedral gótica: los orígenes de la arquitectura gótica y el concepto medieval de orden – Volume 10. Alianza, 1980

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