Azulejo

Azulejo, é um termo que designa uma peça de cerâmica de pouca espessura, geralmente, quadrada, em que uma das faces é vidrada, resultado da cozedura de um revestimento geralmente denominado de esmalte, que se torna impermeável e brilhante. Esta face pode ser monocromática ou policromática, lisa ou em relevo.

Azulejo, é a palavra portuguesa que designa uma placa cerâmica que geralmente, tem uma das faces, decorada e vidrada. A sua utilização é comum a outros países como Espanha, Itália, Holanda, Turquia, Irão ou Marrocos, mas em Portugal assume especial importância no contexto universal da criação artística e cultural.

A palavra azulejo vem do árabe azzelij, que significa pequena pedra polida usada para desenhar mosaico bizantino do Próximo oriente. Mas é comum, no entanto, relacionar-se o termo com a palavra azul (termo persa لاژور lazkward, lápis-lázuli) dado grande parte da produção portuguesa de azulejo caracterizar-se pelo emprego maioritário desta cor, mas a real origem da palavra é árabe.

As dimensões mais usuais dos azulejos são: 15×15 cm, apesar de que também é frequente encontra-los de 10×10 cm, ou em formato rectangular. O assentamento dos azulejos pode ser em argamassa de cimento e areia, traço 1:6 em volume, ou aplicado directamente sobre o emboço com pasta de cimento ou cola epóxica. Antes da aplicação, o azulejo deve estar chapiscado com argamassa de cimento e areia, traço 1:3 em volume e depois mergulhado na água durante 24 horas para saturação.

O azulejo é normalmente, utilizado em grande número como elemento associado à arquitectura em revestimento de superfícies interiores ou exteriores ou como elemento decorativo isolado.

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Painel de Azulejos do Parque Eduardo VII da autoria de Jorge Colaço (1922), em Lisboa.

A arte da azulejaria criou profundas raízes na Península Ibérica pela influência Moura, que trouxeram os mosaicos para ornamentar as paredes dos seus palácios conferindo-lhes brilho e ostentação, através de um jogo geométrico complexo. Estilo que acabou fascinando e marcando a produção artística e arquitectónica, principalmente na Península Ibérica.

Os artesãos pegaram nas técnicas mouriscas, simplificaram-na e adaptaram os padrões ao gosto ocidental. Os primeiros exemplares usados em Portugal, os Hispano mouriscos, vieram nos finais do século XV de Sevilha e serviram para revestir as paredes de palácios e igrejas. Passados cerca de setenta anos, em 1560, começam a surgir em Lisboa oficinas de olaria que produzem azulejos segundo a técnica de faiança, importada de Itália.

Do Oriente chegou o sentido do brilho, a exuberância e a fantasia dos motivos ornamentais, especialmente através dos tecidos, e o uso de cores exuberantes. Da China veio o azul da porcelana, que na segunda metade do século XVII deu ao azulejo composições cheias de dinamismo e formas em movimento.

Nos finais do século XVII, princípios do século XVIII, Portugal importou da Holanda grandes quantidades de azulejo, absorvendo a pureza e o refinamento dos materiais, assim como a ideia de especialização dos artistas.

Contudo, o azulejo português não se limita em si mesmo a receber influências. O azulejo impõe-se na cultura Portuguesa pela sua força como um elemento complementar de uma estrutura arquitectónica. Portugal, inicialmente, ao utilizar azulejos estrangeiros, deu-lhes sempre uma utilização completamente diferente daquela que era tradicional nos países de origem.

Até ao fim do século XVII, padrões multicolores foram usados como uma decoração a sugerir linhas diagonais, desempenhando um papel importante e dinâmico na arquitectura. Os ritmos diagonais não se harmonizavam bem com as linhas predominantemente verticais e horizontais da arquitectura. Deste modo, o azulejo altera de certa forma o carácter dos espaços fechados.

A partir do século XIX, o azulejo ganha mais visibilidade, sai dos palácios e das igrejas para as fachadas dos edifícios, numa estreita relação com a arquitectura. A paisagem urbana em Portugal ilumina-se com a luz reflectida nas superfícies coloridas e vidradas dos azulejos. A produção de azulejos torna-se intensa, criando a necessidade de criar novas fábricas em Lisboa, Porto e Aveiro. Mais tarde, já em pleno século XX, o azulejo entra nas estações de caminho-de-ferro e nas estações de metro, alguns conjuntos são assinados por artistas consagrados.

Com o tempo o azulejo acaba tornando-se num objecto comum do nosso quotidiano, quando se torna numa solução decorativa para cozinhas e casas de banho, numa prova de resistência, inovação e renovação desta pequena peça de cerâmica.

Na primeira metade do século XX, o azulejo caracterizou-se, por um lado, pela exuberância e grande intensidade de cor dos seus frisos, composições e painéis de Arte Nova. Por outro lado, havia uma produção de azulejos de tendência nacionalista.

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References:

http://www.museudoazulejo.pt/

Dicionário da Construção Civil » Azulejo –  http://www.ecivilnet.com/dicionario/o-que-e-azulejo.html

HENRIQUES, Paulo. Módulo, padrão e jogo: Azulejos de repetição na segunda metade do século XX. Oceanos. Lisboa, número 36/37, p.253-269, 1998

PAIS, Alexandre Nobre e outros. A arte do azulejo em Portugal. Instituto Camões. Lisboa, 2002

SABO, Rioletta & FALCATO, Jorge Nuno. Azulejos – Arte e História. Edições Inapa, 2001

SIMÕES, J. M. dos Santos. Azulejaria em Portugal nos séculos XV e XVI: introdução geral. 2.ª Ed. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa, 1990

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