O videoclip é um género audiovisual com características específicas, sendo que, tal como qualquer género, possuí uma forma própria de trabalhar imagens e som, obedecendo a certas regras de construção formal que o permitem identificar como tal.
Podem então definir-se como premissas essenciais para a constituição de um videoclip o facto de ser um vídeo de curta duração(1), com intenções claramente promocionais, e que se articula com uma música concreta, tendo em conta as suas características líricas e sonoras, adicionando-lhe através das imagens uma dimensão narrativa. Apesar disso, o modelo de construção de um videoclip não é estanque, podendo este sofrer alterações. Ainda assim, existe um certo conjunto de elementos que têm de estar presentes num videoclip. O videoclip pode ser encarado como a “«imagetização» de uma canção”, já que o vídeo musical tem sempre origem numa canção produzida previamente, que acompanhará uma série de imagens produzidas posteriormente.
O videoclip distingue-se de outros géneros audiovisuais precisamente por ser constituído por um conjunto de imagens que são produzidas com base numa canção que lhes é anterior. O mesmo já não acontece com, por exemplo, anúncios publicitários; estes anúncios, na sua essência, podem assemelhar-se bastante a videoclips, já que se definem por serem um conjunto de imagens de curta duração, grande parte das vezes acompanhadas por música. Contudo, a música nesse contexto serve sobretudo como forma de ambiência, sendo que as imagens não são elaboradas com base na mesma. O mesmo acontece em diversos filmes, ou longas-metragens, onde se podem observar segmentos curtos em que não há diálogo entre as personagens, mas apenas imagens que surgem à vista do espectador, ao mesmo tempo que se ouve uma música. Novamente, é necessário entender que estes segmentos possuem um intuito concreto dentro da linha narrativa dos filmes, pelo que são completamente distintos de um videoclip.
O que é essencial para que um videoclip possa ser definido como tal é que este deve criar “uma camada visual sobre uma canção”(2), e essas imagens devem de alguma forma criar um laço com as partes lírica e sonora da canção que “imagetizam”.
O videoclip pode assim ser considerado uma “operacionalização visual de um tema musical”(3), sendo que esta forma de construir um filme curto sobre uma canção em concreto cumpre determinados parâmetros, de modo a que se possa criar uma matéria audiovisual com características próprias; neste sentido, é correto afirmar que o videoclip se constrói com base na intertextualidade que lhe é inerente. Como em todos os géneros audiovisuais, o modelo de construção de um videoclip não é estanque, podendo estar sujeito a alterações e interpretações artísticas e criativas, mas sendo constituído sempre e sem exceção, já que é esta a pedra basilar da sua orientação conceptual, pela relação entre um conteúdo lírico e sonoro e um conjunto de imagens, de modo a criar-se um “objeto comunicacional”(4), que pode ou não ter aspirações a forma de arte, e que atua como veículo de promoção e de configuração visual de uma canção concreta.
References:
1. Não há um valor concreto e especificado para a duração máxima de um videoclip, e o tempo deste não tem sequer de corresponder exactamente ao tempo da música à qual se refere; apesar disso, há que ter em conta que o tempo de um videoclip nunca excede ou fica muito aquém da música que está a “imagetizar”, pelo que é muito raro excederem os 15 minutos de duração. Dos 60 videoclips analisados neste estudo, o de maior duração alcançava cerca de 9 minutos.
2. SOARES, Thiago, Por uma metodologia de análise mediática dos videoclipes: Contribuições da Semiótica da Canção e dos Estudos Culturais, UNIrevista, São Leopoldo, Vol. 1, nº3, 2006
3. LEGUIZAMÓN, Juan Anselmo, Exploraciones musicovisuales, Cuadernos de la Facultad de Humanidades y Ciencias Sociales, Universidad Nacional de Jujuy, n. 17, San Salvador de Jujuy, Nov. 2001 (tradução livre)
4. SOARES, Thiago, Por uma metodologia de análise mediática dos videoclipes: Contribuições da Semiótica da Canção e dos Estudos Culturais, UNIrevista, São Leopoldo, Vol. 1, nº3, 2006