My Funny Valentine

Breve explicação histórica do standard de jazz «My Funny Valentine».

My funny valentine

A canção My Funny Valentine surgiu, originalmente, no musical Babes in Arms, de Richard Rodgers e Lorenz Hart, em 1937, interpretado por Mitzi Green. Tornou-se rapidamente num popular jazz standard, ou seja, uma canção relativamente dissociada do seu contexto original.

My Funny Valentine aparece em mais de 1300 álbuns, interpretada por mais de 600 artistas, incluindo Chet Baker, Duke Ellington, Frank Sinatra, Sarah Vaughn, Ella Fitzgerald, Shirley Bassey, Miles Davis, Etta James, entre outros.

Contexto original

No musical Babes in Arms, a personagem Billie Smith (Mitzi Green) canta esta música, listando todos os defeitos e características de Valentine LaMar (Ray Heatherton) – “Is your figure less than Greek? Is your mouth a little weak? When you open it to speak, are you smart? – mas os seus sentimentos são revelados no refrão – “You’re my funny valentine, sweet comic valentine /You make me smile with my heart”.

Cinema

Em 1939, Busby Berkeley dirigiu a versão cinematográfica de Babes in Arms, com Judy Garland e Mickey Rooney. No entanto, tanto o enredo como as músicas foram drasticamente alterados.

My funny valentine ressurgiu em 1957 no filme/musical Pal Joey, dirigido por George Sidney, e protagonizado por Frank Sinatra, Rita Hayworth (com a voz Jo Ann Greer) e Kim Novak (com a voz de de Trudy Erwin). A canção fez-se ouvir pela personagem interpretada por Kim Novak, num clube nocturno, quase como indicação de um romance destinado a não ter sucesso.

Em 1995, a canção foi parte da banda sonora do filme Waiting to Exhale, de Forest Whitaker, na voz de Chaka Khan.

Poucos anos depois, em 1999, Matt Damon, no filme The Talented Mr Ripley, interpreta a canção de forma a evocar Chet Baker, procurando conjurar a sensação dos anos 50.

Jazz

My Funny Valentine foi, lentamente, fixando-se no repertório do jazz. Em 1944, a Hal McIntyre Orchestra gravou uma versão da canção, removendo o verso introdutório e começando a partir do refrão, como se tinha tornado norma.

Em 1952, Gerry Mullingan voltou a utilizar a canção para o seu Quarteto, tornando-se no veículo perfeito para o trompete de Chet Baker. Entre as várias versões instrumentais destaca-se o dueto entre o pianista de Bill Evans e o guitarrista Jim Hall, em 1962.

No ano de 1954, Frank Sinatra incluiu a canção em «Songs for Young Lovers», a sua primeira colaboração com Nelson Riddler. Chet Baker voltou a gravar a canção, mas desta vez como vocalista, em 1956, para o álbum «Chet Baker Sings», que revisitou muitas vezes depois, especialmente em actuações ao vivo. É precisamente a Chet Baker que My Funny Valentine é frequentemente associada.

Por esta altura, My Funny Valentine já se tinha tornado comum e consensual na forma de gravação. Neste sentido, a interpretação de Ella Fiztgerald com The Buddy Orchestra, em 1957, destaca-se por ter sido gravada na totalidade, o que já não acontecia.

Miles Davis, outro grande nome do jazz, também tornou a canção parte do seu repertório. A actuação, em 1964, no Mississipi, num evento relacionado com o registo dos votos para os negros, é memorável.

 

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