Lied

Este artigo tem como objectivo caracterizar uma lied, ao mesmo tempo que fornece alguns exemplos significativos do género.

Conceito

Lied, palavra alemã que significa canção, é o termo utilizado para tratar a adaptação musical de um poema, numa relação estreita entre a música e o texto. Embora a sua origem remonte ao Período Clássico (J. Haydn, W.A. Mozart e Beethoven), o lied só alcançou expressão visível no Romantismo.

A impulsão do género neste período beneficiou da fase de grande expansão da poesia lírica, com autores como Goethe, Schiller, Heine, Müller, Novalis, entre outros. Foi também uma época em que a tradução colocou à disposição literatura de todo o mundo e épocas, por exemplo, Dante, Petrarca, Shakespeare, Walter Scott ou Victor Hugo.

O lied é escrito para piano e voz, embora com Mahler tenha adquirido uma dimensão sinfónica (lied sinfónico), ou seja, para voz solista e orquestra. O piano abandona, aqui, a função de instrumento de acompanhamento, e torna-se num interlocutor dramático do canto lírico, ao mesmo tempo que a voz humana encontra o seu enquadramento emocional ideal. Verifica-se uma relação de todo, entre piano, voz e texto. Formalmente, é cíclico (ABA), estrófico ou contínuo. A música segue a estrutura do poema.

Os principais compositores românticos deste género foram: Schubert (1797-1828), Schumann (1810-1856), Brahms (1833-1897), Hugo Wolf (1860-1903), Mahler (1860-1911).

O primeiro Lied

A 19 de Outubro de 1814, Schubert compôs o seu primeiro lied, baseado na cena número 15, da primeira parte, do Fausto de Goethe, intitulado: “Margarida ao Tear” (Gretchen am Spinnrade, op.2, ré menor). Esta peça foi considerada o ponto de partida de todo o lied romântico alemão posterior, um género onde o texto e a música são inseparáveis. Schubert foi, portanto, o grande impulsionador do lied romântico. A título de exemplo, encontra-se abaixo este lied interpretado por Christa Ludwig.

Ciclos de Lieder

Os lieder (plural de lied) são, frequentemente, organizados em ciclos  (Liederkreis), ou seja, conjuntos de vários lieder, com uma narrativa ou tema em comum. Abaixo encontram-se alguns exemplos destes ciclos, por compositor:

Beethoven (1770-1827)

  • An die Ferne Geliebte (1816), “Para a Amada Distante”, sobre poemas de Jeitteles. É considerado o primeiro ciclo de canções, pelo menos, de um compositor de renome.

Schubert (1797 – 1828)

  • Die Schöne Müllerin (1823), “A Bela Moleira”, sobre poemas de Müller.
  • Winterreise (1827), “Viagem de Inverno”, sobre poemas de Müller.
  • Schwanengesang (1828), “O Canto do Cisne”, sobre poemas de Heine, Rellstab e Seidl. Foram publicados poucos meses depois da morte do compositor, em 1829.

Schumann (1810 – 1856)

  • Dichterliebe (1840), “Amores do Poeta”, sobre poemas de Heine.
  • Frauenliebe und Leben (1840), “Amor e a Vida de uma Mulher”, sobre poemas de Chamisso.

Brahms (1837 – 1897)

  • Die Schöne Magelone (1869), “A Bela Magelone”, baseado em Tieck.

Mahler (1860 – 1911)

Lieder para piano e voz solista:

  • Lieder eins Fahrenden Gesellen (1884 – 85), “Canções de um Viandante”, sobre textos seus.
  • Rückert-Lieder (1901 – 1902), sobre poemas de Rückert.
  • Kindertotenlieder (1901 – 1904), “Canções das Crianças Mortas”, sobre poemas de Rückert.

Lied Sinfónico (para orquestra e voz solista):

  • Kindertotenlieder (cinco lieder, versão orquestral).
  • Das Lied von der Erde (1908 – 1909), “A Canção da Terra”.
  • Des Knaben Wunderhorn (1892-1901), “Canções da Trompa Mágica de Infância” (também para piano).
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