Pintura Sacra, é o nome dado a toda produção artística dentro do ramos da pintura, qualificada e destinada ao culto sagrado, dentro da que é considerada Arte Sacra. Falar em pintura sacra significa referir-se a praticamente toda a história da arte cristã pois é na religião, nas cenas e figuras bíblicas, que os pintores vão buscar a maior parte dos seus temas e fontes de inspiração.
Na História da Arte, a arte sacra representa uma forma de manifestação artística que está intimamente relacionada com a religiosidade e o sagrado. Nesse sentido, a arte sacra reúne não só pintura, mas também, gravuras, desenhos e esculturas de teor religiosos, sejam figurações de santos, de templos ou de passagens bíblicas (religiosas).
Deve-se distinguir entre arte religiosa e arte sacra. A diferença está fundada não tanto nos caracteres intrínsecos de ambos e na inspiração de cada uma, mas no destino da obra artística. Ambas possuem temática religiosa, no entanto, diferem quanto ao destino: a arte sacra é feita exclusivamente para ser apreciada nos cultos ou rituais religiosos por isso, está relacionada com os locais em que eles ocorrem (espaço sagrado ou litúrgico).
Assim, podemos intuir que a arte sacra surge da arte religiosa e, portanto, toda arte sacra é religiosa, porém nem toda arte religiosa é considerada sacra. Existem obras de profunda inspiração religiosa e que, não obstante isto, não são destinadas ao culto, e portanto, não devem ser consideradas propriamente como sendo “arte sacra”.
A “arte sacra” é aquela arte religiosa que tem um destino litúrgico, isto é, aquela que se ordena a fomentar a vida litúrgica nos fiéis e que por isso não só deve conduzir a uma atitude religiosa genérica, mas há-de ser apta a desencadear a atitude religiosa exigida pela Liturgia, ou seja para o culto divino.
A arte sacra, em suma, não só deve servir à Liturgia e respeitar os fins especificamente litúrgicos, mas ademais deve expressar e favorecer à sua maneira esses fins, dirigindo a essa finalidade o prazer estético que, por sua natureza, à mesma arte lhe cabe produzir. Por isto, se o artista, além de o ser autenticamente, não estiver vitalmente penetrado da religiosidade geral e ao mesmo tempo da religiosidade litúrgica, não poderá produzir uma obra autêntica de arte sacra.
A Pintura sacra, foi desenvolvida por diversas religiões e crenças, por exemplo, a arte cristã, a arte budista, a arte islâmica, a arte religiosa barroca, dentre outras.

O Retorno do Filho Pródigo – Rembrandt, actualmente no Museu Hermitage, em São Petersburgo.
A pintura sacra não possui um estilo definido, uma vez, que depende da época produzida, bem como da cultura representado e da técnica do próprio pintor.
Um dos artistas que que utilizou ao longo da sua vida artística a temática sacra para desenvolver a sua pintura foi Rembrandt Harmens van Rijn. Rembrandt apresenta as cenas bíblicas com extrema sensibilidade e profundidade espiritual.
Quadros como “O retorno do filho pródigo” ou “Jacó abençoa os filhos de José” têm uma doçura despojada e uma grandiosidade serena incomparáveis na história da arte. São comoventes e, mesmo os que não conhecem os detalhes das histórias bíblicas, são tocados pela profunda humanidade destas pinturas.
Em muitas pinturas bíblicas, como “A Subida da Cruz” ou como “José Contando Seus Sonhos”, Rembrandt pintou-se como personagem na multidão. Acredita-se que Rembrandt tenha feito isto pois, para ele, a Bíblia era um tipo de diário, uma conta sobre os momentos de sua própria vida.
References:
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