Pólis

Definição de “pólis”

A Pólis (Poleis, no plural) é uma sociedade-estado, um modelo social e político muito peculiar que surgiu na Grécia Antiga, mais precisamente na Época Arcaica, ou seja, no século VIII a.C..

Houve várias causas para o aparecimento da Pólis, nomeadamente a insegurança sentida após a invasão dórica, pois não havia um poder central forte que defendesse os homens gregos, ou o facto de as terras estarem compartilhadas pelas montanhas, o que originava dificuldades na comunicação. Assim, a Pólis veio dar resposta a estas dificuldades e inseguranças.

Estas cidades independentes, que nunca constituíram um Estado unificado, funcionavam como uma pequena nação, sendo a Hélade a unidade supranacional. Cada Pólis tinha a sua autonomia, ou seja, tinha instituições religiosas e políticas próprias, moeda própria, deuses próprios e leis próprias. Evidentemente, muitas vezes guerreavam entre si e só muito dificilmente partilhavam um interesse comum ou se uniam, mesmo em momentos graves, como, por exemplo, por ocasião da invasão do território grego por um inimigo comum. Nessas ocasiões, reuniam-se e formavam ligas ou confederações de curta duração que englobavam todas as cidades-estado gregas, mas que eram apenas confederações regionais.

A Pólis podia ser constituída apenas por uma cidade ou por um conjunto de aldeias aliadas. Por vezes, também acontecia formar-se uma Pólis mais vasta através da união voluntária de algumas pequenas Poleis, um fenómeno designado sinecismo e que consistira, maioritariamente, nas grandes deslocações das populações nómadas em busca de terras de cultivo. Tal foi o caso de Atenas, que uniu em seu redor todas as Poleis da Ática.

Inicialmente, a designação de Pólis aplicava-se somente à parte alta da cidade, a acropolis ou cidadela, onde vivia o rei, onde se situavam os templos e que servia de refúgio em caso de guerra. A zona mais baixa, que se expandia à volta da acrópole, era designada asty. Progressivamente, porém, a Pólis passou a significar também o conjunto dos cidadãos que tinham decidido viver nesta comunidade política sob a proteção de uma divindade. Estes habitantes das várias Poleis sentiam-se gregos não pelo critério da raça, mas pela identidade linguística, religiosa e cultural que partilhavam.

Os elementos que davam individualidade à Pólis e a distinguia das outras passava, em primeiro lugar, pelo território, o qual tinha de ser bem delimitado por fronteiras. Em segundo lugar, a sua população não devia ser muito numerosa. De acordo com Hipódamo de Mileto (498 a.C. – 408 a.C.), 10 000 cidadãos perfazia o número ideal para uma grande cidade. Devia ser em número suficiente para formar um exército, mas de modo a que não impedisse o funcionamento normal da Assembleia. Também devia permitir que os cidadãos se conhecessem uns aos outros, para que, assim, pudessem escolher mais conscientemente os magistrados. Se a população aumentasse demasiado, a Pólis tornava-se incapaz de se governar a si própria, se diminuísse, colocava em perigo o ideal de autarcia, ou seja, o ideal de autossuficiência que traduzia verdadeiramente o lado independente de cada cidade. Este ideal levava cada Pólis não só a procurar não depender dos outros Estados, mas também a criar os seus próprios órgãos administrativos e instituições. Até os deuses, aos quais cada cidade-estado prestava culto, deviam ser exclusivamente seus. Neste sentido, a autonomia religiosa é, também, um dos elementos definidores da Pólis.

Este sistema político-social das Poleis, que durou toda a Época Arcaica e toda a Época Clássica, conheceu o seu fim apenas devido a fatores externos, na medida em que, depois da morte de Alexandre, o Grande (356 a.C. – 323 a.C.), os seus impérios foram divididos, dando origem aos Reinos Helenísticos.

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