Quem foi Caravaggio
Caravaggio foi o “enfant terrible” da pintura italiana barroca, mas, o mais importante pintor italiano do seu tempo e o mais revolucionário. Reconhecido até hoje, pela sua genialidade e a excepcional expressividade das suas obras e pelo uso extraordinário, do contraste entre luz e sombra.
Mas a uma pintura magistral junta-se uma vida intensa e controversa, Caravaggio foi um génio incompreendido, um louco violento, um homem atormentado e um triste perseguido e até esquecido.
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Caravaggio
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Michelangelo Merisi da Caravaggio, nasceu em Milão, no dia 29 de Setembro de 1571, e foi o mais importante pintor italiano de seu tempo. Aprendeu a pintar com Simone Peterzano e analisando e estudando as obras de alguns artistas venezianos.
Em 1592, Caravaggio começou a trabalhar no ateliê de Giuseppe Cesari, em Roma. Nenhuma outra das cidades por onde deambulou durante a sua curta vida, marcariam tanto o seu génio e o seu destino como a Cidade de Roma. Onde não tardou a destacar-se, não só pelo enfoque original da sua obra pictórica, como pela sua vida irregular e travessa, onde os episódios frequentes de brigas e desacatos, revelavam o seu carácter tempestuoso e a falta de escrúpulos.
As suas primeiras criações são fundamentalmente pinturas que combinam figuras humanas com natureza morta. Um exemplo emblemático desta primeira fase é “O Tocador de Alaúde”, ode a um jovem de beleza andrógena e sensual, que comparte o protagonismo com frutas, flores e uma série de objectos relacionados com a música.
Nestas primeiras obras já fica evidente a exploração do jogo de luzes e sombras, se bem que, o claro e o escuro só servem para criar volumes e dar profundidades à pintura.
O início do século XVII é um momento de glória para Caravaggio, os seus quadros onde explorava a personagem de São Mateus, como “A vocação de São Mateus” ou a “O Martírio de São Mateus” tornaram-no famoso nos círculos artísticos, aumentando a sua reputação de artista e por sua vez, aumentando o numero de mecenas dispostos a pagar bem por um dos seus quadros.
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“A vocação de São Mateus” (Vocazione di san Matteo) 1601
Caravaggio procurou a realidade palpável e concreta da representação. Utilizou como modelos figuras humanas, sem qualquer receio de representar os seus defeitos e características mais feias em cenas provocadoras, características essas, que distinguem as suas obras. Mas que ao mesmo tempo, acabou chocando os seus contemporâneos, pela rudes das suas pinturas.
A principal e mais marcante característica da sua obra, foi a dimensão e impacto realista que ele deu aos seus quadros, ao usar fundos quase sempre raso, obscuro, muitas vezes totalmente negros, e agrupando a cena em primeiro plano com focos intenso de luz sobre os detalhes que queria destacar, que normalmente eram as caras e expressões das personagens.
O forte contraste entre os fundos escuros (as “trevas”) e os focos intensos luz que incidem dramaticamente sobre as personagens, típico da técnica do “claro-escuro” e principal característica das suas obras, marcadas também por um forte realismo na caracterização das personagens e dos ambientes que as rodeavam. O uso da sombra e da luz é algo muito marcante nos seus quadros, atraindo o observador para dentro da cena. Esse efeito de iluminação, criado por Caravaggio, recebeu o nome específico: o tenebrismo.
A arte de Caravaggio reflecte muito da sua própria vida, uma existência intensa e turbulenta, que se reflecte nas suas pinturas de cenas principalmente, religiosas de violência e crueldade, como em “A Decapitação de São João Batista”.
Considerado um boémio inconsequente e apesar do sucesso, viveu toda a vida com problemas com a polícia, sem dinheiro e buscando brigas e discussões pela cidade. Em 1606, matou um jovem durante uma briga e foge de Roma, com a cabeça a prémio.
Caravaggio acabou deambulando de cidade em cidade servindo e trabalhando incansavelmente para vários senhores importantes. Passou por Nápoles, depois por Malta e pela Sicília, onde pintou telas de lirismo transfigurado, em temas como a ressurreição de Lázaro (Messina), na qual, sob o pavor de um imenso espaço vazio, um raio de luz divino parece imobilizar o drama sagrado.
Mas o seu orgulho e a constante disposição para participar em discussões e a envolver-se em brigas, dificultaram sempre, a criação de qualquer tipo de estabilidade na sua vida.
Caravaggio, morreu jovem com apenas 38 anos, a 18 de Julho de 1610, diz-se que morreu na mesma miséria como viveu toda a sua vida, numa praia sozinho e desesperado por voltar a Roma.
References:
CASTELLOTTI, Marco Bona. La paradoja de Caravaggio. Traducido: Ángela Pérez García. Encuentro, 2011
EBERT-SCHIFFERER, Sybille. Caravaggio: The Artist and His Work. Getty Publications, 2012
GRAHAM-DIXON, Andrew. Caravaggio: Una vida sagrada y profana. Penguin Random House Grupo Editorial España, 2012
MOFFITT, John F. Caravaggio in Context: Learned Naturalism and Renaissance Humanism. McFarland, 2004
VARRIANO, John. Caravaggio: The Art of Realism. Penn State Press, 2010
VERSTEGEN, Ian. A Realist Theory of Art History. Routledge, 2013