Costa, Luiz

Luiz Costa foi um dos pianistas e compositores mais importantes do modernismo musical português. Nasceu em S. Pedro de Fralães, na Quinta da Porta, em Barcelos, a 25 de Setembro de 1879, mas viveu a maior parte da sua vida no Porto, onde faleceu a 7 de Janeiro de 1960.

Vida

Luiz Costa começou a estudar piano com a mãe, e outros professores, muito cedo, mas foi Bernardo Moreira de Sá, que mais o marcou e influenciou. Este foi uma figura ímpar do universo musical português, pelo papel que desempenhou tanto no ensino de música como na sua divulgação. Foi o fundador de várias associações de música, incluindo o Orfeão Portuense, em 1881, que mais tarde desempenhou um papel vital para a promoção musical em Portugal. Com 16 anos, Luiz Costa mudou-se para a cidade do Porto e começou as suas lições com Bernardo Moreira de Sá. Seria na casa do seu professor que viria a conhecer a sua futura esposa, Leonilda Moreira de Sá (filha do de Moreira de Sá), com quem se casou em 1908. Além de piano, Luiz Costa tocava violino e viola de arco.

Bernardo Moreira de Sá

De 1905 a 1907, Luiz Costa continuou os seus estudos na Alemanha com Ferruccio Busoni, Conrado Ausorge e Bernard Stavenhagen, representantes da nova escola alemã de piano, fundada por Franz Liszt. O músico português trabalhou, também com o pianista Vianna da Mota, com quem estabeleceu laços de amizade.

Regressou a Portugal onde se dedicou ao ensino de piano, que ocupou a maior parte do seu tempo. Tornou-se, ainda, director de duas instituições fundadas pelo sogro, Bernardo Moreira de Sá, o Conservatório do Porto (1933-1934), fundado em 1917, e o Orfeão Portuense. Recusou um convite para leccionar no Cincinnati College of Music, nos EUA, de forma a dedicar-se ao ensino de música em Portugal. Luiz Costa foi considerado um professor de rara distinção, devido à sua vasta cultura e profundo conhecimento musical. Influenciou gerações de pianistas, tanto pela estética da sua música, como pela sua ética profissional.

Luiz Costa ao piano

Como solista, recriou em Portugal, os concertos temáticos, criados por Hans von Bulow e Ferruccio Busoni, realizando uma série de recitais dedicados a grandes mestres como Beethoven, Brahms, Chopin, Liszt e Schubert. O concerto que deu em Lisboa, em 1920, dedicado a Liszt, ficou registado para a história. A sua apresentação em Londres em 1922 recebeu os maiores elogios da crítica. No campo da música da câmara, actuou na companhia de Casals, de Suggia, de Cortot de Enesco, com os quartetos de Rosé (Viena) e Chaumont (Bruxelas).

Programa

Luiz Costa, enquanto director criativo do Orfeão Portuense, trouxe a Portugal alguns dos nomes maiores da música clássica da altura como Ravel, Arrau, Backhaus, Landowska, Fischer, entre muitos outros. Deu, também, vários concertos dentro desta associação, quer a solo, quer em música de câmara. O músico considerava esta sociedade de elevada importância para Portugal. Nas suas próprias palavras, na comemoração do 70.º aniversário do Orfeão, a 12 de Junho de 1951: “Desde «Jésus Ouvrier” de Beethoven, coro com que em 1881 iniciou a sua cruzada em prol da música, quantas obras-primas têm sido reveladas pelo «Orpheon Portuense». Os futuros historiadores da música em Portugal não podem deixar de considerar a importância desta cruzada de longos anos e o caminho andado desde o tempo em que imperavam as formas italianizantes da ópera. Que o culto das obras-primas da música se torne vincadamente uma necessidade de espírito – culto este, afinal, única razão de ser do «Orpheon Portuense»”

Além da sua actividade instrumental e pedagógica, é reconhecido pelas suas composições.

A sua actividade profissional intensa não impediu a construção de uma vida familiar, que lhe era importantíssima. Casado com a pianista Leonilda Moreira de Sá e Costa, foi pai de três crianças, um rapaz, Luiz Moreira de Sá e Costa, e duas raparigas, Helena e Madalena. O rapaz morreu prematuramente, como membro da Companhia de Jesus. Helena e Madalena dedicaram-se, à semelhança dos pais, à música, uma no piano e outra no violoncelo, respectivamente. Luiz Costa dedicou grande parte do seu trabalho à sua família.

Retrato Familiar

Obra

Luiz Costa deixou um grande número de composições, muitas delas ainda não editadas. O músico explorou a vertente de composição desde cedo, mas só no início do século XX começaram a surgir as suas composições mais sólidas com as obras Drei Klavierstücke op.1, Fiandeira, op.2 e Poemas do Monte op.3, que foram dedicadas a Vianna da Motta (verificando-se a importância deste pianista na sua vida).

O músico afirmou-se como um compositor do seu tempo. As influências de Dukas, Faure e da nova música alemã, encontraram no impressionismo francês a melhor forma de recriação do ambiente do Minho. Através dos títulos de algumas das suas obras para piano, é possível fazer uma associação directa à natureza do Minho, que tanto influenciou o compositor, na sua infância (por exemplo, Pelos Montes Fora, Murmúrios das Fontes, Campanários, Ecos dos Vales, Cachoeiras da Serra).

Campanários

No auge da sua maturidade enquanto criador, profundamente exigente consigo próprio e com o seu trabalho, enveredou por um neoclassicismo considerado, por muitos, lírico, bucólico e nostálgico. Estas características estão claramente presentes em obras como Prelúdios op.9, dedicados na sua maioria ao poeta Corrêa de Oliveira, ou Cenários Op. 13 dedicados à sua filha Helena.

Dada a sua formação global superior e interdisciplinar, Luiz Costa encontrou fontes múltiplas de inspiração para as suas criações: a poesia de Corrêa de Oliveira e Teixeira de Pascoaes, a escultura do Mestre Teixeira Lopes e a natureza do seu Minho Natal. Ao mesmo tempo, dando provas de respeito pela tradição representada por Bach, Beethoven ou Brahms, cultivou a música absoluta (Prelúdios Op.9). Através das suas fontes de inspiração é possível ler o carácter nacionalista que Luiz Costa procurou incutir na sua obra.

Além das inúmeras obras que compôs para piano, deixou, também, várias peças de música de câmara (por exemplo, sonatinas para flauta, viola, sonatas para violoncelo e piano, canções sobre textos de poetas portuguesas para voz e piano, quartetos de cordas um trio) e uma fantasia para piano e orquestra, talvez a sua obra-prima.

Numa homenagem a Luiz Costa, em 1950, foi proferido o seguinte:

“Partindo do romantismo em que foi criado, acompanha compreensivelmente o desenvolvimento. E assim consegue enriquecer o património nacional com repertório de excelentes produções. São «lieder», poemetos para piano, sonatas de piano e corda, conjuntos de Câmara. (…) As suas composições de juventude são do género das deliciosas pequenas peças de Schumann. Sente-se depois uma primeira evolução para as harmonias de maior riqueza poética, no estilo de Brahms. Mais arde, a influência do impressionismo de Débussy e de Ravel. Ultimamente um neoclassicismo todo vigoroso. (…) Parece ignorar-se que o Mestre Viana da Mota admirasse a largueza da forma, a riqueza da polifonia e a intensidade de expressão do Quinteto. Que o conjunto Beronel executasse, em Berlim, com grande êxito o Quarteto. Que as restantes peças tivessem recebido fortes aplausos em França, na Bélgica, nos Estados Unidos. (…) O Norte não tem artista que se lhe compare. Como pianista, professor e compositor, é uma das mais altas e inconfundíveis personalidades do nosso meio, nas últimas três décadas”.

Homenagem em 1950

Síntese sobre Luiz Costa

Nascimento 25 de Setembro de 1879, Barcelos
Morte 7 de Janeiro de 1960, Porto
Nacionalidade Portuguesa
Ocupação Instrumentista (piano), compositor e professor de piano.
Director criativo do Orfeão Portuense.
Director do Conservatório do Porto
Principais Obras Piano
Drei Klavierstücke op.1
Fiandeira, op.2
Poemas do Monte op.3
Telas Campesinas op.6
Prelúdios op. 9
Cenários op. 13
Música de Câmara
Sonata para violoncelo e piano n.º1, op.11
Sonatina para viola e piano, op. 19
Sonatina para flauta e piano op.23
Sonata para violoncelo e piano n.º 2
Trio para violino, violoncelo e piano
Quarteto de Cordas n.º 1
Quarteto de Cordas n.º 2
Concerto
Fantasia para piano e orquestra
1028 Visualizações 1 Total
1028 Visualizações

A Knoow é uma enciclopédia colaborativa e em permamente adaptação e melhoria. Se detetou alguma falha em algum dos nossos verbetes, pedimos que nos informe para o mail geral@knoow.net para que possamos verificar. Ajude-nos a melhorar.