Gulag

Breve olhar sobre os campos de trabalhos forçados na antiga União Soviética

Gulag

O que é um Gulag

Um gulag, do acrónimo russo Glavnoye Upravleniye Ispravitelno-trudovykh Lagerey, que significa “Direção Geral dos Campos” em português, foi o nome atribuído, primeiramente, à administração de uma vasta rede de prisões e trabalhos forçados na antiga União Soviética (URSS). Mais tarde, passou a designar os próprios campos de concentração soviéticos que, durante mais de trinta anos, emprisionaram milhares de pessoas, desde criminosos a prisioneiros políticos, passando por todos aqueles que se atreveram a manifestar qualquer tipo de oposição relativamente ao regime de Estaline (1878-1953).

O nome gulag permaneceu de certa forma desconhecido no mundo ocidental e mesmo em alguns locais da União Soviética até à publicação do controverso ensaio de Aleksandr Soljenítsin (1918-2008) intitulado «Arquipélago Gulag 1918-1956» (1973), obra extraordinária que denuncia todo este sistema desumano do qual o autor fora vítima.

O sistema dos gulags tem já antecedentes na época Rússia czarista, contudo foi a 15 de abril de 1918, no rescaldo da Revolução de 1917, que foi decretada a abertura de um sistema de campos de trabalhos forçados para todos os criminosos e inimigos do Estado um pouco por toda a União Soviética, mas principalmente em regiões quase inacessíveis e com condições climatéricas extremas, como a Sibéria.

Segundo esta lógica, nos anos 20, e a par da coletivização da agricultura que a URSS conhecera na altura, o número de prisioneiros rondava os 100.000. Já na década seguinte, os gulags, que eram então praticamente controlados pela polícia secreta russa, a OGPU1, atingiram o seu auge, na medida em que contavam com 5.000.000 prisioneiros, número que ainda viria a aumentar nos anos vindouros, mas que foi consideravelmente reduzido após a morte de Estaline, em março de 1953.

Nos últimos anos da Segunda Guerra Mundial os gulags receberam também prisioneiros de guerra, oriundos das potências do Eixo.

Todas estas pessoas que tinham sido detidas estavam distribuídas pelas várias centenas de gulags existentes (cada gulag compreendia uma média de 2000 a 10.000 prisioneiros), nos quais trabalhavam arduamente sob ameaça de morrerem à fome ou de serem simplesmente executados em massa, caso recusassem participar nestes trabalhos forçados. Serravam sobretudo madeira, ou extraíam carvão, cobre e ouro das minas e ainda contribuíram para que importantes construções civis fossem executadas, como estradas, caminhos de ferro, barragens, pontes, ou o canal que liga o mar Branco ao Báltico.

A combinação das muitas horas de trabalho pesado, com o frio imenso que se fazia sentir e a alimentação inadequada que os prisioneiros recebiam fez com que as taxas de mortalidade entre os mesmos aumentassem consideravelmente, ou seja, pelo menos, por ano, 10% da população total dos gulags morria devido às condições a que se tinha de sujeitar. Estima-se, na verdade, que o número de mortes nestes campos, entre 1918 e 1956, poderá variar entre os 15 e os 30 milhões, embora não seja consensual.

Como referido anteriormente, após a morte de Estaline, o número diminuiu significativamente, voltando os gulags às proporções que tinham nos anos 20 e sendo concedida amnistia a centenas de milhares de prisioneiros. No entanto, estes campos de trabalho forçado soviéticos pós-estalinistas continuaram a receber presos políticos e duraram até aos anos 80, quando, finalmente, Mikhail Gorbatchev decidiu desmantelá-los.

1 Mais tarde, a partir de 1954, denominada KGB.

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