Hotspot de Biodiversidade

O termo Hotspot de Biodiversidade é um método utilizado para designar áreas geográficas com uma elevada quantidade de espécies endémicas e que estão sujeitas a pressões humanas que podem resultar numa perda de biodiversidade, sendo por isso necessário medidas de conservação. Estes pontos de biodiversidade são globalmente aceites como prioritários em Biologia da Conservação. Este conceito foi desenvolvido por Norman Myers, em 1988, para identificar hotspots em florestas tropicais caracterizados tanto por níveis elevados de plantas endémicas como por uma grave perda de habitat.

Fig. 1 - Mapa com a identificação dos hotspots de biodiversidade (Mittermeier RA, Turner WR, Larsen FW, Brooks TM, Gascon C (2011) Global biodiversity conservation: the critical role of hotspots. In: Zachos FE, Habel JC (eds) Biodiversity hotspots: distribution and protection of conservation priority areas. Springer, Heidelberg)

Fig. 1 – Mapa com a identificação dos hotspots de biodiversidade (Mittermeier RA, Turner WR, Larsen FW, Brooks TM, Gascon C (2011) Global biodiversity conservation: the critical role of hotspots. In: Zachos FE, Habel JC (eds) Biodiversity hotspots: distribution and protection of conservation priority areas. Springer, Heidelberg)

Actualmente, estão identificados 35 hotspots de biodiversidade (Fig. 1):

  • Andes Tropicais
  • Tumbes-Chocó-Magdalena (Panamá, Colômbia, Equador e Peru)
  • Mata Atlântica (Brasil, Paraguai e Argentina)
  • Cerrado (Brasil)
  • Chile Central – Florestas Valdivias
  • Mesoamérica (Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, Belize e México)
  • Ilhas do Caribe
  • Província Florística da Califórnia
  • Floresta de Pinho-Encino de Sierra Madre (México e Estados Unidos)
  • Florestas da Guiné (África Ocidental)
  • Província Florística do Cabo (África do Sul)
  • Plantas Suculentas do Karoo (África do Sul e Namíbia)
  • Madagascar e Ilhas do Oceano Índico
  • Montanhas do Arco Oriental
  • Florestas afromontanas (África Oriental)
  • Maputaland-Pondoland-Albany (África do Sul, Suazilândia e Moçambique)
  • Chifre da África
  • Bacia do Mediterrâneo
  • Cáucaso
  • Ghats Ocidentais (Índia e Sri Lanka)
  • Montanhas do Centro-Sul da China
  • Sunda (Indonésia, Malásia e Brunei)
  • Wallacea (Indonésia)
  • Filipinas
  • Regiões da Indo-Birmânia
  • Himalaias
  • Região Irano-Anatólica
  • Montanhas da Ásia Central
  • Japão, China
  • Sudoeste da Austrália
  • Nova Caledónia
  • Nova Zelândia
  • Ilhas da Polinésia e Micronésia (incluindo Hawai)
  • Ilhas da Melanésia Oriental
  • Florestas do leste da Austrália

Novos hotspots de biodiversidade são periodicamente adicionados com base em estudos científicos em novas regiões. Por exemplo, as florestas do leste da Austrália foram o hotspot mais recente a ser adicionado, após os estudos mostrarem que esta região cumpria todos os critérios. Salienta-se que alterações como perda significativa de habitat e a descoberta de novas espécies podem significar que uma dada área que não era considerada anteriormente como hotspot de biodiversidade, pode ser classificada como tal numa reavaliação. Assim, para uma região ser classificada como hotspot de biodiversidade deve preencher 2 critérios:

– deve conter pelo menos 1500 de espécies de plantas vasculares (>0,5% do total mundial) como espécies endémicas;

– tem que ter perdido 70% do seu habitat original.

Estes hotspots de biodiversidade representam apenas 2,3% da superfícies terrestre, mas em conjunto possuem cerca de 50% das espécies endémicas de plantas e 42% das espécies de vertebrados. Dada a riqueza em espécies presente nestas áreas geográficas, estes locais também oferecem serviços de ecossistema essenciais, estimando-se que são responsáveis por cerca de 35% dos serviços de ecossistema globais. Além do mais, estes hotspots de biodiversidade são também o lar de 2,08 biliões de pessoas, acrescentando assim uma importância significativa aos serviços de ecossistema fornecidos por estes ecossistemas. De uma forma geral, estas áreas perderam cerca de 86% do seu habitat original e considera-se que estão significativamente ameaçadas também pelas alterações climáticas.

Alterações climáticas

As alterações climáticas podem provocar alterações nas espécies endémicas presentes nestas áreas, bem como alterar as pressões humanas a que estão sujeitas. Actualmente, não existem evidências de que os actuais hotspots estão a alterar-se. Contudo, estudos paleontológicos mostram que estes pontos moveram-se no passado. Teorias recentes indicam que estes pontos não se irão mover. A maioria dos hotspots de biodiversidade terrestre encontram-se em montanhas tropicais e ilhas. Desta forma, se as espécies se deslocarem em altitude devido às alterações climáticas, provavelmente ficarão mais concentradas. Os hotspots de biodiversidade marinhos estão menos documentados, mas aparentam estar associados a áreas de elevada topografia que poderão reter as espécies ou perde-las.

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References:

  • Mittermeier RA, Turner WR, Larsen FW, Brooks TM, Gascon C (2011) Global biodiversity conservation: the critical role of hotspots. In: Zachos FE, Habel JC (eds) Biodiversity hotspots: distribution and protection of conservation priority areas. Springer, Heidelberg
  • Myers, N. (1988) Threatened biotas: ‘hotspots’ in tropical forests. Environmentalist 8: 187–208
  • Reid, W. V. (1998) Biodiversity hotspots. Trends Ecol. Evol. 13: 275–280
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