Xenobiótico

Os compostos xenobióticos são aqueles que não ocorrem naturalmente nos organismos vivos. São moléculas normalmente produzidas por tecnologias industriais e que introduzem nos sistemas biológicos compostos que não fazem parte do meio natural. A palavra tem origem grega e é composta, precisamente, pela junção do termo xenos = estrangeiro, com ‘biótico’ = relativo aos seres vivos.

Uma elevada quantidade de moléculas xenobióticas tem sido introduzida no meio ambiente desde a revolução industrial, principalmente a partir do século XX. Grande parte destes compostos são produtos aplicados na indústria química e de materiais, tais como, fármacos, corantes agro-tóxicos ou plásticos. Estes compostos podem conter um risco de elevada toxicidade para os sistemas biológicos.

Podem ser também compostos persistentes, ou seja, de difícil degradação e bioacumulativos. Os poluentes que possuem um carácter bioacumulador, persistem nos sistemas biológicos por um período de tempo prolongado e, transitam de nível trófico em nível trófico, já que, são transmitidos ao longo da cadeia alimentar. Incluem-se aqui os compostos orgânicos halogenados, os agroquímicos, os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, os furanos, as hormonas sintéticas e as dioxinas. Os compostos persistentes possuem uma elevada estabilidade química e uma taxa de degradação extremamente lenta.

 

A biorremediação ambiental

Muitas das substâncias xenobióticas possuem elevado potencial mutagénico e cancerígeno. Têm sido investigadas tecnologias capazes de descontaminar os sistemas afectados por estes poluentes. A biorremediação tem sido uma das tecnologias que tem tido grande destaque nesta área. Na aplicação das técnicas de biorremediação são utilizados os organismos vivos como agentes descontaminantes. São geralmente utilizadas espécies vegetais ou de microorganismos para remover os contaminantes presentes no meio ambiente e ou remediar (reduzir) os seus impactos nos sistemas biológicos.

A biorremediação adequa-se ao tratamento de solos contaminados, à descontaminação de águas superficiais e subterrâneas, ao tratamento dos resíduos e efluentes provenientes de processos industriais, ou ao tratamento das zonas de aterro.

 

Vantagens da biorremediação

A biorremediação possui algumas vantagens relativamente a outras tecnologias de tratamento de sistemas poluídos. Dado que, são os próprios sistemas vivos que descontaminam o ambiente, podemos realçar que a biorremediação é um sistema de tratamento não só integrado como também sustentável.

É um sistema integrado porque contribui para a instalação de comunidades biológicas benéficas para o ambiente aumentando, assim, os níveis de diversidade. É sustentável porque os compostos orgânicos poluentes que se encontram associados em moléculas que não são assimiladas pelo sistema biológico, logo, substâncias que são poluentes, passam a ser processadas por organismos que possuem a capacidade fisiológica de desdobrar esses compostos e de aproveitá-los para o seu próprio metabolismo. Desta forma, ocorre uma reciclagem de nutrientes e da sua função dentro do próprio sistema , de uma forma sustentada, sem degradar o ambiente.

 

Referências bibliográficas

Gaylarde, C. C., Bellinaso, M. D. L., & Manfio, G. P. (2005). Biorremediação. Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento, (34), 36-43.

Ricklefs, Robert. (2003). A Economia da Natureza. Guanabara Koogan, 5ª Edição.

Lévêque, C. (2001). Ecologia: do ecossistema à biosfera. Instituto Piaget, Colecção Perspectivas Ecológicas, nº 36.

 

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