Síndrome de Estocolmo

A Síndrome de Estocolmo, diz respeito ao comportamento/reação de vinculação entre uma vítima e o seu agressor.

Síndrome de Estocolmo

A Síndrome de Estocolmo, diz respeito ao comportamento/reação de vinculação entre uma vítima e o seu agressor. Embora ainda esteja pouco explorada, é importante compreender os seus contornos para que se possam criar estratégias de ajuda eficazes.

De acordo com Araguaia (s.d.) a Síndrome de Estocolmo advém de um vínculo afetivo criado entre uma vítima e o seu agressor, o qual é desenvolvido ao longo do tempo em que decorre a agressão e que, a princípio, não se trata de um processo consciente.

O nome da Síndrome de Estocolmo data de 1973, ano em que dois assaltantes invadiram o “Sveriges Kreditbank of Stockholm”, em Estocolmo, e, após uma chuva de tiros, durante os quais os criminosos fizeram seis pessoas de reféns, quando a polícia conseguiu chegar perto das vítimas para as libertar, as mesmas não só recusaram a ajuda como protegeram os criminosos com o seu corpo, servindo mesmo de escudo (Araguaia, s.d.). A par disso as vítimas/reféns dos agressores/raptores culparam os agentes de autoridade do sucedido e uma delas criou um fundo financeiro para ajudar os raptores nas despesas judiciais relativas ao crime (Araguaia, s.d.; Koscis, 2009).

Foi com origem neste marco da história que a Síndrome de Estocolmo, ou Síndrome de Identificação/Vínculo com o Agressor, passou a ser reconhecida como uma patologia proveniente de uma reação ou comportamento, da vítima face ao seu agressor (Araguaia, s.d.). A patologia é menos rara do que se pode imaginar e pode acontecer neste e em outros contextos tais como:

  • Escravos e senhores;
  • Sobreviventes dos campos de concentração;
  • Submetidos a cárcere privado;
  • Vítimas de relacionamentos amorosos disfuncionais;
  • Relações de trabalho extremas de assédio laboral.

(Araguaia, s.d.).

Este fenómeno ocorre quando a vítima é sujeita, durante um longo espaço de tempo, a uma relação de inferioridade e coerção com o agressor, a ameaça de morte ou de danos corporais e/ou psicológicos e a intimidação durante muito tempo (Araguaia, s.d.).

A reação acontece devido à inconsciente necessidade de a vítima criar mecanismos de defesa para lidar com a situação, por estar mentalizada de que não tem salvação possível, adotando para si a condição em que se vê envolvida (Araguaia, s.d.).

Para Bolz (1987, cit in Kocsis, 2009), a Síndrome de Estocolmo acaba por se tornar numa reação de negação aos efeitos da agressão, como forma de a vítima encontrar um meio de sobrevivência.

Vários estudos revistos por Kocsis (2009) vão ao encontro desta teoria dos mecanismos de defesa adotados pelas vítimas que desenvolvem a Síndrome de Estocolmo, quando falam sobre o processo que leva a vítima/refém a criar uma identificação e um vínculo afetivo com o agressor. Tal como dito anteriormente, a vítima desenvolve a Síndrome de Estocolmo como estratégia de defesa inconsciente (Kocsis, 2009).

Começa a haver uma preocupação em não fazer nada que possa provocar a ira do agressor e uma interpretação de suposta simpatia, por parte deste, aquando de atitudes educadas e gentis para com a vítima, o que leva, a pouco e pouco, a uma reação emocional alterada sobre a violência exposta (Araguaia, s.d.).

“Eu ainda era apenas uma criança, e precisava do consolo do toque (humano). Então, após alguns meses presa, eu pedi ao meu sequestrador que me abraçasse.” (Natascha Kampush, cit in Araguaia, s.d.).

Araguaia (s.d.) esclarece que a vítima não passa a identificar-se com o crime a que é sujeita, mas arranja uma forma de sobreviver a uma situação que ela encara como não tendo saída.

Em entrevistas semiestruturadas realizadas por alguns estudiosos junto de pessoas que desenvolveram Síndrome de Estocolmo, foi possível perceber que, por um lado, as pessoas tinham sentimento de solidariedade, mas por outro, também tinham sentimentos de isolação, o que demonstra sentimentos confusos por parte das mesmas (Kocsis, 2009).

Mesmo depois da libertação, muitas vítimas sentem afeto pelos seus agressores, tais como nos casos de violência doméstica em que muitas mulheres, sujeitas a agressões pelos seus maridos, defendem os mesmos e continuam a ama-los e a encontrar justificações para as agressões (Araguaia, s.d.).

Conclusão

A Síndrome de Estocolmo, devido aos seus contornos fora do comum, ainda está pouco explorada no âmbito da psicologia. No entanto, permite verificar os mecanismos de defesa inerentes à condição humana, para lidar com uma situação de perigo, especificamente quando se refere ao vínculo com o agressor, e principalmente, quando o mesmo chega a ter contornos afetivos. É importante salientar que a vítima não se identifica com o crime, mas sim, na tentativa inconsciente de encontrar uma forma de sobreviver, acaba por criar um laço com o agressor.

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References:

  • Araguaia, M. “Síndrome de Estocolmo”; Brasil Escola. Disponível em http://brasilescola.uol.com.br/doencas/sindrome-estocolmo.htm. Acesso em 27 de maio de 2016.
  • Kocsis, R.N. (2009). APPLIED CRIMINAL PSYCHOLOGY. A Guide to Forensic Behavioral Sciences. S.A.: Springfield Illinois.
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