Psicopatologia no senescente

A psicopatologia no senescente trata-se da perda gradual de funções psíquicas de que o indivíduo vai começando a padecer, à medida que a idade avança.

Psicopatologia no senescente

A psicopatologia no senescente trata-se da perda gradual de funções psíquicas de que o indivíduo vai começando a padecer, à medida que a idade avança.

Segundo Vargas (2004) o envelhecimento faz parte do desenvolvimento do indivíduo e caracteriza-se pela perda de capacidade para se adaptar aos diferentes contextos, bem como pela vulnerabilidade a que, gradualmente, o mesmo fica, no que concerne à saúde do seu organismo.

Para Soares (2005) a psicopatologia é inerente à condição humana, ao longo do envelhecimento, já que o ser humano é, naturalmente, imperfeito, o que o torna, por si só, um ser mortal.

Apesar de não ser fácil fazer uma correta avaliação da saúde mental do senescente devido às dificuldades de cooperação do mesmo para com a entrevista de avaliação psicológica, é certo que um dos grandes sinais de que começa a nascer um quadro de psicopatologia é a presença de senilidade (Vargas, 2004).

No entanto, sabemos que a psicopatologia se relaciona, também, com o início do desfasamento entre a resposta que o corpo consegue dar e o tempo, ou seja, as situações do dia a dia, continuam a manter-se, enquanto que o corpo já não consegue dar as mesmas respostas, trazendo cada vez mais dificuldade em adaptar as duas variáveis (Soares, 2005).

No campo da senilidade, Soares (2005) refere que a mesma é avaliada pelo geriatra.

Do ponto de vista da psicanálise verifica-se que a psicopatologia no senescente assenta ainda na capacidade associada às pulsões, que, habitualmente, passa por um processo semelhante ao da fase de desenvolvimento caracterizada na adolescência, principalmente a respeito do desencadear de neuroses e de melancolia.

Freud entendia que as dificuldades do idoso em adaptar-se a cada situação, estavam relacionadas com o hábito ou com a receptividade que fazia com que os mesmos quase que ficassem bloqueados nesse sentido, devido ao facto de seguir sempre mesmo padrão (Soares, 2005).

De acordo com Weschler, a base para podermos verificar a senilidade é comparação entre que o indivíduo ainda consegue fazer e aquilo que já não consegue (Vargas, 2004).

Segundo Vargas (2004) isto significa que o desenvolvimento de uma psicopatologia no senescente começa por uma diminuição, primeiro ténue, depois, cada vez mais profunda do desempenho de funções que o indivíduo, anteriormente, era perfeitamente capaz de exercer.

Para Soares (2005) a psicopatologia do senescente é, sobretudo, caracterizada por lesões ou disfunções químicas, analisadas por psiquiatras e neurologista. No que diz respeito à avaliação da perda gradual das funções superiores, ou seja, da memória, da inteligência e da imaginação, é realizada pelo psicólogo, tendo em conta a interação do senescente, através destas capacidades, com o meio ambiente onde está inserido (Soares, 2005).

Para fazer uma avaliação adequada no que concerne às capacidades ou à falta das mesmas, no indivíduo senescente, é necessário que se disponha de uma equipa multidisciplinar formada pelo geriatra, pelo psiquiatra, pelo psicólogo, pelo enfermeiro e pelo assistente social (Vargas, 2004). No entanto, é importante ter em mente que, mais do que a perda das capacidades anteriormente existentes, a equipa deve concentrar-se, prioritariamente, naquilo que o senescente ainda é capaz de fazer e apostar nessas mesmas competências (Vargas, 2004).

Desta forma, promove-se as coisas positivas relacionadas com as capacidades mentais, no sentido de as estimular, tendo em conta a noção de que o senescente tem em relação à sua condição enquanto indivíduo mais velho, bem como a sua capacidade para aceitar o meio envolvente (Vargas, 2004).

Em relação à intervenção realizada pela equipa multidisciplinar, existem duas situações a ter em conta, que se tornam paradoxais, isto é, por um lado há a preocupação em evitar o desgaste das funções funcionais que o idoso tem, por outro, é preciso ter em mente que as mesmas devem ser trabalhadas para que se desenvolvam de forma saudável (Vargas, 2004).

Alguns dos sinais de psicopatologia no senescente apresentam-se como:

  • Perda da memória a curto prazo
  • Recuo da memória a acontecimentos passados, de forma cada vez mais nítida
  • As memórias mais complexas são mais rapidamente afetadas
  • A perda de memória começa das mais abstratas para as mais concretas.

(Vargas, 2004).

Conclusão

A psicopatologia no senescente é, sobretudo, observada na comparação entre as capacidades psíquicas atuais e as que o indivíduo tinha até começarem os sintomas. Nesse sentido é importante que o mesmo seja avaliado por uma equipa multidisciplinar que se foque, essencialmente, nas competências ainda em atividade, mais do que nas incapacidades já apresentadas.

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References:

  • Soares, Flávia Maria de Paula. (2005). O conceito de velhice: da gerontologia à psicopatologia fundamental. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental. Vol III, nº1, março, 2005, pp.86-95. (Vargas, 2004);
  • Vargas, H.S. (2004). ASPECTOS PSICOLÓGICOS E PSICOPATOLÓGICOS DO ENVELHECIMENTO. Semina, 8(2): 203-207. uel.br/revistas/uel/index.php/seminabio/article/viewFile/…/5698.
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