Pata Negra

Este teste foi criado entre 1959 e 1961 por Louis Corman, psiquiatra que dirigiu o Centro Médico-Psicológico de Nantes.

PATA NEGRA

Fundamentos teóricos                                               

Este teste foi criado entre 1959 e 1961 por Louis Corman, psiquiatra que dirigiu o Centro Médico-Psicológico de Nantes. Tem como objectivo explorar a mente infantil através da apresentação de cartões lúdicos em que se observa a história e um pequeno porquinho e a sua família. Devido ao facto de se tratar de uma prova ilustrada sob a figura de animais, geralmente as crianças acolhem-na de bom grado, podendo contar uma história em cada cartão.

            Pata Negra é inspirado no Blacky Pictures Test de G.S. Blum (1950).

            Baseando-se na teoria psicanalítica dos estádios e subestádios de desenvolvimento libidinal, manuseia-se pela escolha livre de cartões, com o fim de observar e compreender a mente infantil de uma forma ampla. Para tal, Corman utiliza o herói da história como objecto com o qual à partida a criança se irá identificar e deste modo, ele conseguira compreender o processo edipiano característico desta fase de desenvolvimento do psiquismo e através deste, explorar o mundo inconsciente desta fase da mente humana.

Modos de utilização

Destina-se a crianças entre os 4 e os 10 anos, mas é mais eficaz a partir dos seis, fase em que a criança já adquiriu capacidade para fazer escolhas. A partir dos 10, pode ou não ser aceite devido ao tipo de material apresentado e à fase de desenvolvimento em que a criança se encontra.

            No caso das crianças mais novas, pode ser de mais fácil aplicação devido à vertente afectiva. Possui um aparelho teórico que permite a homogeneidade e utilização, e por ser uma prova lúdica com desenhos e animais, permite perceber os mecanismos conscientes e inconscientes, através da linguagem, e apela ao dinamismo. Permite ainda compreender o processo de identificação-identidade, testando as capacidades e individuação e referências geracionais e sexuais. Uma vez que apela a imagens figurativas de animais adultos e ainda pequenos, mostra claramente as escolhas e a relação mãe-filho.

            O Pata Negra estuda o narcisismo através da imagem de si e do corpo, e aplicado em vários momentos, possibilita a comparação como o confronto ou contraprova com as informações iniciais.

               É uma prova essencialmente usada no hospital ou nas escolas devido ao facto de ser extensa e portanto, não aplicável em contexto de consulta devido à escassez de tempo.

 Modo de aplicação

            A criança é que escolhe a ordem de apresentação de imagens, selecciona, classifica e dispõe os cartões à sua frente. Pode escolher todos, alguns ou mesmo nenhuns. O facto de ser a criança a manipular livremente os cartões, obriga a uma actividade psicológica que demonstra o equilíbrio entre o corpo e a simbologia.

            A forma como ela dinamiza a história que conta, permite uma observação dupla, isto é, a criança escolhe os cartões que mais gosta, apelando para isso ao princípio do prazer, e o facto de escolher, apela à consciência da sua preferência, pois necessita de seleccionar. Deste modo temos acesso a conteúdos conscientes e inconscientes.

            O Pata Negra liga afecto e representações, bem como as próprias representações entre si, já que a criança conta a história do porquinho e daqueles que o rodeiam, estando aqui patentes as imagens de identificação. Se a história for contada sequencialmente, à partida terá um fio condutor, mostrando que a criança já é dotada de um nível de maturação adequado à capacidade de organização, marcado por defesas e pulsões. No caso das crianças mais pequenas, devido ao seu estádio ainda precoce, é mais difícil verificar uma sucessão sequencial de acontecimentos ao longo da história.

Relação criança-clínico

Em princípio será de permissividade para favorecer a espontaneidade. Pode jogar à vontade, contando a história imaginária dos porcos e dizendo os seus desejos.

            Quando o psicólogo intervém perguntando porquê? Quem?, repetitivamente, pode tornar-se intrusivo na medida em que inicialmente a criança falava livremente e agora tem de responder às questões do adulto, havendo aqui um paradoxo “liberdade/coerção” em que a criança normalmente responde pela restrição e inibição dando preferência ao que mais gosta.

            Para melhor preparação de aplicação, sugere-se que a criança conte as histórias com todas as imagens, tanto as que gosta como as que não gosta. Poderá ser perguntado ao fim, quem a criança gostaria de ser, apesar de ela não ser obrigada a identificar-se com nenhuma das personagens.

 

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