Obesidade e autoestima

A obesidade e a autoestima, relacionam-se devido às experiências psicossociais negativas a que está, frequentemente, sujeito.

Obesidade e autoestima

A obesidade e a autoestima, relacionam-se devido às experiências psicossociais negativas a que está, frequentemente, sujeito. Trata-se, portanto, na maioria dos casos, de uma relação inversa, sendo que, quanto maior for o nível de obesidade, menor será a autoestima.

Para Melo, Serra e Cunha (2010) a obesidade é considerada, atualmente, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) uma epidemia mundial, principalmente durante a infância devido aos impactos psicossociais.

Trata-se de uma doença crónica, progressiva que se deve ao excesso de gordura corporal acumulada e coloca o índice de massa corporal (imc) acima do valor saudável para o organismo do indivíduo (Melo, Serra, & Cunha, 2010).

Esta doença tem um impacto duplo na vida da pessoa uma vez que acarreta consequências não só orgânicas como psicossociais, porque leva a muitos comportamentos de estigmatização, tais como o isolamento, devido à condição física, o que afeta, imediatamente, a autoestima (Melo, Serra, & Cunha, 2010).

De referir que, apesar das consequências nefastas que pode trazer, muitas vezes, o indivíduo não considera a obesidade como uma doença, embora estejam presentes os sentimentos negativos associados a ela como a ausência de confiança e a autoestima baixa (Pinto, 2015).

Nesse sentido, ele acaba por desenvolver alguns sintomas e sentimentos negativos associados à obesidade, tais como ansiedade, depressão, culpa, angústia, fracasso, baixa autoestima, etc pelo que, no caso das crianças obesas, habitualmente, à medida que crescem, esta começa a diminuir, principalmente devido à reação negativa dos pais em relação ao seu peso (Melo, Serra, & Cunha, 2010; Pinto, 2015).

Indo ao encontro destes estudos, observa-se ainda, pelos trabalhos de Pinto (2015) sentimento de insegurança, tendência para o sedentarismo, falta de cuidado com a alimentação, entre outras características inerentes à condição física, nas pessoas obesas, que se traduzem ainda em complexos de inferioridade e problemas afetivos.

Todas estas questões, à medida que o indivíduo se desenvolve e se torna adulto, vão-se traduzindo em problemas no convívio social, na vida afetiva e sexual, na vida profissional e, ainda mais grave, no cuidado a ter em relação à saúde (Melo, Serra, & Cunha, 2010).

Na maioria dos casos, há a ideia de que “pessoas gordas devem namorar pessoas gordas e pessoas magras devem namorar pessoas magras”, pelo que se pode observar aqui, claramente, a presença do preconceito no que diz respeito à obesidade e à autoestima (Pinto, 2015).

Perante este panorama parece evidente que há necessidade de intervenção ao nível da autoestima de pessoas obesas, quer no que diz respeito à reformulação da sua dieta, quer no que concerne a estratégias a utilizar para monitorizar o seu autocontrolo (Pinto, 2015).

Para que as técnicas sejam eficazes é fundamental introduzir reforços recompensadores na educação alimentar destes indivíduos (Pinto, 2015).

Tendo em conta o conjunto de variáveis que é influenciado pela condição da obesidade, podemos compreender em que medida é que a autoestima do indivíduo sofre consequências negativas significativas (Melo, Serra, & Cunha, 2010).

Por outro lado e apesar de os estudos, na sua maioria, demonstrarem uma relação significativa entre a obesidade e a autoestima, existem algumas pesquisas que também sugerem que a variável autoestima, a ansiedade e a depressão, podem não estar realmente relacionadas com a condição obesa, no indivíduo (Pinto, 2015). Estas afirmações defendem, não que as variáveis mencionadas não se relacionam com a obesidade, mas que nem sempre essa relação se mostra evidente, ou seja, uma não é facto obrigatório para que se observe a existência das outras (Pinto, 2015).

Outros estudos, mostram mesmo que nem sempre a baixa autoestima é associada à obesidade, já que os indicadores mostram ausência de preocupação com o peso em indivíduos obesos além de que os indivíduos que convivem com os mesmos afirmam que estes parecem ser felizes e despreocupados não só com a sua condição física mas também com a opinião alheia (Pinto, 2015).

De referir ainda no que concerne aos cuidados com a saúde, que os estudos indicam maiores dificuldades sentidas pelas mulheres obesas em fazer os exames necessários, tais ginecológico e exame da mama, do que os homens, quando precisam de fazer algum tipo de exame (Melo, Serra, & Cunha, 2010). Muitas mulheres chegam mesmo a evitar fazer os exames necessários (Melo, Serra, & Cunha, 2010; Pinto, 2015).

Além disso as mulheres obesas parecem ser mais suscetíveis de desenvolver sintomas depressivos do que os homens (Pinto, 2015).

Conclusão

Verifica-se que a obesidade é uma doença progressiva e que afeta significativamente a autoestima, no entanto, nem sempre é vista e tratada como tal. Na maioria dos casos o indivíduo tende a desenvolver sintomas de depressão e ansiedade, embora existam situações em que a doença não afeta a sua autoestima e a sua vida psicossocial. No entanto, habitualmente, questões como isolamento, insegurança, estigmatização e preconceito, parecem ser as situações mais problemáticas da vida destes indivíduos pelo que urge a intervenção no sentido da reeducação alimentar, especialmente devido à degradação da saúde que a doença provoca.

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References:

  • Melo, Vinicius Lins Costa, Serra, Paula Januzzi, & Cunha, Cristiane de Freitas (2010). Obesidade infantil – impactos psicossociais. Rev Med Minas Gerais 2010; 20(3): 367-370. http://rmmg.org/artigo/detalhes/374;
  • Pinto, F.N.F.R. (2015). AUTOIMAGEM E OBESIDADE: A REALIDADE E SUAS CRENÇAS. [em linha] PT O PORTAL DOS PSICÓLOGOS. www.psicologia.pt.

 

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