Gripe

A gripe é uma doença infecciosa aguda das vias respiratórias de origem viral, provocada pelo vírus Influenza, que infecta diferentes espécies (…)

A gripe é uma doença infecciosa aguda das vias respiratórias de origem viral, provocada pelo vírus Influenza, que infecta diferentes espécies (humanos, aves, suínos…). É normalmente uma doença de curta duração que, apesar de debilitante durante a sua progressão, acaba por ter uma evolução benigna e fica resolvida ao fim de uma a duas semanas, sem outras complicações. Nos humanos surge sobretudo nas épocas mais frias do ano (no hemisfério norte entre Novembro e Março e no hemisfério sul entre Abril e Setembro), sendo por isso designada como gripe sazonal.

O vírus Influenza pertence à família Orthomyxoviridae e divide-se em três tipos: A, B e C. Apresenta um genoma de RNA que facilmente sofre mutações que provocam alterações nas estruturas proteicas do vírus. Estas mutações traduzem-se numa enorme capacidade do vírus se alterar, sendo esta a sua estratégia para conseguir sobreviver e a razão pela qual o sistema imunitário não consegue dar uma resposta eficaz, mesmo já tendo sido infetado por uma estirpe semelhante, e a razão pela qual a vacina contra a gripe sazonal tem uma composição diferente todos os anos. Os vírus Influenza A são os mais sujeitos a estas mutações e classificam-se em subtipos, de acordo com as proteínas de superfície: hemoglutina (H) responsável pela entrada do vírus nas células que vai infetar e na neuraminidase (N) que permite a libertação de novos vírus. Atualmente conhecem-se 16 tipos diferentes de hemaglutina e 9 tipos diferentes de neuraminidase e é das diferentes combinações que surgem os diferentes subtipos (por exemplo H5N1, H1N1). O Influenza A infecta normalmente aves, contudo, devido a estas mutações ocasionalmente emerge um subtipo que consegue infetar humanos, sendo responsáveis quer por epidemias sazonais quer pelas grandes pandemias de gripe. O Influenza B sofre menos mutações, estando relacionado com epidemias mais localizadas. O tipo C é mais estável, não tendo grande impacto na saúde humana.

A transmissão da doença é feita de pessoa para pessoa, através de partículas de saliva que contêm o vírus expelidas quando a pessoa doente tosse, espirra ou fala e que são inaladas, ou através do contacto direto com essas secreções, por exemplo através das mãos. Esta transmissão do vírus é muito fácil, sobretudo quando há uma maior proximidade com a pessoa doente e em situações de maior aglomeração de pessoas (escolas, empresas, salas de espera…). O tempo frio facilita também esta transmissão já que o vírus se consegue manter vivo durante mais tempo no ambiente (nas mãos, nos objetos…). Depois de entrar pelo nariz, o vírus multiplica-se e dissemina-se através das vias respiratórias até aos pulmões.

Os primeiros sintomas surgem geralmente 2 a 5 dias após a infeção e manifestam-se através de um início súbito de mal-estar, febre alta, dores musculares e articulares, dores de cabeça, tosse seca e inflamação nos olhos. Nos bebés surge febre e prostração bem como sintomas gastrointestinais (náuseas, vómitos e diarreia) além das manifestações respiratórias (laringite e bronquiolite). A gravidade dos sintomas e o prognóstico da doença depende da resposta do sistema imunitário de cada indivíduo. Por isso, estão identificados grupos de risco cuja resposta imunitária é menos eficaz (idosos e doentes crónicos ou imunodeprimidos) e que apresentam normalmente sintomatologia mais severa, maior risco de complicações (pneumonia, agravamento de doença crónica – asma, diabetes, doença cardíaca, pulmonar ou renal) e maior mortalidade. A vacinação é também dirigida aos profissionais que possam transmitir a doença a outras pessoas de risco (médicos, enfermeiros, funcionários de lares de idosos…)

O diagnóstico da gripe é essencialmente clínico, através da identificação dos sintomas. Em casos excecionais pode ser feito diagnóstico laboratorial, mas por ser dispêndios e moroso, é na maior parte das vezes dispensado.

O tratamento da gripe é, na maior das vezes, sintomático com recurso a antipiréticos, analgésicos e descongestionantes. Além disso é essencial na recuperação o repouso, uma boa alimentação e o aumento da ingestão de líquidos. Existem alguns medicamentos antivirais que podem ser utilizados quer no tratamento quer na prevenção da gripe. Quando tomados antes da infeção ou antes do aparecimento dos primeiros sintomas, podem evitar a doença ou reduzir a sua duração e gravidade. No entanto, sendo a gripe uma doença com uma evolução benigna e tendo em conta os efeitos secundários associados a estes medicamentos, são apenas utilizados em situações excecionais. Considerando que é uma infeção viral, não existe razão para a administração de antibióticos, exceto nos casos em que surja como complicação uma infeção bacteriana.

Tão importante como o tratamento é a prevenção, que pode ser feita a dois níveis: prevenção do aparecimento da doença (vacinação) e prevenção do contágio (lavar frequentemente as mãos com água e sabão, tapar o nariz e a boca ao tossir ou espirrar com um lenço ou com o antebraço, usar lenços de papel de utilização única… ). Todos os anos, ao iniciar-se a época gripal inicia-se também uma campanha de vacinação contra a gripe sazonal, dirigida sobretudo aos indivíduos pertencentes aos grupos de risco. Como as estirpes de vírus em circulação em cada ano são diferentes, a vacina da gripe é também diferente em cada ano. Por este motivo, e porque a produção da vacina é demorada, só se consegue produzir uma quantidade limitada de vacinas. Daí que a vacina não seja dirigida a toda a população, mas sim especialmente aos indivíduos pertencentes aos grupos de risco. Sabe-se que as estirpes circulantes no final da época anterior serão semelhantes às que estarão em circulação na época seguinte, sendo com esta base que é determinada a composição da vacina da gripe em cada ano. A vacina poderá não proteger a 100% contra todas as estirpes em circulação, mas mesmo nesse caso, num indivíduo vacinado que seja infetado a gravidade dos sintomas será menor.

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