Colecistite Aguda

Definição

A colecistite aguda é uma doença inflamação aguda da vesícula biliar. Subdivide-se em litiásia e em alitiásica consoante a etiologia.

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1. Colecistite Aguda Litiásica

Causas

Este tipo de colecistite é causada por neoformações litíásicas, cuja dimensão é capaz de provocar a obstrução do ducto cístico.

Consequentemente ocorre a inflamação da vesícula, bem como uma série de alterações que vão desde a sua distenção, ao edemaciamento das paredes vesiculares e a um aumento da pressão venosa.

 

 

Manifestações Clínicas

O sintoma mais característico é a dor constante no quadrante superior direito, que pode ter início na região periumbilical. Esta dor tem instalação súbita e irradia frequentemente tanto para o rebordo costal, como para a região escapular direita.

A par da dor, surgem por vezes outros sintomas acompanhantes, como anorexia, náuseas, vómitos, febre alta e taquicardia.

 

Diagnóstico

1. Exame Físico

Além dos sinais já referidos nas manifestações clínicas, haverá possivelmente alguma sensibilidade e possível defesa à palpação no quadrante superior direito ou no epigástrio e, mais raramente, será possível observar icterícia.

O sinal mais característico no exame físico é o chamado sinal de Murphy, que diz respeito à interrupção súbita da inspiração, durante a palpação profunda do hipocôndrio direito.

2. Análises laboratoriais

As análises podem confirmar a existência de um processo inflamatório, com indicação de leucocitose.

3. Ecografia abdominal

A ecografia é o exame complementar de diagnóstico de primeira linha, pois a vesícula está numa posição favorável à avaliação por ecografia. Na presença de uma colecistite aguda é possível observar as seguintes alterações:

  • Edema da parede vesicular;
  • Espessamento parietal superior a 3 mm;
  • Derrame perivesicular;
  • Presença de litíase ou de lama vesicular;
  • Sinal de Murphy ecográfico – diz respeito à exacerbação de dor quando é exercida pressão no hipocôndrio direito com a sonda durante o exame.

 


Tratamento

O tratamento gold standard é a colecistectomia, que deverá ser realizada nas 48 horas iniciais após o início das manifestações clínicas.Este procedimento pode cursar com algumas complicações, nomeadamente complicações pulmonares, icterícia e, por fim, sépsis.

A terapêutica conservadora está indicada caso sejam ultrapassadas as 48 horas iniciais ou na existência de contra-indicações que desaconselhem a realização de uma colecistectomia.

Esta passa inicialmente por manter o jejum, hidratação endovenosa e antibioterapia. Após esta abordagem, deve-se agendar o procedimento cirúrgico a partir de 6 semanas depois.

Uma terceira opção é recorrer a uma colecistostomia percutânea urgente. Trata-se de um procedimento útil principalmente em doentes com contra-indicações para uma colecistectomia, mas cujo estado geral sofreu um agravamento acentuado. A técnica consiste na drenagem estéril da bílis, desde o interior da vesícula, com recurso a acesso percutâneo com controlo ecográfico ou por TC.

Complicações

A colecistite se não tratada, pode revelar algumas complicações importantes, capazes de por em risco a vida do indivíduo, entre as quais estão:

  • Gangrena, que pode conduzir a peritonite;
  • Perfuração da vesícula biliar, que pode levar à formação de abcesso e consequente peritonite;
  • Empiema vesicular;
  • Fístula digestiva;
  • Colangite.

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2. Colecistite Alitiásica

Definição

A colecistite alitiásica é uma patologia mais rara, representando cerca de 5-10% dos casos totais de colecistite. Está porém associada a uma maior taxa de complicações, como gangrena e perfuração, mas também a uma maior morbilidade e mortalidade, quando comparada com a colecistite litiásica.

Etiologia

É geralmente provocada em consequência de estase biliar, ocorrendo geralmente em doentes com co-morbilidades relevantes, como sépsis, VIH, diabetes, doentes em suporte de ventilação mecânica ou nutrição parentérica, etc. Em doentes muito debilitados, desidratados e com episódios de febre, é frequente surgir como consequência o aumento da viscosidade biliar. Além disso, em indivíduos que não se alimentam por via oral durante algum tempo, a contração vesicular diminui pelo decréscimo da concentração de colecistoquinina.

 

Diagnóstico

O principal exame complementar de diagnóstico é também a ecografia abdominal, capaz de revelar achados como a presença de vesícula distendida, espessamento das paredes e fluido perivesicular.

Tratamento

Na maioria dos casos, a principal abordagem é uma colecistectomia, tanto por laparoscopia, como por via aberta.

Contudo, em doentes com contra-indicações para a realização de cirurgia, sugere-se a realização de uma colecistostomia percutânea, no qual o cateter deve ser mantido até 3 semanas.

Referências Bibliográficas

[1] http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/000264.htm

[2] http://radiopaedia.org/articles/acute-cholecystitis

[3] http://www.msdmanuals.com/professional/hepatic-and-biliary-disorders/gallbladder-and-bile-duct-disorders/acute-cholecystitis

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