Serialismo Total

O serialismo total é, essencialmente, uma reinterpretação do dodecafonismo de Schönberg, que só tinha em conta a altura dos sons. Os principais representantes deste estilo foram Olivier Messiaen, Karlheinz Stockhausen e Pierre Boulez.

Origem do serialismo total

O método dodecafónico, nos anos 20, abriu um novo caminho para os compositores, ao preencher o espaço vazio deixado pela crise da tonalidade. Os músicos tinham à sua disposição uma linguagem coerente que lhes permitia organizar os sons ao longo da obra musical. Esta descoberta deveu-se a Schönberg (1874-1951), que estabeleceu o método, mas foi um dos seus discípulos, Webern (1883-1945), a deixar uma porta aberta para o serialismo total que se instalaria poucas décadas depois. Ao contrário do seu mestre, Webern aplicou o princípio da série não só à altura dos sons mas também à duração, intensidade e timbre.

Entre a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais o neoclassicismo foi o sistema musical vigente na Europa. Depois da Segunda Guerra, numa atitude reaccionária relativamente ao neoclassicismo, despontou o interesse pelo sistema dodecafónico, não o original, preconizado por Schönberg, mas o dodecafonismo que Webern utilizara. Foi o teórico René Leibowitz (1913-1972) a iniciar os jovens músicos europeus nas técnicas seriais.

Messiaen

O músico francês Olivier Messiaen (1908-1992) foi decisivo para o desenvolvimento do serialismo total, ao aplicar a técnica serial não só à altura dos sons, como à duração, intensidade e ataque do som. Em «Mode de valeur et d’intensité» (Modo de valor e intensidade, 1949-1950), Messiaen organizou sistematicamente as durações do som. Esta obra foi revelada em Darmstadt, cidade que se viria a converter no primeiro centro difusor do serialismo.

O compositor teve duas fontes de inspiração: a música hindu no campo rítmico e os ruídos e sonorizações naturais que ouvia e procurava transcrever com a maior exactidão possível.

Boulez e Stockhausen

A música de Boulez (1925-2016) procurava expressar o seu conteúdo poético e sensual através de uma organização rigorosa dos elementos sonoros. A evolução da sua música acompanhou, lentamente, o propósito de organização total e de espaço sonoro inerente à escrita serial. A sua obra-prima, «Le Marteau sans Maître» (O Martelo sem dono, 1954) baseia-se num determinismo matemático admirável mas o conceito de série já tinha sido aplicado em «Polifonia X» (1951) e «Estruturas» (1952).

Stockhausen (1928-2007) concluiu que o serialismo total poderia controlar todo e qualquer aspecto do som e demonstra-o na sua obra «Gruppen» ao utilizar uma escala de doze tempos, tocada por três orquestras, afastadas entre si, cada uma com o seu maestro.

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References:

Albet, M. (1979). A Música Contemporânea. Salvat Editora do Brasil, S.A: Rio de Janeiro.

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