Seixas, Carlos

Vida e obra do compositor, organista, cravista e professor português Carlos Seixas (1704-1742).

Nascimento 11 de Junho de 1704, Coimbra, Portugal
Morte 25 de Agosto de 1742, Lisboa, Portugal
Família Esposa: Maria Joana Tomásia da Silva (5 filhos em comum)
Ocupação Compositor, organista e cravista
Principais obras Sinfonia em Sib M para orquestra de cordas e baixo contínuo; Abertura em Ré M; Concerto em Lá M para orquestra de cordas e cravo; 94 sonatas  e/ou toccatas atribuídas

Vida

José António Carlos de Seixas nasceu em Coimbra a 11 de Junho de 1704. Iniciou os seus estudos musicais com o seu pai, Francisco Vaz, organista da sé da cidade, adquirindo uma destreza notável no órgão. No dia 9 de Fevereiro de 1718, com quatorze anos de idade, substitui o pai nas suas funções de organista. Este viria a falecer ainda no mesmo mês.

Parte para Lisboa em 1721, com uma sólida reputação. Torna-se organista na Santa Basílica Patriarcal de Lisboa e na Capela Real. Ao mesmo tempo, ensina cravo nas casas da corte e dedica-se à composição.

A 8 de Dezembro de 1731, casa-se com Maria Joana Tomásia da Silva, com quem tem cinco filhos. Morre no dia 25 de Agosto de 1742, de febre reumática, com apenas 38 anos de idade. Nesta altura, já era mestre da Capela Real.

Obra

Carlos Seixas é o compositor português de música para tecla mais proeminente da primeira metade do século XVIII, criando um estilo próprio português (não obstante as influências italiana e francesa), imitado durante algum tempo depois da sua morte.

Ao contrário dos seus contemporâneos Francisco António de Almeida, António Teixeira e João Rodrigues Esteves, bolseiros da coroa portuguesa em Roma, Seixas parece nunca ter saído de Portugal. Formou-se na escola do seu pai, provavelmente herdeira da tradição organística do século XVII.

O músico compôs, de acordo com testemunhos da época, mais de 700 toccatas ou sonatas. No seu caso, o título toccata ou sonata foi atribuído de forma indiferente, dado que significam a mesma coisa: peças para cravo, clavicórdio ou órgão. Salientar, ainda, que algumas das suas composições lembram a forma da suite, com a inclusão de minuetes, gigas e outros andamentos. A sua predilecção pelo minueto é notória.

A técnica de Seixas era bastante desenvolvida e exigente mas é no domínio da invenção melódica, especialmente nos andamentos lentos e minuetos, que é possível encontrar a grande marca da sua obra: um característico afecto melancólico ou saudoso que originou escola portuguesa que se distingue das outras pela sua forma de expressão. De acordo com Santiago Kastner: “É essa alma poética e dedicada que imprime a esta arte o cunho do “estilo português” (…) “Como qualidades apontaremos a sobriedade, a compreensão imediata do discurso estético, a simplicidade, a despreocupação na mistura do aristocrático requintado com o místico saudável, a vitalidade”.

A influência de Domenico Scarlatti na sua obra tem sido motivo de discussão. Recordar que o compositor italiano foi contratado pelo rei D. João V, em 1719, para exercer funções de Mestre da Capela Real portuguesa e ensinar cravo à Infanta Dona Maria Bárbara. Pouco depois, Carlos Seixas foi contratado como organista da Capela Real e parece que Scarlatti terá ficado impressionado com o talento e virtuosismo do músico português. José Mazza, falecido por volta de 1798/99, contou, no seu Dicionário Biográfico de Músicos Portugueses, que o infante D.António sugeriu a Seixas ter lições com Scarlatti e que este respondeu que deveria acontecer o oposto. Este episódio pertence ao campo das suposições mas de que os dois se tenham conhecido e que tivessem estabelecido uma relação durante os oito anos que o músico italiano passou em Portugal não existem dúvidas.

Além da música para teclas chegaram até nós um concerto de cravo e orquestra de cordas, duas obras orquestrais e algumas obras sacras. De facto, devido ao terramoto de 1755, grande parte da sua produção musical terá desaperecido, mas aquela que chegou aos tempos de hoje é suficiente para afirmar a importância e contributo do compositor para a música portuguesa.

Durante o século XIX a obra e o nome do músico desapareceram. Foram redescobertas pelo compositor Ivo Cruz que patrocinou apresentações públicas da música de Carlos Seixas na década de 1930 e pelo musicólogo britânico Santiago Kastner, radicado em Portugal pela mesma altura. A ele se devem várias publicações dedicadas a Seixas.

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References:

D’Alvarenga, J.P. (nd). Carlos Seixas: um esboço biográfico e uma leitura sintética da sua obra. Em http://www.academia.edu/1364407/Carlos_Seixas_um_esbo%C3%A7o_biogr%C3%A1fico_e_uma_leitura_sint%C3%A9tica_da_sua_obra

Ferreira, A. (nd). Carlos Seixas (1704-1742). Em http://www.editions-ava.com/pt/store/composer/23/

 

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