Ornatos Violeta

Os Ornatos Violeta foram um grupo de rock alternativo formado em 1991, na cidade do Porto, composto por Manuel Cruz (voz), Peixe (guitarra), Kinörm (bateria), Nuno Prata (baixo) e Elísio Donas (teclado). Com apenas dois álbuns publicados, «Cão» e «O monstro precisa de amigos», são ainda uma referência no panorama da música portuguesa, embora se tenham separado em finais do ano 2000.

Os anos das “experiências”

Os membros dos Ornatos Violeta eram amigos na Escola Secundária Soares dos Reis, com a excepção de Elísio Donas. Aliás, originalmente, a banda foi chamada, ironicamente, de“Suores dos Reis”, até ao dia em que Kinorm se terá apaixonada pela palavra “ornato”, que encontrou casualmente num dicionário.

Foi esta amizade e proximidade entre eles que marcou os primeiros seis anos da banda, nos quais não produziram álbuns, mas apresentaram-se regularmente em público, inclusive em França e Alemanha. Foram anos de experiências várias, onde se entusiasmavam com qualquer coisa que ouviam e experimentavam-na à maneira deles. Nas palavras de Manuel Cruz: “Nós sempre fomos muito permeáveis e muito esponja das coisas. Às vezes até demasiado, mas faz parte do processo criativo das coisas: pões a hipótese de fazer tantas coisas que fazes coisas que não têm nada a ver contigo. No percurso dos Ornatos há coisas muitos díspares; muitas delas as pessoas felizmente nunca conheceram” (…) “A nossa identidade passava muito por uma falta de identidade muito vincada. Entusiasmávamos-nos com coisas muito díspares e éramos muito inconstantes. Associado ao facto de sermos muito amigos, as coisas pendiam para o lado da diversão. Tudo isso misturado leva a que experimentes muita coisa. Embora tenhamos tido uma peneira, as coisas foram sempre muito diferentes” (em entrevista à Blitz).

Cão!

Em 1997, os Ornatos Violeta lançaram o seu primeiro álbum, «Cão», do qual foram retirados os singles «Punk Moda Funk», «Mata-me Outra Vez» e «Dama do Sinal». Este trabalho contou com a participação especial de Manuela Azevedo, vocalista dos Clã, nas faixas «Líbido» e «Letra S».

O álbum vendeu aproximadamente três mil cópias, pelo que não um grande sucesso de comercial. Mas os dados já estavam lançados. Nesta altura, como admitiu Elísio Donas em entrevista aos Sons, em 1997, o som era já muito mais rock, estavam menos adocicados e pop. Além da sonoridade, as letras de Manuel Cruz e a energia da banda em concerto, tinham começado a cativar os primeiros fãs.

O percurso discreto do álbum nas tabelas de vendas não desmoralizou nem a editora, nem o próprio grupo. Como explicou Manuel Cruz: “Não me lembro de ficarmos muito parados aí, porque o processo é assim com todas as bandas: elas vão andando e lutando, com um certo orgulho de terem ali uma coisa especial em que as pessoas ainda não notaram” (…) Nós sabemos que nós é que temos de nos esforçar por fazer as coisas boas, não são as pessoas que têm de esforçar-se por gostar daquilo que nós fazemos” (em entrevista à Blitz).

O monstro precisa de amigos

A pequena plateia de fãs cresceu exponencialmente dois anos depois, quando os Ornatos Violeta lançaram o seu segundo álbum, «O monstro precisa de amigos». Este era já mais maduro, menos agressivo e mais envolvente do que o seu predecessor. A crítica rendeu-se unanimemente e ainda hoje este é considerado um dos melhores álbuns portugueses de rock de sempre.

A crítica da revista Blitz dizia que cada canção do álbum poderia ser um single. Não sendo tal possível, é certo que os três singles de «O monstro precisa de amigos» são verdadeiros marcos no panorama da música portuguesa. «Ouvi Dizer», inspirada no nacional-cançonetismo, contou com a participação voz bem colocada de Vítor Espadinha; «Chaga» nasceu intuitivamente nos ensaios, a partir de um riff do na guitarra de Peixe; «Capitão Romance», caracterizada pelo som do bandolim de Peixe e pelo tom agridoce da melodia, é um dueto entre Manuel Cruz e Gordon Gano, vocalista dos Violent Femmes, a banda favorita dos Ornatos.

O fim dos Ornatos Violeta

A popularidade e a atenção mediática começaram a condicionar o processo criativo da banda que, ainda num processo de descoberta, teve dificuldade em geri-la. A digressão de Monstros (quase 70 concertos) foi também um factor de desgaste. Aliado a isto, questões de dinheiro. Todos estes elementos conduziram a discussões entre os membros que começavam a esquecer o essencial, aquilo que os fazia divertirem-se e fazer música em conjunto. Foi com vista a preservar a amizade que os uniu em primeiro lugar  – e que se mantém hoje – que tomaram a decisão de se separarem no final do ano 2000, voltando a juntarem-se somente para um concerto único de celebração do 10.º aniversário da banda em 2001.

Depois do fim

Em 2011, foi lançada uma reedição dos álbuns «Cão» e «O monstro precisa de amigos» e editado um novo álbum «Inéditos e Raridades», que incluía temas lançados em colectâneas, singularmente, antes do lançamento de «Cão», em 1997 – “Dez lamúrias por gole”, “Tempo de nascer”, “Circo de feras”, “Marta” – e alguns inéditos: “ Como Afundar”, “Há-de Encarnar”, “Devagar”, “Rio de Raiva” (recuperados de gravações de «O monstro precisa de amigos) e “Pára-me agora” (gravado para um terceiro álbum de originais que não chegou a ser gravado).

Em 2012, os Ornatos juntaram-se novamente para realizar uma série de concertos nos Coliseus de Lisboa, Porto e Micaelense, além de marcarem presença no Festival de Paredes de Coura desse ano.

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References:

Ribeiro, A. (2017). Era uma vez uma banda chamada… Ornatos Violeta. P3. Em. http://p3.publico.pt/cultura/mp3/23573/era-uma-vez-uma-banda-chamada-ornatos-violeta

Pereira, L. (2017). Ornatos Violeta: uma chaga para lembrar que há um fim. Blitz. Em http://blitz.sapo.pt/principal/update/2017-02-28-Ornatos-Violeta-uma-chaga-para-lembrar-que-ha-um-fim

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