Cool Jazz

Cool Jazz: características musicais, origem e desenvolvimento deste estilo de jazz moderno surgido no final dos anos 40, nos Estados Unidos.

Introdução

O estilo de jazz moderno conhecido como cool jazz surgiu no final dos anos 40, nos Estados Unidos, como resposta à tensão e complexidade do estilo precedente, o bebop. A sonoridade do cool é, neste sentido, mais tranquila, relaxada e subtil, com espaço para o tempos e para as notas. Entre os maiores expoentes do estilo encontram-se Miles Davis, Gerry Mulligan, Lennie Tristano, Lee Knotiz, Stan Getz e Chet Baker.

Características musicais

O cool jazz caracteriza-se pela ênfase colocada nos arranjos e pela preocupação com a criação de orquestrações interessantes, procurando diferentes timbres, muitas vezes associados somente ao mundo da música clássica. Um grupo de cool assemelhava-se um pouco, na verdade, a um conjunto de música de câmara, onde o contraponto e as improvisações eram pensadas e escritas para todo o ensamble, ao contrário do que acontecia com o bebop, onde a melodia ficava normalmente a cargo do trompete e do saxofone, que a apresentavam em uníssono, e depois se fazia seguir de longos solos rítmicos. Adicionalmente, este estilo abandonou o recurso aos registos altos melódicos por parte dos instrumentos, que exploravam os registos mais intermédios e baixos e os possíveis contrastes nesta linha. A música seguia uma tonalidade clara e evitava-se o recurso aos vibratos. O cool jazz foi também caracterizado pelos ritmos e dinâmicas mais subtis.

O que não mudou relativamente ao bebop foi o modo como os músicos se olhavam a eles próprios, como artistas, independentemente do gosto das audiências. No entanto, foram melhor aceites pelo público, em parte e erroneamente, porque foram vistos como uma resposta branca ao bebop, associado à música afro-americana, mas também porque o estilo era mais tranquilo e não tão radical, disposto a aceitar influências de outros géneros, como o clássico.

Origem

É possível traçar a origem do cool jazz ao saxofone de Lester Young ou à banda de 1947 de Woody Herman, que incluía os saxofonistas Stan Getz, Zoot Sims, Herbie Steward e Serge Chaloff mas o desenvolvimento deste estilo deveu-se, principalmente, ao contributo de duas partes. Por um lado, Miles Davis, que abandonou a banda de Charlie Parker em 1948, e, por outro lado a alguns dos músicos que faziam parte da Claude Thornhill Band, o arranjador Gil Evans, o arranjador e saxofonista Gerry Mulligan e o saxofonista Lee Konitz. Na altura, embora tocassem alguns temas inspirados pelo bebop, possuíam as características fundamentais para a formação desta nova estética: uma instrumentação e orquestração diversas, dada a presença de uma tuba e de uma trompa na banda.

Em conjunto, Davis, Evans e Mulligan visionaram a constituição de um grupo que usaria a estética da banda de Thornhill. Este grupo, de nove, juntou-se em 1948 simplesmente para um encontro experimental e o resultado final viria a surgir no ano de 1949, com o lançamento do álbum «The Birth of the Cool», liderado por Miles. Tanto Mulligan como Davis afirmaram que estas gravações não pretendiam ser o início de uma nova estética. O primeiro deixou claro que foi simplesmente um ensaio e o segundo queria simplesmente tocar um estilo de músico mais ligeiro, que acreditava ser mais expressivo.

Os artistas deste álbum não voltaram a actuar juntos e cada um prosseguiu com a sua carreira procurando a sua sonoridade. Não obstante, o certo é que o cool jazz instalou-se na cena musical depois deste lançamento.

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References:

Meadows, E.S. (2003). Bebop to cool: context, ideology and musical identity. Praeger Publishers.

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