Classicismo (música)

O período clássico na música: definição, história, características e principais compositores.

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Definição

O termo classicismo, quando aplicado à música, adquire dois sentidos. Num sentido mais restrito, corresponde ao período da história da música, mais ou menos entre 1750 e 1830, que cobre o desenvolvimento da sinfonia e do concerto clássico. Entre os expoentes máximos do classicismo salientam-se os nomes de Haydn, Mozart e Beethoven.

O termo música clássica é também usado para nominar de modo global um género de música oposto à música ligeira ou popular.

Breve história do período clássico

O classicismo recupera os ideais clássicos da antiga Grécia: a objectividade, o controlo emocional, a clareza formal e o respeito pelos princípios estruturais do discurso musical. Nasceu a partir do movimento de ideais resultantes do Renascimento que se baseava na exaltação da beleza antiga.

Foi, na verdade, a grande realização dos últimos compositores do Barroco, já num período denominado pré-clássico, entre 1730 e 1760. Estes anos caraterizaram-se por uma competição de ideias e tentativas de unificar a música num só estilo, onde os grandes mestres barrocos possuíam a técnica mas não sabiam exactamente como corresponder a um público que pedia algo novo.

Esta forma de arte abstracta, construída no pré-clássico, alcançou um equilíbrio com o desenvolvimento de novas formas musicais: a sonata clássica, o quarteto de cordas, a sinfonia e o concerto.

No entanto, com a viragem de século, entre 1790 e 1820, deu-se início a um novo período de transição onde o rígido formalismo clássico começou a entrar em decadência, com uma maior exploração harmónica e estrutural das obras. Acontecia o advento do romantismo.

Características

O classicismo caracteriza-se pela composição de sonoridades refinadas, equilibradas e bem construídas.

As melodias passam a articular frases simples e claras, com início, meio e fim, originando uma estrutura periódica. Surge uma maior variação em relação à dinâmica das obras musicais, com o aparecimento do sforzatto, do crescendo e do diminuendo. O resultado de todas estas características é uma sonoridade notoriamente tonal.

O cravo cai em desuso, dando lugar ao piano, que o substituirá em definitivo. É a música instrumental que se destaca neste período, com o desenvolvimento de estruturas maiores: forma sonata, sinfonia, concerto e quarteto de cordas. Os compositores começam a compor atentos ao timbre dos instrumentos e às respectivas características técnicas de cada um: preocupam-se em compor uma frase especificamente para esse instrumento.

As bases da orquestração moderna foram estabelecidas durante o classicismo, não só pelas características acima mencionadas – dinâmica e timbre dos instrumentos – mas pelo desenvolvimento de um modelo de agrupamento instrumental. Neste sentido, estabeleceu-se a divisão entre cordas, sopros de madeira, sopros de metal e percussão.

  • Cordas: dividas entre 1.º violinos, 2.º violinos, violas e violoncelos e contrabaixos (que na época tocavam a mesma coisa).
  • Sopros de madeiras: divididos em uma ou duas flautas, dois oboés, dois clarinetes e dois fagotes.
  • Sopros de metal: divididos em duas trompas e dois trompetes (os trombones e as tubas só seriam inseridas no século XIX).
  • Percussão: dois tímpanos.

A figura do maestro surge pela primeira vez neste período.

Principais representante do classicismo

Domenico Scarlatti (1685-1757) foi um dos primeiros grandes nomes deste período, escrevendo muitas sonatas através de relações tonais, em estrutura binária.

W. Gluck (1714-1787) é responsável pela reformulação da ópera clássica, privando a ópera da época dos seus maneirismos e exageros.

Joseph Haydn (1732-1809), considerado o primeiro grandes mestre do classicismo, criou praticamente todos os géneros de música de concerto utilizados hoje em dia. Com Haydn a sinfonia tornou-se o momento principal de qualquer programa musical e o quarteto de cordas tornou-se sinónimo do melhor que se poderia encontrar em música de câmara.

Wolfganf Amadeus Mozart (1756-1791) é o segundo mestre deste período. Influenciado por Gluck, foi também um grande compositor de óperas, baseadas em acontecimentos da época. Ao contrário de Gluck, as suas óperas foram mais executadas no século XVIII, muito também devido ao seu talento.

Ludwig Van Beethoven (1770-1827) marcou o período clássico especialmente pela composição das suas sinfonias e das suas músicas para piano e conjuntos de câmara. No entanto, ao contrário dos anteriores, Beethoven é também considerado um compositor romântico porque contribuiu para a transição entre o classicismo e o romantismo.

Primeira escola de Viena

Viena era o grande centro da vida musical durante este período. Assim, o nome Primeira Escola de Viena é utilizado para referir três dos maiores compositores do final do século XVIII e, seguramente, os mais representativos do classicismo: Mozart, Haydn e Beethoven.

O termo “Escola Vianesa” foi utilizado pela primeira vez pelo musicólogo austríaco Raphael Georg Kiesewetter, em 1834, que contou somente Haydn e Mozart como membros da dita escola. Mais tarde outros escritores acrescentaram o nome de Beethoven. Já o termo “Primeira” pretende evitar confusões com a Segunda Escola de Viena, que surgiria no século XX. Ao contrário desta segunda escola, não se pode dizer que os compositores da primeira se relacionassem num esforço colaborativo, embora se conhecessem (Haydn e Mozart foram, ocasionalmente, parceiros de música de câmara e Beethoven recebeu, por um curto período de tempo, lições de Haydn).

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References:

Kennedy, M. (1994). Dicionário Oxford de Música. Publicações Dom Quixote.

Soares, A.A. (2011). Uma síntese do classicismo e seus principais compositores. Em http://historiadamusica2011.blogspot.it/2011/11/uma-sintese-do-classicismo-e-seus.html

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