Chopin, Frédéric

Biografia do compositor e pianista polaco Frédéric Chopin (1810-1849), um dos maiores compositores para piano e pianistas do período romântico e da história da música.

Nascimento 1 de Março de 1810, Zelazowa Wola, Polónia
Morte 17 de Outubro de 1849, Paris, França
Ocupação Compositor e Pianista
Principais obras «Balada em Sol menor»; «Fantasia-Impromptu»; «Études op.10 e 25»; Sonata em Si menor»; «Fantasia em Fá menor»; «Balada n.º 2, op.38»; «2 Polonaises, op.40»; «2 Nocturnes, op.55»;  «24 Préludes, op.28»; «3 Mazurkas, op.56»;

Primeiros anos

Frédéric Chopin nasceu no dia 1 de Março de 1810, em Zelazowa Wola, na Polónia. O pai do músico, Nicholas Chopin, era um emigrante francês, que trabalhava como tutor para várias famílias aristocráticas, incluindo os Skarbecks, que habitavam em Zelazowa Wola. Este casou-se, em 1806, com Justyna Krzyżanowska, familiar dos Skarbeks. Chopin tinha uma irmã mais velha, Ludwika, e duas mais novas, Izabela e Emilia.

A família mudou-se para Varsóvia, ainda antes de Chopin completar um ano de idade, porque o pai ocupou a posição de professor de francês no Liceu de Varsóvia. O próprio compositor frequentaria o liceu entre 1823 e 1826.

Além de exposto ao ambiente cultural da cidade de Varsóvia desde cedo, foi introduzido à música pela sua mãe, que tocava piano. Com seis anos de idade, já tocava habilmente música e escrevia melodias. Entre 1816 e 1821 teve aulas de piano com o músico Wojciech Zywny, mas depressa superou o professor. Convidado desde cedo para apresentações privadas, apresentou-se pela primeira vez publicamente, num concerto de caridade, com oito anos de idade.

Em 1825, Chopin deu dois concertos presenciados pelo czar e viu publicado pela maior editora musical de Varsóvia o «Rondó em dó menor». No ano seguinte, passou a frequentar o Conservatório de Varsóvia a tempo inteiro, dirigido por Joseph Elsner, com quem estudava harmonia e contraponto desde 1822. Concluiu os seus estudos no Conservatório em 1829.

Frédéric Chopin

Insurreição polaca e chegada a Paris

Depois de uma breve passagem por Berlim, em 1828, o compositor deu dois concertos em Viena, em 1829. Também nesse ano compôs o «Concerto em Fá menor», que apresentou duas vezes em Varsóvia em 1830, além de apresentar o «Concerto em Mi menor» ainda no final do ano.

Chopin saiu de casa no final de 1830, viajando via Praga e Dresden para Viena, realizando, entretanto vários concertos. Quando abandonou Varsóvia não imaginou que jamais retornaria ao seu país. A insurreição nacional polaca explodiu no dia 29 de Novembro de 1830 e o primeiro impulso do compositor foi regressar à Polónia mas, devido à sua saúde frágil, acabou por prosseguir viagem. Em Julho de 1831, deixou Viena em direcção a Paris. Em Estugarda recebeu a notícia do esmagamento da insurreição, da queda de Varsóvia e do saque da cidade pelas tropas russas. A notícia, que devastou Chopin, levou à composição do «Estudo em dó menor, op.10 n.º 12», conhecido como “Estudo Revolucionário”. Schumann terá dito que através deste estudo conseguia ouvir “canhões escondidos sob flores”.

No final de Setembro de 1831, o compositor chegou a Paris, onde a simpatia pela revolução polaca era muito mais forte do que em Viena. Salvo curtas temporadas fora da cidade, viveu em Paris até à sua morte, dezoito anos mais tarde, onde se sentiu totalmente à vontade desde o primeiro momento.

Tornou-se professor de piano da aristocracia e foi renunciado, gradualmente, a uma carreira pública (que não apreciava), optando por se concentrar na composição. Em Paris teve a oportunidade de formar amizades com a maior parte os grandes músicos do seu tempo, como Franz Liszt ou Hector Berlioz.

Por esta altura, entre as suas novas composições pianísticas destacam-se dois livros de estudos (1829-1836), «Balada em Sol menor» (1831-1835), «Fantasia-Impromptu» (1835) e várias mazurkas e polonaises inspiradas pelo sentimento nacionalista de Chopin.

George Sand

As ligações amorosas com Constantia Gladkowka, na Varsóvia (1830) e com Maria Wodzińska, em Dresden (1835-36) não resultaram, embora tivesse ficado noivo da última. Em 1836 foi apresentado à escritora George Sand por amigos comuns, Liszt e Marie d’Agoult. Não obstante a primeira impressão desfavorável de Sand,  iniciaram, no Verão de 1838, uma relação que haveria de durar oito ou nove anos, até à ruptura final, precedida de várias crises.

No Outono instalaram-se em Maiorca, juntamente com os filhos de Sand, Maurice e Solange, onde viveram um período de felicidade, até à chegada do tempo mais frio, que culminou no adoecimento de Chopin. O estado de saúde do músico continuou a agravar-se pelo que Sand decidiu levá-lo para Marselha, onde foi diagnosticado com tuberculose.

Depois de um período de recuperação em Marselha, Chopin e Sand mudaram-se para Nohant em Maio de 1839, onde se localizava a casa de campo da escritora. Daí em diante, passaram os Verões em Nohant, e os Invernos em Paris.

Os sete anos seguintes revelaram-se não só felizes como produtivos. Compôs, sucessivamente, várias das suas melhores obras como a «Sonata em Si menor», a «Fantasia em Fá menor», a «Balada n.º 2, op.38», as «2 Polonaises, op.40», os «2 Nocturnes, op.55», os «24 Préludes, op.28» ou as «3 Mazurkas, op.56».

Últimos anos

A partir de 1842 a saúde do compositor foi-se deteriorando e Sand tornou-se cada vez mais enfermeira de Chopin, ao invés de amante. No entanto, a amizade que existia entre ambos foi seriamente abalada em 1846 por problemas que envolviam Solange e o marido Auguste Clésinger: Chopin tomava, regularmente, o lado de Solange em discussões desta com a mãe.

Em 1947, a escritora publicou o romance «Lucrezia Floriani», onde a heroína morre devido ao ciúme e ingratidão do amante. Chopin não admitiu directamente ter percebido a intenção de Sand mas ficou profundamente abalado. Desta forma, chegou ao fim a relação de ambos que, demasiado orgulhosos para se reconciliarem, não mais se voltaram a ver.

A revolução que rebentou em Paris a Fevereiro de 1848 levou o compositor a aceitar um convite para visitar a Inglaterra e a Escócia. Apesar de recebido entusiasticamente, a sua saúde não facilitou o conjunto de aulas que deu e as aparições em festas, além de ser incapaz de compor. No dia 16 de Novembro de 1848 deu o seu último concerto no Guildhall, em Londres, que dedicou aos refugiados polacos.

Regressou a Paris, onde faleceu no dia 17 de Outubro de 1849. Foi enterrado no cemitério Père Lachaise, sem o coração, que repousa na Igreja da Santa Cruz, na Varsóvia.

Frédéric Chopin, 1849

Legado musical

O piano teve um papel determinante no Romantismo, podendo-se mesmo afirmar que foi o instrumento de excelência desse período. Foi, no entanto, com Chopin que o instrumento adquiriu uma função específica no plano da expressividade. O compositor não se confinou a uma forma musical particular e cultivou diversos géneros, mas foi ao piano que confiou, quase exclusivamente, a sua imaginação criadora, fazendo desse instrumento o seu modo de expressão musical por excelência.

Chopin revolucionou a técnica pianista da altura e os seus estudos são um exemplo significativo disso mesmo: “A tão buscada autonomia de cada dedo (voltada para conservar a independência e cada som), a utilização exaustiva de todos os registros do teclado, de modo a explorar tão sistematicamente quanto possível o universo sonoro – todos esses elementos permitem pôr em evidência e concentrar em um único instrumento as variadas riquezas orquestrais” (Massin & Massin, 1983, p. 741). A reputação do músico somente enquanto instrumentista era elevada e para a construção dessa mesma reputação bastou-lhe os poucos mais de 30 concertos que deu durante a sua vida. Chopin preferia tocar para um número restrito de amigos a realizar grandes apresentações públicas.

Transformou a forma do nocturne, género criado pelo irlândes John Field, através da sua imaginação harmónica e da sua clareza melódica. A sua música engloba passagens arrojadas, a ornamentação deriva da sua admiração pela ópera italiana e as suas obras polacas, tais como as mazurkas ou as polonaises, possuem uma paixão rude e elementar na sua força, evocando o sentimento nacionalista pela sua terra natal, a Polónia.

A música de Chopin é considerada por muitos como um ponto culminante do estilo romântico. Embora esteja associada a inúmeros episódios de cariz romântico e a designações de natureza descritiva, o compositor sempre insistiu no seu carácter e música absoluta, daí os títulos muito severos que se referem apenas a formas musicais. Esta pureza clássica e a discrição da sua música reflectem, em parte, a reverência de Chopin por Bach e Mozart, por exemplo.

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References:

Biography.com Editors (nd). Frédéric Chopin Biography. Em http://www.biography.com/people/frederic-chopin-9247162

Hedley, A (2016). Frédéric Chopin. Em http://www.britannica.com/biography/Frederic-Chopin

Kennedy, M. (1994). Dicionário Oxford de Música. Publicações Dom Quixote.

Massin, J. & Massin, B. (1983). História da Música Ocidental. Editora Nova Fronteira, S.A: Rio de Janeiro.

 

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