Baixo Contínuo

Definição, origem, desenvolvimento e declínio da técnica baixo contínuo.

Conceito

A expressão baixo contínuo designa o baixo cifrado executado na música concertante dos séculos XVII e XVII: escrevia-se, apenas, a voz do baixo (a linha melódica mais grave), através da indicação de cifras por baixo da nota que, depois, era harmonizada no momento da execução.

O termo é, muitas vezes, encurtado para “contínuo”. «Tocar o contínuo» não significa tocar um instrumento em particular, mas realizá-lo num dos vários instrumentos possíveis para esta variedade de baixo: normalmente (mas não só) alaúde, tiorba, cravo e órgão, a que se acrescentavam dobrando a linha de baixo, a viola de gamba, o violoncelo, o contrabaixo, o fagote ou o trombone.

Origem

O compositor italiano Lodovico de Viana (1564-1645) é frequentemente creditado com a invenção do acompanhamento por um baixo contínuo, pelo facto de ter incluído um basso contínuo independente nos «Cento concerti ecclesiastici, op.12». No entanto, existem evidências do uso desta técnica anteriores ao aparecimento desta colecção: música vocal secular italiana, datada da primeira metade do século XVI, que descreve agrupamentos com instrumentos para realizar o baixo contínuo; partes para órgão para obras sacras italianas encontradas em fontes dos finais do século XVI; acompanhamentos harmónicos para música vocal secular italiana, também dos finais do século XVI, no qual as vozes são duplicadas e às vezes uma parte incluída por razões de harmonia e textura; publicação de baixos cifrados para óperas italianas, canções seculares e dramas sacros desde 1597.

Desenvolvimento

Por volta de 1675, a técnica tinha sido amplamente divulgada, devendo muito esse facto a obras como como o «Tratado de glosas sopra clausulas y otros generos de puntos en la musica de violones», de Diego Ortiz (1533), ao sexto capítulo de «Syntagmatis musici tomus tertius» de Michael Praetorius (1618), à «Méthode pour apprendre facilement a toucher le théorbe sur la basse-continue» de Nicolas Fleury (1660) ou «Melothesia» de Matthew Locke (1660). No entanto, só na Itália se encontrava totalmente difundida. Na Alemanha, a prática estava confinada às cortes e as capelas e em França e Inglaterra a execução da técnica só acontecia nas capitais. Havia uma certa resistência à adopção do baixo contínuo por parte de vários compositores.

No final do século XVII, estabeleceu-se o grupo instrumental mais comum para a execução do baixo contínuo: um instrumento de teclado (cravo, no caso de recitativos; órgão, no caso de música sacra), acrescido de uma viola de gamba ou de um violoncelo. Não obstante, existiam excepções, nomeadamente, as sonatas de Arcangelo Corelli que, além do órgão, requisitavam o uso do alaúde (formação recomendada anteriormente por Monteverdi).

O baixo contínuo foi utilizado pelos principais compositores do período barroco: Bach, Handel e Vivaldi.

Declínio

Na primeira metade do século XVIII, com a aproximação do classicismo, a técnica do baixo contínuo foi gradualmente abandonada porque os compositores entendiam que não era necessário um instrumento de teclado para acompanhar quaisquer formações instrumentais. As obras que ainda faziam uso do “contínuo” possuíam com frequência a indicação “tasto solo”, que significava a exclusão do instrumento de teclado durante determinadas passagens da obra. Não obstante, Mozart ainda escreveu missas com partes de baixo contínuo.

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References:

Kennedy, M. (1994). Dicionário Oxford de Música. Publicações Dom Quixote.

Mannis, G. (2011). História do baixo contínuo. Em http://www.movimento.com/2011/09/historia-do-baixo-continuo/

Pinho, J.F.B.D. (2002). Quadro teórico do baixo contínuo em Portugal no século XVIII. Universidade de Coimbra, Faculdade de Letras.

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