Isaac Albéniz

Biografia do pianista e compositor espanhol Isaac Albéniz (1860-1909), líder da escola nacionalista espanhola de música.

Nascimento 29 de Maio de 1860, Comprodón, Catalunha, Espanha
Morte 18 de Maio de 1909, Cambo-les-Bains, França
Ocupação Pianista e compositor
Principais obras «Iberia», «Pepita Jiménez», «Merlin», «Henry Clifford», «Suite española», «Cantos de España», «Catalonia»

Primeiros anos

Isaac Albéniz nasceu no dia 29 de Maio de 1860, em Comprodón, na Catalunha, em Espanha. Criança prodígio, apresentou-se em público ao piano com quatro anos de idade e, com nove, compôs a sua primeira peça. Entretanto, a família tinha-se mudado para Madrid, em 1868, permitindo ao jovem músico iniciar os seus estudos no conservatório real. Diz a voz popular que este, irrequieto por natureza, terá fugido de casa duas vezes, em direcção às Américas, onde se terá auto-sustentado através da actividade musical. No entanto, de acordo com o musicólogo Walter Aaron Clark, o compositor actuou várias vezes em Cuba e Porto Rico porque teria acompanhado o pai que ocupava naquela altura um cargo em Havana e será esta a verdade.

Formação musical

Entre 1875 e 1876, Albéniz estudou no Conservatório de Leipzig mas as dificuldades económicas obrigaram-no a regressar a Espanha, embora não por muito tempo. Poucas semanas depois, recebeu uma bolsa de estudos do rei Afonso XII que lhe permitiu continuar os seus estudos no Conservatório de Bruxelas. Três anos depois, em 1879, concluiu a sua formação com distinção e recomeçou as suas tours tanto em Espanha como em Cuba. Contrariamente à crença popular, o compositor não chegou a conhecer ou a estudar com Liszt.

Desenvolvimento do “compositor”

No ano de 1883, Albéniz estabeleceu-se em Barcelona, onde casou a 23 de Junho com Rosa Jordana Y Lagarriga, com quem teve um filho e duas filhas. Na cidade catalã teve a oportunidade de estudar composição com Felipe Pedrell, o que “veio mesmo a calhar”: o músico tinha começado a introduzir com maior regularidade as suas composições no programa dos seus recitais. Em 1885, mudou-se para Madrid e viu os seus trabalhos serem publicados pelas principais editoras de música da época: Benito Zozaya e Antonio Romero.

Foi aliás em Madrid, na segunda metade da década de 80, que o seu génio para a composição se revelou. Deste período chegaram até nós as colecções «Recuerdos de viaje» e a primeira peça da «Suite española». Estas obras são, por um lado, documentos sonoros das suas viagens e impressões pessoais, dotados de um lirismo notável e de uma absoluta familiaridade com o folclore espanhol; por outro lado, evidenciam o domínio do pianista sobre o repertório europeu, especialmente Chopin e Schumann, de quem adquiriu um vocabulário harmónico expressivo. A fusão destes dois elementos representou um grande passo para o nascimento de um estilo nacional em Espanha. É de observar, contudo, a grande ironia da sua carreira. Não obstante ter-se tornada na maior figura do nacionalismo espanhol, demonstrando que se podia fazer música espanhola com grande qualidade artística, viveu grande parte da sua vida adulta no estrangeiro, considerando Espanha pouco desenvolvida culturalmente, além de se opôr abertamente ao clima político conservador vivido no país.

Londres

Em 1890, depois de uma série de concertos em Paris e em Inglaterra, estabeleceu-se na capital inglesa, onde permaneceu até 1893. Aqui deixou-se absorver pela composição e pela direcção de teatro musical. Compôs uma opereta em dois actos, «The magic opal», que conheceu um sucesso moderado na sua estreita no início de 93. Em Abril, revista e com novo título, «El anillo mágico», foi produzida no Wale’s Theatre, sendo muito elogiada, então, por George Bernard Shaw. Já em Madrid os críticos não eram tão amáveis. A sua zarzuela «San Antonio de la Florida», com um libreto do autor local Eusebio Sierra, estreada em finais de 1894, foi considerada “demasiado extranjerizado” (demasiado estrangeira). A adaptação espanhola da sua primeira opereta conheceu a mesma fortuna. Isaac Albéniz estava cada vez mais convencido que a revolução na música espanhola só poderia ser levada a cabo no estrangeiro. Assim, trocou Londres por Paris, em 1894.

isaac albeniz

Ópera

Embora desanimado, o compositor não desistiu do público e dos críticos espanhóis. Em 1895, estreou no Liceo de Barcelona a ópera «Henry Clifford», ambientada na Inglaterra do século XV, no período da Guerra das Rosas. O libreto foi escrito pelo seu amigo e patrono, Francis Burdett Money-Coutts, um advogado e poeta inglês. Money-Coutts financiava o compositor e este musicava os seus libretos e poemas. Este acordo entre ambos foi aquilo que permitiu a Albéniz concentrar-se na composição, renunciando à vida performativa, ao mesmo tempo que a sua saúde se iniciava a deteriorar.

Albéniz queria compôr uma ópera sobre um tema espanhol. O resultado foi «Pepita Jiménez», cujo libreto de Money-Coutts se baseava no romance de Juan Valera. Estreada em Barcelona, em 1896, foi um importante contributo para o desenvolvimento da ópera espanhola. A última colaboração operística entre o compositor e o seu amigo foi uma triologia baseada no romance «Le Morte d’Arthur» de Thomas Malory. Concluiu a primeira, «Merlin», em 1892, mas não as últimas duas.

Deduz-se do seu percurso neste género, que o músico ajudou a criar não só a ópera espanhola como também a inglesa. Salientar ainda que «Merlin» revela que Albéniz foi um dos primeiros compositores espanhóis a introduzir elementos wagnerianos nas obras e que «Pepita Jiménez» evidencia um perfeito conhecimento do verismo italiano.

Os últimos anos em Paris

A abertura a tendências internacionais foi, em grande medida, o resultado de viver em Paris. Na cidade das luzes Albéniz travou amizade com Ernest Chausson, Charles Bordes e Gabriel Fauré; estudou orquestração con Paul Dukas e contraponto com Vincent d’Indy; foi também professor de piano na Schola Cantorum. No entanto, o compositor foi tão influenciado quanto influenciador, actuando como elo de ligação entre a música folclórica espanhola e a restante música europeia, e demonstrando que a música espanhola era muito mais que “a típica espanholada”. A sua obra impressionou largamente músicos como Debussy, Ravel, Fauré, Poulenc e mesmo Messiaen.

Regressando principalmente ao mundo do piano, um pouco devido ao seu estado de saúde mais debilitado (o músico sofria de insuficiência renal crónica), compôs entre 1906 e 1909 a sua obra-prima, «Iberia», um conjunto de doze peças para piano que evocam vivamente Espanha, em especial a Andaluzia. Em Março de 1909, mudou-se com a família de Nice (onde viviam desde 1903) para Cambo-les-Bains, nos Pirenéus franceses, onde viria a falecer em 18 de Maio de 1909. O corpo foi levado, depois, para Barcelona.

Isaac Albéniz defendia que a música espanhola deveria pertencer à corrente cultural europeia, preservando, no entanto, o legado cultural espanhol. Foi neste espírito que compôs obras notáveis, como a já referida «Iberia», a  «Suite española», «Cantos de España» e «Catalonia». O seu trabalho como compositor situa-o na história da música como líder do movimento nacionalista espanhol. Foi o próprio a indicar o caminho para os seus sucessores Joaquín Turina e Manuel de Falla, ambos residentes em Paris antes da I Guerra Mundial. Turina dizia: “nuestro padre Albéniz nos mostraba el camino que habíamos de seguir».

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References:

 Clark, W.A. (nd). Isaac Albéniz. Semblanzas de compositors españoles 9.

Kennedy, M. (1994). Dicionário Oxford de Música. Publicações Dom Quixote.

The Editors of Encyclopædia Britannica (nd). Isaac Albéniz. Em https://www.britannica.com/biography/Isaac-Albeniz

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