George Orwell

Eric Arthur Blair conhecido pelo pseudónimo George Orwell é visto até hoje como o melhor cronista da sociedade inglesa do século XX. Desde escrever artigos polémicos para jornais, críticas literárias até poesia, fez de tudo um pouco. Mas seriam as obras “1984” e “A Revolução dos Bichos”, que o catapultariam para a fama. A “The Times”, em 2008, colocou-o na segunda posição na lista de “Os 5o maiores escritores britânicos desde 1945”.

Nasceu no dia 25 de junho de 1903, em Motihari, na Índia, na época sob o domínio dos ingleses. Filho de pai inglês e mãe francesa, era o segundo de três filhos de Richard Walmesley Blair e Ida Mabel Blair. Um ano depois de nascer foi com a mãe e as irmãs viver para Inglaterra, mais exactamente para a cidade de Henley-on-Thames . Só voltou a ver o progenitor em 1912. Orwell chegou a confessar que nunca criou laços fortes com o pai, por o considerar conservador e chato. A mãe, pelo contrário, foi uma influência literária.

À imagem de outras crianças inglesas com cinco anos foi para um colégio interno – o internato Henley-On-Thames. Lá ficou até conseguir uma bolsa na Escola de São Cipriano, em Eastbourne, Sussex. Nessa época Orwell percebeu que os colegas ricos eram tratados pelos funcionários de forma diferente. Inclusive, chegou a escrever sobre isso nas suas obras. Apesar de, não ser popular, desde tenra idade que gostava de escrever. Com apenas 4 anos escreveu o seu primeiro poema e aos 11 viu pela primeira vez ser publicado um poema da sua autoria no jornal da escola. As suas publicações chamaram a atenção e rapidamente “ganhou” bolsas de estudo para o Wellington College e o EtonCollege, considerados dos melhores internatos da Inglaterra.

Aos 18 anos quando chegou o momento de ingressar na universidade optou pela Polícia Imperial Indiana, se por um lado não gostava de estudar, por outro tinha consciência que os pais não tinham condições económicas para o apoiar nos estudos. Já no papel de polícia mudou-se para a Birmânia, por onde ficou durante cinco anos. Acabaria por deixar tudo para regressar a Inglaterra e dedicar-se realmente ao que gostava – a escrita. A experiência de polícia serviu de inspiração para o romance “BurmeseDays” (1934) e dois ensaios: “A Hanging”(1931) e “ShootinganElephant (1936).

Quando regressa a Inglaterra, em 1928, opta por viver uma vida de mendigo durante dois anos; vagueando entre Londres e Paris. A experiência deu origem ao livro “Down out In Paris and London” (1933). O início da sua carreira como escritor não foi um “mar de rosas”. Para publicar a sua primeira obra teve que se sujeitar aos mais diversos empregos, como lavar pratos num hotel de luxo. Daí ter optado pelo pseudônimo: George Orwell, para não envergonhar a família com os depoimentos da extrema pobreza que viveu. Orwell era ousado, chegou a a provocar as autoridades para ser preso e passar o Natal na prisão. O intuito era escrever sobre a experiência, ironicamente foi solto em antes, mas escreveu à mesma.

Em 1936 dá início a uma nova fase da sua vida. Após casar com Eileen O’Shaughnessy muda-se juntamente com ela para Espanha, com o objetivo de combater pelo Partido Operário na Guerra Civil. Durante os confrontos é atingido por um tiro na garganta e num braço. A sua fala nunca mais voltou a ser a mesma, assim como a sua saúde em geral, devido a tuberculose. Sem condições para continuar a combater retorna a Inglaterra em junho de 1937. Começa-se a interessar pelo totalitarismo e escreve: “HomanagetoCatalonia“, publicado em 1938.

Entretanto, a Segunda Guerra Mundial rebenta. Orwell ainda tenta ir para combate, todavia os seus problemas de saúde não o deixaram. Em compensação, consegue o emprego de correspondente de guerra pela BBC (1941). Além de comentar as notícias, orientava programas direccionados aos telespectadores que viviam na Índia. Em 1943, demite-se por se sentir um “propagandista” de Inglaterra e passa a ser editor literário do “Tribune”. Neste jornal socialista escreveu cerca de 80 críticas literárias, entre outros artigos na sua coluna – “As I Please”. Pessoas próximas de Orwell referem que outro dos motivos de Orwell ter saído da BBC foi a vontade de se dedicar a um novo livro – “A Revolução do Bichos” , um dos clássicos da literatura mundial.

Terminado em 1944, o livro “A Revolução dos Bichos” é o resultado da desilusão de Orwell face ao comunismo soviético onde a falta de liberdade e as atrocidades à população eram constantes. Várias editoras se recusaram a publica-lo por o considerarem um ataque político a um aliado fulcral na Segunda Guerra Mundial. O editor Jonathan Cap acaba por ceder e lança a obra que atinge um sucesso estrondoso.

Após atingir o estrelato começa a colocar no papel o “1984”. A sua saúde agrava-se devido a tuberculose. Doente termina o livro e é internado no sanatório de Gloucestershire. Em junho de 1949 sai para o público a sua última obra inspirada nos regimes totalitários que manipulam as massas e que haveria de inspirar, anos mais tarde, ao programa televisivo – ” Big Brother”. Mais uma vez atinge o top de vendas. Meses depois, a 21 de janeiro de 1950 falece em consequência do rompimento de uma artéria num pulmão, deixando um legado literário de ouro para as gerações vindouras.

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