Destinos Costeiros

O presente texto aborda o conceito de Destinos Costeiros; apresentamos assim a sua definição e os principais desafios no processo de planeamento dos mesmos.

Os destinos costeiros são espaços turísticos caraterizados por se localizarem em áreas litorais, onde o produto turístico dominante, geralmente, é o sol e mar. O turismo costeiro ainda possui uma forte sazonalidade e a oferta adaptou-se em quantidade aos períodos de alta afluência turística, observando-se uma subutilização no resto do ano e reais dificuldades para rentabilizar os equipamentos.

Os destinos costeiros tradicionais de férias, vivem no presente uma situação de regeneração, enfrentando dois grandes desafios: a adaptação das infraestruturas das estações balneares no sentido da proteção das praias e do litoral, da qualidade do ambiente, entre outras; de outro lado, a modernização do turismo implicou um melhor conhecimento do mercado e a utilização de meios inovadores de informação, de reservas e de distribuição e a atitude dos operadores é cada vez mais decisiva para o sucesso de um destino, logo, vários destinos turísticos decidiram empreender uma política de reabilitação.

Uma das consequências diretas da procura de uma melhor repartição sazonal dos fluxos turísticos e de melhoria das infraestruturas, traduz-se na diversificação dos produtos de base. Às atividades típicas do turismo costeiro juntam-se outras atividades complementares, tais como o golfe, o turismo de negócios, o turismo rural, entre outros. Assiste-se a um envolvimento cada vez mais forte dos poderes públicos, tanto ao nível local, como regional ou nacional, na coordenação das atividades turísticas, nomeadamente em função de objetivos económicos e sociais, mas também através da canalização dos investimentos necessários em matéria de renovação e de ordenamento das infraestruturas, de equipamentos e de formação.

Com a urbanização rápida e difusa provocada através do “boom” turístico dos anos 60 e 70, apareceu um fenómeno de especulação imobiliária e de agressão da paisagem (o território foi loteado para a construção de residências de férias e de imobiliária e para o ordenamento de avenidas, de parques, de passeios). Este processo de urbanização extremamente rápido, organizou-se sobre os espaços agrícolas ou naturais (litoral, dunas falésias).

Os destinos costeiros também sofreram os impactes negativos do turismo, nomeadamente, na urbanização rápida, na especulação imobiliária, nos fluxos sazonais associados à natureza das práticas turísticas baseadas num forte consumo de espaços e de bens, trouxeram graves problemas de poluição nalguns destinos. As principais preocupações a solucionar nas estações altas, prendem-se com o tratamento dos resíduos sólidos, dos lixos e dos esgotos, com a limpeza das praias, com a qualidade das águas do mar, para além do trânsito e do ruído. Constata-se que os sistemas de gestão da qualidade foram acionados na maior parte dos casos naqueles destinos que conheceram um certo retrocesso do seu sucesso (as ações foram conduzidas de uma maneira mais corretiva do que preventiva).

A evolução obriga à integração das novas lógicas de mercado, ou seja, o consumidor procura uma melhor qualidade e uma oferta variada no seio do mesmo destino (alojamento, animação diversificada e completa, qualidade dos espaços naturais), por isso, os destinos costeiros mais recentes, sob o ponto de vista turístico, integraram mais depressa esta lógica de mercado e vêm a qualidade numa ótica de prevenção. Concentram-se sobre a preservação do seu património cultural/natural e sobre o desenvolvimento harmonioso da costa e a sua integração com as restantes atividades locais e regionais.

Um passado longo e uma tradição bem forte do destino turístico, associados a uma ausência histórica de uma política coerente de desenvolvimento global e durável da localidade, nomeadamente no uso dos solos, conduziram a um envelhecimento das infraestruturas de acolhimento e a graves problemas estruturais devidos a uma pressão massiva, pontual e repetitiva sobre o território. A tomada de consciência desta degradação e das suas consequências futuras sobre o desenvolvimento turístico constitui, por vezes, o primeiro passo para se empreender um processo de gestão da qualidade. Estes destinos propõem então ações para remediar os problemas mais fortes que têm. Assim, o esforço para a qualidade, corresponde a uma necessidade de reabilitação global do seu ambiente e à necessidade de reencontrar um equilíbrio no quadro do desenvolvimento durável, entre a gestão dos recursos, os resultados económicos e as aspirações sociais; permite também a concentração sobre as questões da acessibilidade e da mobilidade.

O problema da sazonalidade obriga igualmente numerosas localidades a enveredarem por processos de qualificação caracterizados por uma tentativa de diversificação e de requalificação da oferta. Estes destinos compreenderam a necessidade de desenvolver as infraestruturas e os serviços turísticos numa ótica de desenvolvimento sustentável, de criação de emprego e de reposicionamento em termos de imagem.

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References:

Referências Bibliográficas:

  • Cooper, C. (2007). Turismo – princípios e práticas, 3ª edição, Bookman.
  • Cunha, L. (2007). Economia e política do turismo, Ed. Verbo.
  • Seaton, A., V. (1996). The marketing of tourism products: concepts, issues and cases, International Thomson Business Press, Londres.
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