Divisões Islâmicas (Xiitas e Sunitas)

A morte do profeta Maomé causou profundas crises no Islamismo. Visto que ele morreu sem deixar um descendente masculino ou um sucessor designado foi a partir daí que se desenvolveram as principais seitas islâmicas. Elas são os xiitas, os sunitas, e os caridjitas, sendo que estes últimos têm uma menor representação dentro do islamismo. É por isso o cargo de Califa que continua a produzir profundas divisões até o dia de hoje.

Califa, ou khalifah, referencia o título dado ao sucessor do profeta Maomé. Contundo, esta questão é verdadeiramente polémica entre os muçulmanos e é a principal causa de derramamento de sangue entre os muçulmanos.

Em 632 EC foi nomeado como califa Abu-Bekr, nomeado a 8 de Junho de 632 como sucessor do profeta num tipo de eleições em que participaram os líderes presentes em al-Madinah, na época a sua capital. Os muçulmanos sunitas aceitam este príncipio, o do cargo eletivo, ao invés da descendência sanguínea é o que define o sucessor de Maomé. Portanto, o descendente de Maomé como califa é Abu-Bekr, que era sogro de Maomé, sendo os posteriores califas Omar (conselheiro do profeta), e Otmã (genro do profeta).

Por outro lado, os muçulmanos xiitas, contestam esta linhagem sucessora. De acordo com o seu modo de pensar, a verdadeira sucessão do profeta dá-se por meio de uma linhagem sanguínea. Deste modo, aquele que sucedeu ao profeta foi o seu primo e genro, Ali ibn Abi Talib. Este é o primeiro imane (líder e sucessor) de Maomé. Isto ocorre porque além dos laços de sangue, Ali Ibn Abi Talib casou-se com a filha preferida do profeta, Fátima. O seu casamento, produziu portanto os netos do profeta, Hasan Ibn Ali e Husain Ibn Ali. De acordo com os xiitas, os três primeiros califas usurparam o direito natural de Ibn Ali a suceder a Maomé.

A controvérsia de Ibn Ali com o governador sírio Moávia, levou a que os caridjitas, ramo dissidente do islamismo, se tornassem seus inimigos mortais, apesar de que no início tivessem sido apoiadores de Ibn Ali.

Como ocorreu este problema dentro do islamismo? Como citado acima, enquanto Ali era o califa (656-661 DC), surgiu uma quezília sobre liderança entre ele e o governador da Síria. Isso resultou numa batalha entre ambos, que posteriormente, para evitar derramamento de sangue muçulmano eles submeteram a sua disputa ao arbítrio. Foi esta submissão de Ali ao arbítrio que provocou a fúria dos caridjitas, e levou a que um fanático caridjita assassinasse Ali em 661 DC com um sabre envenenado.

É a escolha do Califa seguinte que provoca a grande divisão entre xiitas e sunitas. Os sunitas escolheram como sucessor do quarto califa um líder entre os omíadas, influente e ricafamília em Meca, mas que não eram da família do profeta.

Para os xiitas, o sucessor do califa seria o filho dele e neto de Maomé, Hassan Ibn Ali. Com a sua renúncia, ele foi assassinado. O Seu irmão Husain Ibn Ali torna-se assim o novo imame, mas as tropas omíadas mataram-no em 10 de Outubro de 680 DC. Os xiitas passaram a encará-lo como mártir, e isso teve repercussões que chegaram até os nossos dias com as constantes guerras entre xiitas e sunitas, baseadas não numa questão religiosa mas numa questão de autoridade e poder, uma questão política.

Anualmente, os xiitas comemoram o martírio do Imame Husain. Fazem procissões onde alguns cortam-se com facas e espadas, ou outros autoflagelamentos. São também zelosos por causas islâmicas. No entanto, eles representam apenas uns 20 por cento de muçulmanos no mundo, e consideram apenas 12 verdadeiros imames, sendo o último deles Momé al-Muntazar que desapareceu em 878 Ec na gruta da grande mesquita de Samarra, sem deixar descendência sndo ele o imame oculto (mustatir) ou esperado (muntazar). A seu tempo ele aparecerá como o Madi (O Divinamente guiado) que restaurará o verdadeiro islamismo.

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