Comboio Presidencial

Comboio Presidencial – depois da Implementação da República, a 5 de outubro de 1910, o comboio que se encontrava ao serviço da família real portuguesa, começa a servir os Chefes de Estado, nas suas deslocações pelo país, passando a designar-se por Comboio Presidencial.

O comboio era, então, constituído pelo Salão Real, pelo Salão dos Ministros, pelo Salão Restaurante, datados de 1890, construídos pela empresa Désouches David e ainda, por um furgão.Em 1930, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses adquire um novo veículo juntando-se aos já existentes e a que será dado o nome de Salão do Chefe de Estado.Mantendo-se ativo ente 1940 e 1970, o magnífico comboio transportou Óscar Fragoso Carmona (1869- 1951), Craveiro Lopes (1894- 1964) e Américo Tomás (1894-1987) e esteve, ainda, ao serviço do Ministério dos Negócios Estrangeiros. As deslocações efetuadas pelo comboio eram mais rápidas e confortáveis, para além de oferecer comodidades que não eram dadas pelo automóvel, tal como por exemplo, as refeições servidas a bordo do mesmo.

Da comitiva do Chefe de Estado integravam permanentemente dezoito pessoas: quatro criados, dois ajudantes de cozinha, dois cozinheiros, um eletricista, um inspetor, um serralheiro, dois condutores de carruagens, um revisor, um revisor de material, um maquinista, dois inspetores de tração.

O comboio era, desta forma, composto da seguinte maneira: SRyf2 – Salão Restaurante (1890, Désouches David & Cie, França); Sy3 – Salão da Comitiva e Segurança (1890, Désouches David & Cie, França); Sy4 – Salão dos Ministros (1890, Désouches David & Cie, França); Sy5 – Salão do Chefe de Estado (1930, Linke-Hofmann Busch, Brauschweig, Alemanha); A7yf 704 – Carruagem dos Jornalistas (1930, Nicaise & Delcuve, Bruges, Bélgica); Dyf 408 – Furgão (1930, Baume & Marpent, Hainaut, Bélgica).

A última viagem do Comboio Presidencial na sua constituição, de então, foi efetuada em 1970, mais concretamente no dia 30 de julho, aquando do cortejo fúnebre de António de Oliveira Salazar (1889- 1970), rumo a Santa Comba Dão.

Deixando de servir o Chefe de Estado, o comboio seria desagregado e as carruagens que o integravam guardadas em armazéns. Posteriormente, António Ginestal Machado (1873-1940), no âmbito da sua atividade museológica acabaria por expor o Salão do Chefe de Estado e o Salão Restaurante, nas Secções Museológicas de Santarém e Estremoz, então inauguradas. Por esta altura, o Salão dos Ministros e o Salão da Comitiva e Segurança foram levados para o Entroncamento, onde o Salão dos Ministros foi adaptado a Comboio Socorro. Tratava-se de uma composição utilizada para socorrer acidentes e avarias nos caminhos de ferro. O Salão da Comitiva e Segurança permaneceu guardado num antigo depósito do Complexo Ferroviário.

A Fundação Museu Nacional Ferroviário Armando Ginestal Machado acabaria mesmo por encabeçar um projeto para recuperar o Comboio Presidencial, tendo-se candidatado ao PIT – Programa de Intervenção do Turismo, do Turismo de Portugal e ao QREN/ Programa Mais Centro/ Redes para a Competitividade e Inovação, tendo os contratos de financiamento sido assinados em agosto de 2010 e novembro de 2011. O projeto viria a ser  concluído em fevereiro de 2013.

O restauro dos seis veículos foi realizado pela EMEF – Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, nomeadamente nas Oficinas Gerais de Contumil, em parceria com a equipa de Conservação e Restauro do Museu Nacional Ferroviário.

Tratou-se de um projeto inédito no país, pois os veículos foram recuperados tanto no que à parte mecânica diz respeito, como à técnica e patrimonial.

A viagem inaugural do Comboio Presidencial teve lugar a 12 de dezembro de 2013, partindo da Estação Ferroviária de Lisboa – Santa Apolónia rumo à cidade do Entroncamento, mais precisamente ao Museu Nacional Ferroviário, onde os convidados foram recebidos e puderam visitar as instalações em fase de montagem para abertura ao público.

Seguiram-se vários Passeios Presidenciais, a várias zonas do país, apenas destinados a convidados, num conjunto de parcerias desenvolvidas com os municípios, com o objetivo de o afirmar enquanto produto turístico estratégico.

Atualmente, o comboio pode ser visitado, no museu, quando não se encontra em passeios turístico-culturais, modelo de exploração que se encontra a ser gerido pela Fundação Museu Nacional Ferroviário Armando Ginestal Machado/Museu Nacional Ferroviário.

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References:

http://www.fmnf.pt/Upload/Cms/Archive/ComboioPresidencial_2016.pdf

http://www.fmnf.pt/comboiopresidencial

 

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