Beau Brummell

Breve biografia de um dos dândis mais carismáticos de sempre, Beau Brummell

George Byran Brummell, também conhecido por Beau Brummell, foi um dos dândis britânicos mais importantes e carismáticos da História, representando mesmo a quintessência do dandismo. Pioneiro da elegância e da etiqueta, refinado e inteligente, Brummell começou, primeiramente, por exercer uma influência significativa na corte inglesa do século XIX e, depois, já transformado em mito, um pouco por todo o mundo.

George Brummell nasceu no dia 7 de junho de 1778, em Londres, no seio de uma família de classe média. A mãe, Jane Brummell, era doméstica e o pai, William Brummell, por demonstrar um ótimo desempenho nos serviços administrativos, trabalhou para várias personalidades influentes como, por exemplo, Lorde North (1732-1792), primeiro-ministro da Grã-Bretanha entre 1770 e 1782.

Aos 12 anos, quando Brummell foi estudar para Eton, já prestava bastante atenção à sua aparência e aos detalhes da sua indumentária, por vezes até algo excêntrica, o que de imediato despertou interesse nos seus colegas. Neste sentido, e apesar do seu carácter frio e distante, tornou-se uma figura popular bastante cedo.

Mais tarde, ao ingressar em Oxford para dar continuidade aos seus estudos, refinou ainda mais o seu vestuário e a sua postura graciosa e altiva. Quando regressou a Londres, depois de já também ter cumprido o serviço militar, o príncipe de Gales e futuro rei de Inglaterra, George IV (1762-1830), convocou-o para ser o porta-estandarte do seu regimento. Na verdade os dois já se tinham conhecido em Eton, onde criaram amistosos laços.

A corte e a aristocracia britânicas ficaram, assim, completamente rendidas a tamanha elegância e boas maneiras. Por onde Brummell passava, todos os olhos se moviam nessa direção. Tornava-se no sinónimo supremo do gentleman que se veste com extremo apuro. Afinal, um dos seus mais importantes rituais de beleza consistia em tomar banhos longos. Ao todo, diariamente, dedicava cinco horas à sua toilette.

Devido à singularidade do seu estilo, numa época em que a moda era plena de froufrous e ditava o excesso e o garrido, Brummell destacava-se sobretudo pela sua sobriedade e discrição. Usava maioritariamente roupas escuras, casacos com um corte personalizado, calças justas de nanquim e calçado extremamente engraxado. Neste sentido, devido ao seu bom gosto, começou a dar a sua opinião quanto às roupas que o príncipe e outros elementos da corte deveriam vestir.

Não é de estranhar, então, que, com tanta notoriedade, o príncipe George o tivesse elegido para escolher as suas roupas. No entanto, esta fama que orbitava em redor de Brummell nos meios aristocráticos não tardaria a desvanecer-se, dado que o príncipe, já então coroado rei, começara a desentender-se com ele. Embora as razões das desavenças sejam desconhecidas, muitos acreditam que tenham derivado da inveja que o rei sentia quanto ao facto de George Brummell ser o centro das atenções. A par desta situação, o facto de ter perdido uma parte significativa da sua fortuna no jogo e de ter acumulado dívidas fez com que partisse, em 1816, para Calais, em França. Alguns anos depois, mudou-se para Caen, onde exerceu o cargo de cônsul britânico e optou por levar um estilo de vida mais calmo e mais simples.

Em 1835 foi detido devido às suas dívidas, mas alguns dos seus amigos mais próximos fizeram com que saísse em liberdade, doando-lhe mesmo algum dinheiro.

Com toda esta conjuntura, Brummell começara a perder o interesse pela arte de bem-vestir, apresentando um aspeto cada vez mais desleixado. Delirava constantemente com fantasias associadas ao passado.

Em 1837, já depois de dois episódios graves de paralisia, George Brummell deu entrada num asilo em Saint-Sauveur, em Caen. Faleceu nesse mesmo hospital, aos 61 anos, no dia 29 de março de 1840.

Depois da sua morte, o seu legado também se fez sentir na literatura, na medida em que escritores como Charles Baudelaire (1821-1867) ou Oscar Wilde (1854-1900) imortalizaram a essência do dândi e do dandismo nas suas obras.

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References:

Dufaud, Marc. Dictionnaire Fin de Siècle – Zutistes, Jemenfoutistes, tout l’univers des dandys décadents. Paris : Scali, 2008

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