Colonialismo

Definição teórica

Colonialismo, na sua definição teórica, entende-se normalmente como a conquista, ocupação e domínio de um território (colónia) subjugado por uma outra entidade, comummente designada por metrópole. Envolve, ao contrário do imperialismo, cujo domínio pode ser assegurado por controlo indireto, a transferência da população da metrópole, os colonos, para o território dominado, afim de assegurar não só essa dominação, como, na maioria dos casos, a exploração económica ou estratégica do território. Na sua expressão teórica, pode-se argumentar que o colonialismo sempre existiu e que todas as grandes civilizações, desde os Gregos aos Romanos, Otomanos e Mouros o praticaram de um modo ou de outro, não sendo restrito a nenhuma época ou área específica. No que se refere à teoria ainda, este movimento histórico sempre influenciou os filósofos e pensadores ocidentais que tiveram dificuldade entre conciliar as ideias de igualdade e justiça com a dominação de povos de outros continentes. No século XIX, no alto da dominação colonial e imperial europeu, muitos filósofos políticos defendiam princípios de universalidade e igualdade ao mesmo tempo que procuravam justificar a dominação europeia sobre outros povos, expressa em ideias como a “missão civilizadora” ou o “fardo do homem branco”, um poema de Rudyard Kipling ou antes através da justificação religiosa de evangelizar os povos “não-crentes”

Definição histórica

No entanto, a definição normalmente associada a colonialismo refere-se ao período histórico de dominação política e económica europeia de outros territórios, que começa com os “Descobrimentos” portugueses e espanhóis e encompassa o século XVI até aos anos 60/70 do século XX, terminando com os movimentos de libertação nacional na América Latina, África e Ásia. . É importante compreender o que foi o colonialismo europeu para perceber este paradoxo. O colonialismo não pode ser separado de outros dois factos históricos: a escravatura e o imperialismo. Tal como o colonialismo, a escravatura – modo produtivo onde os escravos são a principal força – e o imperialismo – controlo indirecto, seja militar, político ou económico, de vários territórios – podem, como modelos teóricos, ser aplicados a vários lugares e períodos históricos. Todavia, pelas características e valores específicos, pelos inovações tecnólogicas que as permitiram e pelos efeitos que produziram no mundo actual, o colonialismo europeu a partir do século XVI deve ser considerado como único.

Início do colonialismo europeu

A Europa, até essa altura, era relativamente periférica no sistema económico internacional. Devido às inovações marítimas, como as naus e caravelas e aos meios de navegação, como o compasso e astrolábio, novas rotas e territórios foram sendo “descobertos”. Os primeiros territórios foram conquistados pelos navegadores Portugueses e Espanhóis, mas é difícil falar de colonização efectiva. Embora muitos territórios fossem conquistados violentamente, não havia uma ocupação duradoura que fossem além de alguns entrepostos comerciais. Apenas no Brasil, que havia sido largamente ignorado, se começaram a estabelecer capitanias e uma grande percentagem da população portuguesa começou efectivamente a ocupar esses territórios, não sem violência. Na mesma época, os Espanhóis começaram a ocupar outros territórios na América, alguns dos quais pertenciam aos Impérios Maias e Azteca. Uma ocupação igualmente violenta, realizada com armas de fogo, mas que rendeu enormes somas de ouro e prata, como o território de Minas Gerais para Portugal. Lentamente, outras potências europeias procuraram aproveitar as riquezas do Atlântico, nomeadamente os Holandês, Ingleses e Franceses, que viriam a ‘substituir’ Portugueses e Espanhóis no domínio dos mares.

Extração, exploração e lucro europeu

Estes países estabeleceram um comércio vantajoso, através do domínio militar, com os países orientais. Os Holandeses, que tinham eles próprios conquistado a independência do reino espanhol, ganharam enormes vantagens comerciais no mar, mas também procuraram ocupar vários territórios, como aquele que corresponde à Angola atual, onde procuraram indivíduos escravizados, e outros na América do Sul, como Curaçao ou o atual Suriname, e ainda na Ásia, como a atual Indonésia, donde extraíram café. Chegaram igualmente ao território da Ocêania, à atual Tasmânia e Nova Zelândia. Os Franceses tinham, nos séculos XVII e XVIII, a maior população e eram o povo europeu mais rico. Conquistaram militarmente vários países nas Caraíbas, como Santo Domingo (atual Haiti), aquela que viria a ser a primeira república negra do mundo. Aí os Franceses extraíram principalmente açúcar. Conquistaram também a denominada Guiana francesa, donde retiraram cacao e café. Além disso, também invadiram território norte-americano, donde extraíram sobretudo peles de animais. Os Ingleses viriam, contudo, a superar todos os competidores e detiveram até ao início da 1ª Guerra Mundial o maior império, conquistado sobretudo pela via marítima. Ainda assim, a presença colonial inglesa fez-se sentir em vários territórios, o mais famoso os atuais EUA e a Índia. No século XIX, outras potências europeias, por pressões económicas e geo-estratégicas, como a Alemanha ou a Bélgica, que ocupou o Congo, ambicionaram territórios coloniais. Foi esta pressão que gerou a procura de recursos, principalmente em África e, como consequência, a 1ª Guerra Mundial.

Conclusão

Todas as potências coloniais beneficiaram dos materiais extraídos e do trabalho escravo durante 5 séculos de colonialismo, que só terminaria com a vaga de descolonizações que terminou no século XX, com a independência dos países africanos e asiáticos.

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