Abrilada

Apresentação da Abrilada

Abrilada é a designação dada a um movimento militar ocorrido em 29 e 30 de Abril de 1824, na sequência da Vila-Francada, encabeçado pelo infante D. Miguel e sua mãe, Carlota Joaquina, com o objectivo de influenciar o rei D. João VI, seu pai, e a família real a afastarem-se dos ideais defendidos pelo liberalismo. D. Miguel, na altura comandante-chefe do exército (cargo a que era dada a designação de generalíssimo), revolta as tropas aquarteladas em Lisboa e efectua diversas prisões políticas de conselheiros do rei e de liberais moderados, declarando ter como objectivo salvaguardar a pessoa do rei de um pretenso golpe de Estado e acabar de vez com os liberais (os chamados pedreiros-livres).

Inicialmente, D. João VI começou por aceitar as posições do infante mas, posteriormente, por pressão diplomática e face ao alargamento da revolta e às numerosas prisões dos seus partidários, decide exonerar D. Miguel do cargo de comandante-chefe do exército, ordenando a libertação dos presos e a prisão dos implicados no movimento. A 13 de Maio do mesmo ano, a pretexto de uma visita de estudo, D. Miguel parte para o exílio em Viena, e sua mãe é internada no paço de Queluz, enquanto D. João VI volta a governar como rei absoluto tal como acontecia desde a Vila-Francada.

 

Proclamação lida por D. Miguel às tropas estacionadas no Rossio em Lisboa

“Soldados! Se o dia 27 de Maio de 1823 raiou sobremaneira maravilhoso, não será menos o de 30 de Abril de 1824; antes um e outro irão tomar distinto lugar nas páginas da história lusitana; naquele deixei a capital para derrubar uma facção desorganizadora, salvando o trono e o excelso rei, a família real e a nação inteira, dando mais um exemplo de virtude à sagrada religião que professamos, como verdadeiro sustentáculo da realeza e da justiça; e neste farei triunfar a grande obra começada, dando-lhe segura estabilidade, esmagando de uma vez a pestilenta cá fila dos pedreiros livres, que aleivosamente projectava alçar a mortífera foice para acabar e de todo extinguir a reinante casa de Bragança.
Soldados! Foi para este fim que vos chamei às armas, plenamente convencido da firmeza do vosso carácter, da vossa lealdade e do decidido amor pela causa do rei.
Soldados! Sejais dignos de mim, que o infante D. Miguel, vosso comandante em chefe, o será de vós. Viva el-rei nosso senhor, viva a religião católica romana, viva a rainha fidelíssima, viva a real família, viva o brioso exército português, viva a nação, morram os malvados pedreiros livres.”

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