25 de abril de 1974

Olhar sobre a revolução que colocou um ponto final no regime ditatorial português

O dia 25 de abril de 1974 assinalou uma das mais importantes revoluções que ocorreram em Portugal, pois a eclosão de um movimento militar, encabeçado pelo capitão Salgueiro Maia (1945-1994) e pelo major Otelo Saraiva de Carvalho, conseguiu derrubar o Estado Novo e, finalmente, incitar o processo de implementação de um regime democrático no país.

A revolução também é designada “Revolução dos Cravos”, dado que os canos das espingardas dos militares foram enfeitados com cravos vermelhos pela população, mostrando, deste modo, a adesão das massas populares ao movimento revolucionário e o carácter não violento do mesmo.

Houve, evidentemente, uma série de fatores que culminaram no sucesso desta revolução: o país vivia mergulhado num período de ditadura que se estendia por 48 anos, isolando-se do resto do mundo e privando as pessoas de liberdade de expressão, a conjuntura económica agravava-se cada vez mais, o que se manifestava nas condições precárias a que a população tinha de se submeter e a guerra colonial parecia prolongar-se indefinidamente.

Embora no dia 24 de abril tudo aparentasse a mais calma rotina no país, a verdade é que os capitães responsáveis pelo golpe militar que viria a derrubar o regime já tinham começado a organizá-lo subtilmente. De facto, a conspiração, que envolveu cerca de 300 oficiais das Forças Armadas, teve a sua origem no Movimento dos Capitães, o qual foi formado como reação a dois decretos que tinham sido publicados pelo governo e que pretendiam resolver o problema da falta de oficiais com que o exército se debatia para dar continuidade à guerra colonial.

Então, na madrugada do dia 25 de abril de 1974, conforme o que fora combinado, a ação militar foi desencadeada com duas senhas transmitidas pela Rádio Clube Português: em primeiro lugar, ainda na noite do dia 24 de abril, a canção «E depois do Adeus», interpretada por Paulo de Carvalho, e pouco depois da meia-noite «Grândola, Vila Morena», interpretada por Zeca Afonso (1929-1987). Às três horas da manhã, as forças do MFA ocuparam pontos estratégicos da cidade de Lisboa, como a Rádio Clube Português, a RTP, a Emissora Nacional de Lisboa e, seguidamente, o Quartel-General da Região Militar de Lisboa.

Todo o processo foi bastante rápido e eficaz, com pouca resistência por parte das forças leais ao governo. A PIDE/DGS disparou, no entanto, tiros sobre alguns dos manifestantes, o que provocou quatro mortos.

Aparentemente, o MFA não contava com tão largo e entusiasmado apoio da população e foram constantes os apelos, através da rádio, à calma e recolhimento das pessoas nas suas casas, para que não entravassem as operações militares que estavam a decorrer. Contudo, o desejo de participação na revolta foi tão forte que os lisboetas acorreram às centenas ao largo do Quartel do Carmo, onde o capitão Salgueiro Maia pedia diplomaticamente a Marcelo Caetano (1906-1980) que se rendesse. Depois, abriu fogo sobre uma das paredes do edifício.

E assim aconteceu: Marcelo Caetano acabou por se render ao general Spínola (1910-1996) para que “o poder não caísse à rua” e, juntamente com o Presidente da República, o almirante Américo Tomás (1894-1987), e outros elementos do governo, foi numa primeira fase transferido para a ilha da Madeira e, depois, exilado para o Brasil.

Ao final do dia, constituiu-se a Junta de Salvação Nacional, um governo provisório resultante de um compromisso entre a hierarquia das Forças Armadas e o MFA.

No dia seguinte, a 26 de abril de 1974, os membros da PIDE foram imediatamente presos. Por sua vez, os presos políticos também saíram das prisões e os exilados regressaram a Portugal, como foi o caso de Mário Soares (1924-2017) ou de Álvaro Cunhal (1913-2005).

Sensivelmente uma semana depois, o dia 1 de maio, Dia do Trabalhador, foi comemorado pela primeira vez em liberdade. Enormes manifestações populares saíram à rua para saudar uma revolução que mudara o curso de Portugal e que ensinara ao mundo que uma revolução ‘pacífica’ pode, na verdade, ser bem-sucedida.

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References:

Telo, António José. História Contemporânea de Portugal. Do 25 de Abril à Actualidade. Vol.1. Barcarena: Presença, 2007

Rodrigues, A; Borga, Cesário. & Cardoso, M. O Movimento dos Capitães e o 25 de Abril. Lisboa: Dom Quixote, 2001

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