Segundo Novo Jornalismo

O Segundo Novo Jornalismo é uma alteração do paradigma jornalístico, nos anos 50 e 60, em que o jornalista torna-se subjetivo e a aprofunda a investigação.

Contexto do Segundo Novo Jornalismo

Numa altura propícia a transformações, com  a aparição do movimento hippie, o Maio de 68, a Guerra do Vietname, o surgimento de Rock and Roll), várias áreas, principalmente ligadas à sociedade, começaram a ter movimentos alternativos, suscetíveis de rutura em relação àqueles vistos, até então, como tradicionais.

Assim, nos anos 60, embora já com algumas nuances na década anterior, assistiu-se a uma transformação do paradigma jornalístico histórico com o jornalista a passar a ter maiores preocupações em termos de escrita criativa e subjetividade, sendo que houve um reforço ou mesmo recuperação do jornalismo de investigação.

O que é o Segundo Novo Jornalismo?

Após um primeiro Novo Jornalismo, no final do séc. XIX e início do séc. XX, criado ou fomentado (dependendo da interpretação), em certa medida, por William Hearst e Joseph Pulitzer, houve um novo duo que criou uma nova noção jornalística.

Segundo Tom Wolf, a par de Truman Capote o pai deste Segundo Novo Jornalismo, um fenómeno semelhante ocorreu na década de 60. Entre as grandes consequências deste evento está, sem dúvida alguma, o escândalo ou caso Watergate, no qual dois jornalistas do Washington Post sabiam que, durante a campanha eleitoral que elegeu Richard Nixon como presidente Norte-Americano, foram detidas cinco pessoas que tentavam fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta no escritório do Partido Democrata. Na altura, os dois jornalistas, Bob Woodward e Carl Bernstein, conseguiram apurar que o presidente do Partido Republicano sabia da tentativa de “assalto” ao edifício Watergate, local onde as cinco pessoas foram presos, culminando com a renúncia do presidente e, posteriormente, com a admissão de culpa deste durante a famosa entrevista exclusiva de David Frost a Richard Nixon, transposta para o cinema no filme “Frost/Nixon”, em 2008.

Este Segundo Novo Jornalismo deveu-se, em grande parte, a uma tentativa de retoma do jornalismo aprofundado de investigação por parte dos jornalistas desconfiados das suas fontes e descontentes com as limitações estilísticas e funcionais, numa altura, como anteriormente dito, propensa à mudança.

Este movimento marcou a transição para o jornalismo especializado, para uma maior análise do texto informativo e, essencialmente, uma postura mais subjetiva e criativa na escrita, sendo sem surpresas que se assistiu ao reforço do paradigma de especialização no meio jornalístico desportivo e à retoma ou reforço do jornalismo de investigação.

O papel do jornalista deixa de ser de simples relato e passa a haver uma interpretação pessoal. Ou seja, o jornalista deixa de dizer o que aconteceu e passa a analisar, na primeira pessoa, todos os acontecimentos. Uma espécie de: “Na minha interpretação, aconteceu isto, aquilo e naqueloutro”

Segundo Novo Jornalismo em Portugal

Em Portugal, por causa do Estado Novo e da Revolução dos Cravos ou 25 de abril e posterior Período Revolucionário em Curso (PREC), que atrapalhou o avanço científico nesta área, isso ficou comprovado apenas mais tarde, com a criação do jornal Independente em 1988. Com a criação de faculdades de jornalismo, iniciada a 1979 na Universidade Nova de Lisboa mas desenvolvida principalmente nos finais dos anos 80, os jovens, sedentos de crescimento e ambição profissional, que acabavam o curso aspiravam ganhar uma maior dimensão.

Também é verdade que nesta altura, com a criação do jornal Correio da Manhã que, na década de 80, tornar-se-ia sensacionalista, o jornalismo social teve um grande desenvolvimento. No segmento desportivo, o crescimento da imprensa especializada também foi repercussão da diversificação de modalidades a que se começava a assistir no meio desportivo, tendo surgido, entre 1988 e 1995, 57 novas publicações desportivas especializadas, num total de 106 novos periódicos de índole desportiva.

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References:

Novo Jornalismo, Conceitos Disponível em: https://conceitos.com/novo-jornalismo/ Consultado a 14/06/2018

SOUSA, J. P. (2006), Elementos de Teoria e Pesquisa de Comunicação e Media. Porto: Universidade Fernando Pessoa

Aguiar, Afonso – Evolução da Imprensa Desportiva Portuguesa (1946-2006) – Estudo do Caso: o Jornal A Bola e a Volta a Portugal em Bicicleta. Porto, Universidade Fernando de Pessoa, 2015, Tese de Mestrado

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