Caio Mário

Caio Mário foi um político, cônsul e general romano que, durante o seu governo, procurou diminuir o poder da aristocracia romana. Era tio de Júlio César.

Caio Mário: Origens

Proveniente de uma família de classe média, Caio Mário (Mario, em latim) nasceu, julga-se em 157 A.C., na cidade de Arpino, no sul da zona de Lázio.

As sua ligações económicas com a mais alta nobreza de Roma (os Cecílios Metelos) e as relações matrimoniais com nobreza local, indicam que Caio Mário terá pertencido a uma família de ordem equestre de algum relevo.

Reza uma lenda que durante a sua infância, ainda adolescente, terá encontrado um ninho de águia com filhotes no interior. Nessa altura, a águia era considerada como o animal sagrado de Júpiter, o deus supremo da altura e a versão romana de Zeus (deus grego). Verdade ou não, assim que Caio Mário assumiu o primeiro consulado, decretou que a águia se tornasse o símbolo de Roma.

Graças à sua ligação com os Cecílios Metelos e depois de uma passagem pelo exército recheada de condecorações, Caio Mário iniciou a sua carreira política como tribuno da plebe em 120 A.C. As suas façanhas no exército ajudaram a elegê-lo, quando era na realidade um quase-desconhecido.

No seu primeiro mandato, começou a optar por medidas que acabariam por marcar o resto da sua carreira política. Se, de um lado, mostrou-se a favor da Lex Tabellaria, que permitia o voto secreto e prejudicava a coerção imposta pela grande aristocracia, ao mesmo tempo opôs-se à Lex Frumentaria, que ampliava as porções de trigo às plebes.

Porém, a sua carreira sofreu uma estagnação quando se candidatou, sem sucesso, a edil curul e edil plebeu. Ainda assim, em 116 A.C. foi nomeando pretor, o que mais tarde lhe garantiria o regresso ao senado, ainda com maior peso.

Em 110 A.C, depois de quatro anos como governador da Hispânia (zona da península Ibérica dominada pelos romanos), casou-se com Júlia Maior, tia de Júlio César.

Guerra de Jugurta

Em 112 A.C., Roma começou a ter dificuldades no Norte de África, mais precisamente na Numídia, em territórios anteriormente sob a influência de Cartago. Um chefe bérbere, Jugurta, mostrava desobediência às ordens de Roma e, numa guerra difícil que durou até 106 A.C, o já general Caio Mário mostrou grandes virtudes, conseguindo derrotar a rebelião junto do seu braço-direito Júlio Cornélio Sila. Durante essa altura, mais precisamente em 108 A.C, Caio Mário candidatou-se a Cônsul romano, sendo eleito seis vezes consecutivas, mais precisamente até 99 A.C. No mesmo período, também rivalizou com Cecílio Metelo, antigo general responsável por pacificar estas terras e o mesmo que o convocou para o auxiliar na Guerra de Jugurta, mas que, devido a alguns jogos de bastidores de Caio Mário (as suas capacidades como militar permitiram que influenciasse o exército), bem como alguma inteligência política (aproveitou um tecnicalidade para apelar à Assembleia dos Cidadãos), acabou por ser retirado do comando, ainda que mais tarde fosse consagrado como Conquistador da Numídia.

Legado e queda de Caio Mário

Perante o apoio militar e numa altura em que Roma apresentava forte inabilidade a esse nível, foi complicado para o senado impedir as consecutivas eleições de Caio Mário. O novo Cônsul procurou reforçar o seu exército, utilizando políticas que se tornaram bastante populares junto do povo, uma vez que este permitiu a homens sem propriedades habilitar-se ao exército, concedendo-lhes poderes de voto, uma carreira militar e a possibilidade de lhes serem garantidas terras se se destacassem em batalha ou guerra. Esta foi uma reforma semelhante, mas mais agressiva do que aquela que o irmãos Graco tinham feito cerca de uma década anterior (antes para se tornar militar era necessário ser proprietário de terras e a quinta classe tinha um custo de 3.000 sestércios). Desta forma, acabou por agradar tanto aos proletários (nova ordem civil – militares sem propriedades) assim como os proprietários de terras, que era o grupo que o apoiava, em detrimento dos patrícios – aristocracia romana – a que Caio Mário se opunha.

Depois de vitórias contra os Cimbos e Treutões, tribos vindas do Norte da Europa, Caio Mário reforçou o seu estatuto como Cônsul, quase ditador, de Roma, sendo implacável e preponderante nas vitórias do Império. Porém, o senado continuava descontente, obrigando-o a procurar apoio, o que culminou, em cerca de 100 A.C, quando se uniu a Lúcio Apuleio Saturnino Caio Servílio Glaúcia, formando uma espécie de triunvirato. Sem margem de manobra, Caio Mário teve de aceitar uma lei agrária que dava aos militares veteranos as terras ocupadas pelos Cimbos e Treutões, as quais, antes da ocupação destes povos germânicos, pertenciam a camponenses.

Com esta decisão, o grupo que o apoiava – os proprietários – acabaram por se revoltar contra as medidas de Caio Mário, o que originou que este tivesse de fugir para África e o seu antigo questor, Lúcio Cornélio Sila, se tornasse mais tarde ditador e perseguisse a família de Mário, mesmo que este tenha regressado brevemente em 86 A.C:

Análise a Caio Mário

Numa análise do Jornal Público, no sexto volume da História Universal pode-se ler o seguinte:

“Nada ficou na História a que se possa chamar o programa político de Mário; não deixou mais do que a sua táctica desmoralizadora para humilhar o senado ameaçando-o com as milícias”, algo que se pode interpretar devido às origens de Caio Mário e à sua revolta por não ter nascido com o estatuto de patrício.

No entanto, as suas reformas acabariam por resultar numa revolução em 90 A.C., permitindo a todos os italianos obter a cidadania.

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References:

Navarro, F. (2004). História Universal: Vol. 6 – Roma. Espanha: Sucesores de Rivadeneyra, S.A

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