Agripa I

Agripa refere-se a Herodes Agripa I, que é neto de Herodes, o Grande. Este Agripa era filho de Aristóbulo que por sua vez era o filho de Herodes, o Grande com Mariamne I neta do Sumo Sacerdote Hircano II. Aristóbulo, o seu pai, havia sido morto por Herodes o Grande. Agripa, foi o último dos Herodes a governar sobre toda a Palestina assim como havia feito o seu avô.

Este Agripa conseguiu a sua posição de Herodes, o rei por várias manobras e com a ajuda dos seus amigos em Roma. Visto que foi educado em Roma com o filho do Imperador Tibério, Druso, e o seu sobrinho Cláduio tornou uma figura conhecida e benquista nos círculos importantes. Ele primava por ser extremamente extravagante e bastante temerário. Visto que ficou muito endividado, e a dever dinheiro até mesmo ao tesouro romano, partiu de Roma e fugiu para a Iduméia. Por fim, com a ajuda da sua irmã Herodias e da sua esposa Cipros (filha do sobrinho de Herodes, o Grande, cuja esposa era a filha de Herodes), passou a morar por um tempo em Tiberíades. Surgiu um desentendimento entre ele e Antipas, que o induzindu a partir. Retornou por fim a Roma e às boas graças de Tibério César.
Contudo, uma declaração imprudente causou a Herodes Agripa I grandes dificuldades com o Imperador Tibério. Num descuido, expressou a Caio (Calígula), com quem havia travado amizade, o desejo de que Caio fosse em breve imperador. As suas observações, foram ouvidas por um servo de Agripa, e chegaram aos ouvidos de Tibério, que prendeu Agripa. Por vários meses, a sua vida estava por um fio, mas alguns meses mais tarde, Tibério morreu e Calígula tornou-se imperador. Este soltou Agripa e elevou-o à posição de rei sobre os territórios que o seu falecido tio Filipe havia governado.
Herodias, que ficou invejosa da posição do seu irmão como rei, persuadiu o seu marido Herodes Antipas, que era apenas tetrarca, a solicitar uma coroa ao novo imperador em Roma. Mas Agripa frustrou os planos de Antipas neste assunto. Apresentou perante Caio (Calígula) a acusação de que Antipas teria feito alianças com Sejano, conspirador contra Tibério, e com os partos, acusação que Antipas não tinha como negar. Isto levou ao banimento de Antipas. Os territórios de Antipas, nomeadamente a Galiléia e a Peréia, foram anexados ao reino de Agripa. Em certa passagem, Josefo diz que Calígula deu esses domínios a Agripa, e, em duas outras, que foi Cláudio quem fez isso. É provável que Calígula tenha feito a promessa e que Cláudio a tenha confirmado.
Por ocasião do assassinato de Calígula, datada pelos peritos como ocorrido em 41 EC, Agripa estava em Roma. Ele atuoou como intermediário, ou negociador, entre o Senado e seu amigo, o novo imperador Cláudio. Cláudio expressou seu apreço por recompensá-lo com o território da Judéia e de Samaria, bem como o reino de Lisanias. Agripa tornou-se então governante de quase o mesmo domínio de seu avô, Herodes, o Grande. Nesta ocasião, Agripa pediu e recebeu de Cláudio o reino de Cálcis para o seu irmão Herodes. (Este Herodes é mencionado na história apenas como rei de Cálcis, um pequeno território na encosta O dos montes do Antilíbano.)
Agripa bajulava os judeus, e afirmava que era devoto do judaísmo. Calígula, afirmando ser deus, havia decidido erigir uma estátua sua no templo em Jerusalém, mas Agripa habilmente persuadiu-lo a não fazê-lo. Mais tarde, Agripa começou a construir uma muralha em volta do subúrbio Norte de Jerusalém. Para Cláudio, isto parecia ser uma possível fortificação da cidade contra qualquer eventual ataque romano no futuro. Por conseguinte, Cláudio mandou que Agripa desistisse disso. Agripa desmentia a sua afirmação de ser adorador de Deus por apoiar e providenciar jogos gladiatórios e outros espetáculos pagãos no teatro.
Agripa era aceitável aos judeus por sua descendência asmoneia, por parte da sua avó Mariamne. Ao mesmo tempo em que patrocinava a causa dos judeus sob o jugo romano, também criava fama nada invejável de perseguidor dos cristãos, que em geral eram odiados pelos judeus descrentes. “Eliminou Tiago, irmão de João, pela espada.” (Atos dos Apóstolos 12:1, 2) Vendo que isto agradava aos judeus, prendeu e encarcerou Pedro. A intervenção dum anjo, resultando na libertação de Pedro, e causou muita comoção entre os soldados de Agripa e além disso resultou na punição dos guardas encarregados de Pedro.

O domínio de Agripa teve porém um fim abrupto. Em Cesaréia, durante uma festividade em honra de César, ele vestiu-se de um magnífico traje real e começou a fazer um discurso público perante a assistência reunida de pessoas de Tiro e de Sídon, que vieram buscar a paz com ele. Os presentes responderam gritando: “A voz de um deus e não de homem!” A Bíblia regista a sua execução sumária como hipócrita condenado: “O anjo de Jeová o golpeou instantaneamente, porque não deu glória a Deus; e, comido de vermes, expirou.”
Os cronologistas situam a morte do Rei Herodes Agripa I em 44 EC, à idade de 54 anos e depois de ter reinado por três anos sobre toda a Judéia. Sobreviveram-lhe seu filho Herodes Agripa II e suas filhas Berenice, Drusila, esposa do governador Félix, e Mariamne III.

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