Albano

Albano Narciso Pereira, nasceu no Seixal em 21 de Dezembro de 1922 e foi um futebolista português que foi também conhecido como um dos cinco Violinos, nome dado a um ataque da equipa do Sporting

Albano Pereira

durante os anos 40. Jogava preferencialmente como extremo esquerdo.

Albano começou a dar os primeiros passos no futebol no clube da sua Terra o Seixal, mas depois foi jogar para os juniores do Barreirense. Ao terminar o seu processo de formação Albano voltou ao Seixal para jogar como senior. Além disto, aos 12 anos já trabalhava na Mundete como quadrador. Vem de uma família pobre. Por causa disso, só aprendeu a ler em adulto. Era um jogador de baixa estatura, e com um centro de gravidade muito baixo, e tecnicamente fabuloso, começou rapidamente a dar nas vistas no Seixal. Depois de apenas duas épocas ao mais alto nível no clube foi contratado pela verba de 20 contos pelo Sporting Clube de Portugal, corria o ano de 1943. Nesta época, alguns dos jogadores do Sporting estavam em fim de carreira, e assistiu-se a uma renovação da equipa. Albano, tinha apenas 21 anos e viria substituir o mítico, mas em fim de carreira João Cruz, que tinha feito mais de 200 jogos pelo clube e marcado mais de 100 golos pelo Sporting. Era uma herança pesada, e por um preço que há época era significativo. Mas Albano não se atemorizou. Apesar da sua estrutura franzina rapidamente conquista a ponta esquerda da equipa. Começou a jogar ainda antes dos 5 violinos serem formados, na época de transição e faria parte dos que foram apelidados como Cinco Violinos. Fez assim parte do período áureo do futebol leonino. Participou na conquista da Taça Império, uma espécie de Supertaça Cândido de Oliveira nos dias posteriores, e em oito campeonatos e quatro Taças de Portugal, além de dois campeonatos de Lisboa. Além disso, realizou mais de 500 jogos, tornando a figura João Cruz apenas um nome distante e apagando completamente a sua sombra, e marcou mais de 150 golos. Destes mais de 500 jogos que realizou com a camisa do Sporting, foram 335 jogos oficiais e marcou 162 golos oficiais.

Era uma pessoa bem disposta e brincalhão, que usava o campo de futebol para praticar a sua arte, e deixava os seus adversários completamente em água. Pela Seleção Nacional de Futebol de Portugal, jogou por apenas 13 vezes, e marcou 3 golos. A sua estreia pela Seleção traz um episódio memorável da vida de Albano Pereira. Foi no dia 5 de Janeiro de 1947 contra a Seleção Nacional da Suiça. O jogo ficou empatado a dois golos.

De acordo com o próprio choveu tanto nesse dia que mais tarde ele disse:  “Choveu tanto naquele Portugal-Suíça que eu encolhi mais dois centímetros.”

Esta tirada é reveladora da sua boa disposição e do seu sentido de humor. Juntava a esta doce personalidade uns pés de lã, e podia-se dizer que era um malabarista por natureza. Fazia tudo o que queria com a bola, o seu brilhantismo técnico fazia referir-se a ele como um diamante puro, em vista da harmonia do seu contacto com a bola, e como a mesma saía dos seus pés, em especial o pé esquerdo. Fazia lembrar dois atletas argentino que anos mais tarde trariam magia ao futebol mundial, Leonel Messi e Diego Armando Maradona. Por isso era conhecido na época como Diabólico.

Os Cinco Violinos, Albano é o primeiro da direita, ao lado de Travassos

Chamou o seu filho de Eduardo Travassos em homenagem ao seu amigo José, o que demonstra bem as suas qualidades e o companheirismo que tinha com os seus companheiros de clube. Tinha também uma paixão socialista, o que para a época era perigoso para a liberdade de um indivíduo.

Um episódio interessante na sua carreira, ocorre quando num jogo europeu, passou a bola por baixo das pernas de um calmeirão escocês, mas passou ele próprio por baixo das pernas do jogador escocês.

A 29 de Junho de 1957 teve a sua festa de homenagem e de despedida do Sporting, quando muitos já o chamavam de velho, aos 34 anos, após uma época em que só fez 6 jogos. Afirmou humildemente que continuaria a jogar nas reservas do Sporting se fosse o desejo dos dirigentes.

Após a saída do Sporting voltou ao Seixal, onde ainda jogou e treinou, como por exemplo o Amora, e adquiriu um café com o dinheiro que tinha ganho no futebol, mas rapidamente o mesmo foi à falência, visto que as pessoas aproveitavam-se da sua boa índole. Assim, acabou por se empregar numa fábrica de cortiça.

Faleceu a 5 de Março de 1990 com 67 anos.

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